Desenvolvimento pessoal

Três técnicas para melhorar sua saúde mental e gestão emocional

Para viver melhor com você mesmo e com as outras pessoas, seja no trabalho com colegas ou em casa com a família, comece a desenvolver e praticar a autoconsciência sobre suas emoções
Virginia Planet é sócia e cofundadora da House of Feelings, primeira escola de sentimentos do mundo.

Compartilhar:

Alguma vez você se sentiu paralisado ou desconfortável por alguma emoção? Seja em uma discussão, uma situação no trabalho, com sua família ou amigos?

Ao falarmos de gestão emocional, muitas pessoas podem entender como a capacidade de ignorar ou controlar emoções, não demonstrando de modo perceptível ou externamente.

Os neurocientistas António Damásio e Joseph E. LeDoux caracterizam as emoções como: “uma resposta comportamental e cognitiva automática a um estímulo, de forma inconsciente”. Ou seja, são nossas reações físicas, emocionais ou de entendimento a um estímulo. Emoções também são reconhecidas como alterações corporais, principalmente quando elas estão à flor da pele, reconhecidas como tremores nas extremidades do corpo (pés e mãos), tensionamento muscular, alterações dos batimentos cardíacos e da respiração.

Mas, então, o que seria a gestão das emoções? Ao contrário do que muitos pensam, a gestão emocional não é somente controlar as emoções, ela requer um pouco mais de nós. É compreender o contexto em que ocorrem, é ter consciência na forma como você é afetado, a maneira como lida com a qualidade e intensidade dos pensamentos e o que faz diante da situação.

Existem algumas técnicas que ajudam as pessoas a terem uma melhor gestão das suas emoções, as mais conhecidas são as terapias cognitivas-comportamentais, que são eficazes no manejo das emoções e que podem ajudar no seu dia a dia do trabalho e das relações sociais. Existem técnicas mais simples e que nos ajudam a compreender nossas emoções, nomeá-las corretamente e traçar a melhor e mais adequada estratégia para lidar com elas. Logo abaixo citarei algumas.

Enquanto gestão emocional é autoconsciência física, mental e leitura do contexto, a maturidade emocional, digamos que é durante o acontecimento, é a capacidade de se apropriar das emoções e sentimentos e se responsabilizar, direcionando a sua própria energia para o autoconhecimento e fazendo os ajustes necessários para buscar o equilíbrio, enquanto vivencia a situação e depois dela, também, como lidar com tudo o que aconteceu. E é a partir daí que tudo se conecta! Quanto mais focamos na nossa saúde mental, mais desenvolvemos a maturidade para lidarmos melhor com as adversidades da vida.

Por exemplo, lembra daquele momento em que se sentiu desconfortável lendo aquele e-mail do seu chefe? Ao invés de responder imediatamente, tomado pela raiva, você se deu 5 minutos, levantou-se da mesa de trabalho, pegou um copo de água e foi dar uma volta ao sol, respirando profundamente e “entendendo” o que estava acontecendo com você. Você assumiu o controle e a responsabilidade! Assim, logo que voltou à mesa, seu sentimento já era outro, mais racional, talvez ainda incomodado, mas a sua capacidade de análise crítica da situação já era outra.

Portanto, focar na nossa saúde mental nos ajuda a viver melhor conosco e com o outro. O importante é começar a cuidar e desenvolver a autoconsciência sobre o que está sentindo, para ter esta apropriação emocional, que lhe trará bem-estar e qualidade de vida.

Agora seguem algumas técnicas para você começar a cuidar da sua saúde mental e aprender a gerenciar as suas emoções:

## 1 – Registro de pensamentos disfuncionais
Esta é uma técnica geralmente requerida pelos psicólogos, no qual o paciente registra pensamentos desagradáveis que surgem em determinadas situações e os sentimentos que surgiram. Como muitas vezes reagimos sem pensar, esta técnica é muito utilizada e eficiente no manejo de pensamentos automáticos e disfuncionais. Deixar um caderno e caneta sempre à mão, ajudará a trazer esta compreensão sobre seus sentimentos e, ao ler futuramente, poderá até perceber alguns padrões!

## 2 – Questionamento socrático
Tem por objetivo trazer informação à consciência, correlacionando o pensamento automático à consequente emoção e comportamento. Através de perguntas simples, como: “o que poderia acontecer então?” ou “qual o significado disto?”, é possível perceber e modificar distorções cognitivas. Portanto, quando sentir algo indesejado, comece a se fazer perguntas simples: “por que estou sentindo isto?”, “o que poderia acontecer de pior?”, “quais outras opções eu tenho agora?”, “este sentimento me faz bem?” – este processo o ajudará a encontrar respostas.

## 3 – Técnicas de relaxamento
As técnicas de relaxamento são essenciais para potencializar a percepção de si durante os momentos que não conseguimos controlar determinadas emoções. Envolvem técnicas de respiração e relaxamento muscular, aumentando a concentração, diminuindo a tensão e proporcionando mais bem-estar. Atualmente existem muitos aplicativos gratuitos disponíveis para nos ajudar neste processo. Mas é importante dar o primeiro passo!

Pode parecer simples, mas é difícil registrar o que sentimos, às vezes, por não entendermos direito, ou por sermos muito reativos e não pararmos para pensar. A melhor maneira de seguir este caminho de desenvolvimento é através do autoconhecimento, que alcançamos, muitas vezes, por meio da psicoterapia. Quando começar a se entender melhor, vai conseguir lidar com os desafios do trabalho, das suas relações interpessoais e da vida.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Ou você constrói um ecossistema de parceiros ou será engolido por um

Embora a maioria das empresas reconheça o potencial dos ecossistemas de parceiros para gerar receita e ampliar mercados, poucas conseguem transformar essa ambição em resultados consistentes. O artigo explora por que a construção de um ecossistema eficaz vai muito além da criação de um canal comercial, exigindo arquitetura, governança, ativação e uma estratégia capaz de conectar parceiros aos objetivos de crescimento do negócio.

Mudar para continuar o mesmo

Ao visitar um dos vinhedos mais renomados de Bordeaux, o autor encontrou uma reflexão que ultrapassa o universo do vinho e alcança empresas, famílias e instituições. A decisão do Château Lafleur de abandonar uma denominação de origem histórica revela um dilema cada vez mais presente nas organizações: como preservar princípios e identidade em um mundo que exige adaptação constante?

SOMPO Holdings: da crise provocada por si mesma a uma transformação guiada por propósito

Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Por que lavar as mãos ainda é uma das maiores armas da medicina?

Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo