Liderança
0 min de leitura

Todos nus com a mão no bolso

Não é a idade que torna líderes obsoletos - é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.
Rubens Pimentel é CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial e já treinou mais de 32 mil executivos e profissionais.

Compartilhar:

O que vai separar líderes relevantes dos obsoletos não é geração: é coragem de se reinventar

Existe uma velha música do Ultraje a Rigor que resume, sem querer, o momento que vivemos nas organizações: “Pelados, pelados, nus com a mão no bolso.” A letra falava de igualdade social. Mas hoje ela descreve com precisão cirúrgica a posição em que muitos líderes se encontram: expostos, sem roteiro, diante de uma transformação que não pede licença.

A crise que afeta a liderança não é geracional. Não é sobre millennials ou Gen Z. É sobre a insistência em usar ferramentas do século 20 para resolver desafios do século 21. O problema não é a geração de quem lidera! É a geração das ideias com que lidera.

“O mundo empresarial exclusivamente racional ficou para trás. Quem ainda não percebeu está gerenciando o passado enquanto o futuro já mudou de endereço.”

Estamos vivendo um momento comparável à Revolução Industrial, quando todo o sistema de trabalho foi redesenhado do zero. Naquela época, as organizações que sobreviveram não foram as que resistiram à mudança. Foram as que a entenderam como uma oportunidade de construir algo novo.

O mesmo está acontecendo agora. A gestão humanizada, com a pessoa no centro, não é uma tendência de RH. É uma resposta estrutural a um mercado que mudou sua lógica de valor. Resultado sustentável, hoje, passa por times que confiam nos seus líderes. E confiança não se impõe pela hierarquia, se constrói pela presença, pela escuta e pela coerência.

Isso exige competências que poucos desenvolveram: a capacidade de liderar na ambiguidade sem fingir que tem todas as respostas; a habilidade de criar segurança psicológica sem renunciar a direção clara; e, talvez a mais desafiadora, a disposição de ser vulnerável sem perder autoridade.

“Vulnerabilidade não é fraqueza. É a única moeda que compra autenticidade e autenticidade é o que faz times se moverem por convicção, não por obrigação.”

O diagnóstico é simples: protocolos de liderança construídos para um ambiente estável e previsível não funcionam em cenários de ruptura contínua. As competências que fizeram líderes chegarem aonde estão podem não ser as mesmas que os farão avançar daqui para frente.

A boa notícia é que essa transição tem destino. O século 21, para as organizações, começa em 2030, e ainda há tempo. Não para grandes declarações de transformação, mas para escolhas práticas e cotidianas: como você conduz uma reunião difícil, como responde a um erro da equipe, como trata quem pensa diferente de você.

Liderança no momento de ruptura não é sobre ter o mapa certo. É sobre ter a disposição de caminhar sem ele e levar pessoas junto.

Quem desenvolver isso terá lugar no novo ciclo. Quem esperar o mapa chegar pronto, ficará parado.

Faça sua escolha com carinho.

Compartilhar:

Rubens Pimentel é CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial e já treinou mais de 32 mil executivos e profissionais.

Artigos relacionados

Todos nus com a mão no bolso

Não é a idade que torna líderes obsoletos – é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.

Inovação & estratégia
30 de março de 2026 06H00
No auge do seu próprio hype, a inovação virou palavra‑de‑ordem antes de virar prática - e este artigo desmonta mitos, expõe exageros e mostra por que só ao realinhar expectativas conseguimos devolver à inovação o que ela realmente é: ferramenta estratégica, não mágica.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
29 de março de 2026 18H00
Do SXSW 2026 à realidade brasileira: O luto deixa o silêncio e começa a ocupar o centro do cuidado humano. A morte entrou na agenda do bem-estar e desafia indivíduos, empresas e sociedades a reaprenderem a cuidar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de março de 2026 13H00
Os números de assédio e a estagnação das carreiras de pessoas com deficiência revelam uma verdade incômoda: a inclusão no Brasil ainda para na porta de entrada. Em 2026, o desafio não é contratar, mas desenvolver, promover e garantir permanência - com método, responsabilidade e decisões que tratem diversidade como estratégia de negócio, e não como discurso.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
29 de março de 2026 07H00
Este artigo revela por que entender o nível real de complexidade do próprio negócio deixou de ser escolha estratégica e virou condição de sobrevivência.

Daniella Portásio Borges - CEO da Butterfly Growth

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de março de 2026 11H00
A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo - e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Poliana Abreu - Chief Knowledge Officer da Singularity Brazil, HSM e Learning Village

2 minutos min de leitura
Estratégia
28 de março de 2026 06H00
Em um mundo em que pandemias, geopolítica, clima e regulações desmontam cadeias de fornecimento inteiras, este artigo mostra por que a gestão de riscos deixou de ser operação e virou sobrevivência - e como empresas que ainda tratam sua cadeia como “custo” estão, na prática, competindo de olhos fechados.

André Veneziani - VP Comercial Brasil e Latam da C-MORE

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de março de 2026 13H00
Investir em centros de P&D deixou de ser opcional: tornou‑se uma decisão estratégica para competir em mercados cada vez mais tecnológicos.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Estratégia
27 de março de 2026 07H00
Medir saúde organizacional deveria estar no mesmo painel que receita, margem e eficiência. Quando empresas tratam bem-estar como benefício e não como gestão, elas não só ignoram dados alarmantes - elas comprometem produtividade, engajamento e resultado.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
ESG
26 de março de 2026 15H00
A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Marceli Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de março de 2026 09H00
À medida que desafios logísticos se tornam complexos demais para a computação tradicional, este artigo mostra por que a computação quântica pode inaugurar uma nova era de eficiência para o setor de mobilidade e entregas - e como empresas que começarem a aprender agora sairão anos à frente quando essa revolução enfim ganhar escala.

Pâmela Bezerra - Pesquisadora do CESAR e professora de pós-graduação da CESAR School e Everton Dias - Gerente de Projetos

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão