Inovação & estratégia
5 minutos min de leitura

Ter mais robôs já não é suficiente

Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.
CEO da Roboteasy e executivo com 30 anos de experiência em tecnologia aplicada a negócios. Atuou em multinacionais como Oracle e Gartner e fundou sua primeira empresa aos 22 anos, posteriormente vendida ao grupo Synapsis (TIVIT). Antes de assumir a Roboteasy, liderou a NEXDOM, onde esteve à frente da construção de uma infraestrutura digital que atende milhões de beneficiários no setor de saúde suplementar.

Compartilhar:

Por muito tempo, falar em automação nas empresas era sinônimo de retirar das pessoas as tarefas repetitivas. A rotina se resumia a acessar sistemas, copiar dados de uma tela para outra, preencher planilhas e rodar tarefas do departamento financeiro. Esse modelo continua extremamente relevante. Mas ele não explica o que realmente está transformando o dia a dia das companhias hoje.

Ao olhar para os mais de 15 mil agentes em operação em mais de 150 clientes da Roboteasy, fica nítida essa virada de chave. As organizações estão saindo de uma lógica de automação de tarefas para uma lógica de automação inteligente de processos.

O RPA continua fazendo parte dessa arquitetura, principalmente onde a execução precisa ser rápida e padronizada. A diferença é que agora ele se conecta com APIs, inteligência artificial e agentes capazes de entender contexto, ler nuances e tomar decisões em tempo real. Na prática, essa união muda significativamente o alcance do que é possível transformar.

O RPA foi o começo, não o destino

A primeira geração de automação corporativa na Roboteasy foi construída principalmente sobre processos altamente estruturados. Não por acaso, Financeiro, Fiscal e Controladoria representam 37% dos processos que observamos em nossa base.

São áreas naturalmente adequadas à automação, já que trabalham com grandes volumes e com sistemas estruturados, além de apresentarem regras claras e resultados facilmente mensuráveis. Rotinas administrativas, como conciliações bancárias, lançamentos e processamento de documentos fiscais, são bons exemplos disso.

Entretanto, há uma diferença importante entre automatizar uma tarefa e transformar um processo. Uma empresa pode ter dezenas de robôs executando atividades isoladas e, ainda assim, manter processos fragmentados, pessoas fazendo intervenções entre sistemas e decisões dependendo de informações dispersas. O salto de maturidade acontece quando a organização começa a enxergar o processo de ponta a ponta.

Da tarefa para a jornada completa

É nesse momento de avanço em que as empresas buscam novas soluções para outras áreas, como Compras e Logística. Na Roboteasy, esses dois setores juntos representam aproximadamente 26% dos fluxos analisados.

Ao pensar no fluxo de compras, uma necessidade de automação pode surgir no sistema, exigindo a consulta e comparação de fornecedores, além da aprovação de alçada, geração de pedido, interação com ERP, acompanhamento da entrega e, posteriormente, conciliação financeira. Automatizar apenas uma dessas etapas gera uma eficiência isolada, mas orquestrar toda essa jornada gera uma verdadeira transformação.

É nesse momento que RPA, APIs, integrações e inteligência artificial deixam de ser tecnologias isoladas e passam a formar uma camada unificada de automação sobre o processo. Assim, mais do que simplesmente acelerar tarefas isoladas, o foco passa a ser garantir que o processo flua com o mínimo de intervenção manual, menor margem de erro, total rastreabilidade e alta capacidade de escala.

A inteligência artificial amplia essa fronteira

Com a implementação da IA nesses projetos corporativos, passa a ser integrado um aspecto que a automação tradicional tinha dificuldade para resolver, que é a capacidade de lidar com informações menos estruturadas e cenários que exigem interpretação.

Agora documentos, e-mails, textos, imagens e grandes volumes de informações podem ser compreendidos e utilizados dentro de um fluxo automatizado. Na prática, um agente inteligente pode receber uma solicitação, interpretar o contexto, consultar múltiplos sistemas, aplicar regras de negócio e acionar uma automação, reservando a intervenção humana estritamente para os casos que exigem julgamento ou decisão.

Essa evolução muda a relação entre pessoas e tecnologia. O objetivo não é retirar o humano de todos os processos, mas definir estrategicamente a atuação autônoma da tecnologia, o seu papel de suporte às decisões e onde o julgamento humano permanece indispensável.

Quanto mais inteligência, mais importante a governança

O atual cenário também explica por que áreas como Jurídico, Saúde e Seguros ainda representam uma parcela menor dos processos observados em nossa base. Tratam-se de ambientes em que existem informações sensíveis, exigências regulatórias e decisões com impacto significativamente maior.

Mas isso não significa que sejam áreas menos adequadas à tecnologia, pelo contrário. IA e agentes inteligentes ampliam as possibilidades de atuação nesses contextos. A diferença é que, quanto maior a autonomia concedida à tecnologia, mais estruturada deve ser a capacidade da organização de estabelecer diretrizes, limites, rastreabilidade, segurança e supervisão humana.

Por isso, a discussão sobre inteligência artificial nas empresas não pode acontecer separadamente da discussão sobre governança.

O próximo salto não será ter mais robôs

Talvez esse seja o principal aprendizado ao acompanhar milhares de agentes em operação. Se por muito tempo a maturidade em automação era medida pela quantidade de processos automatizados ou de horas economizadas, hoje apenas essas métricas se tornam insuficientes. 

A pergunta central passa a ser outra: quanto da operação da empresa consegue funcionar de forma integrada, inteligente e orquestrada, permitindo que as pessoas concentrem energia nas decisões em que realmente agregam valor?

O futuro da automação corporativa não será simplesmente colocar um robô em cada tarefa manual, mas em construir uma camada inteligente sobre a operação, conectando sistemas, interpretando informações, executando atividades, apoiando decisões e acionando pessoas quando necessário. O RPA continua fazendo parte dessa história, mas agora divide espaço com inteligência artificial, agentes autônomos, APIs e interfaces em linguagem natural que tornam a criação de automações cada vez mais acessíveis.

Fica para trás a era de automatizar tarefas, dando lugar à era de orquestrar operações inteligentes.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Ter mais robôs já não é suficiente

Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

A pergunta que todo treinamento deveria responder

Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

A IA aumentou a produtividade, mas quem está ganhando tempo?

Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

A IA não está substituindo os bancos. Está mudando o trabalho dentro deles.

O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução