Carreira
3 min de leitura

Uma carta (de gestão e carreira) ao Papai Noel

HSM Management faz cinco pedidos natalinos em nome dos gestores das empresas brasileiras, considerando o que é essencial e o que é tendência
Diretora Editorial e cofundadora da HSM Management
Diretora-editorial na Qura Editora

Compartilhar:

O que um portal dedicado à gestão de empresas pode escrever na véspera do Natal? Eu poderia falar sobre consumo, o que interessa às pessoas jurídicas, mas essa é a parte menos natalina do Natal, como as pessoas físicas bem sabem. Natal é, mesmo para os não religiosos, sobre sentimentos de juntar pessoas, dar presentes, ter esperança e fé em segundas chances. Essas coisas, sim, conversam o mundo da gestão e das carreiras de uma maneira natalina, porque conversam com dois temas que HSM trabalhou muito em 2025: essência e tendência.

A essência dos negócios tem tudo a ver com colaboração e com ser generoso com outros (juntar pessoas e dar presentes é isso, não?). E qualquer que seja a tendência, de um futuro melhor ou de uma pivotagem, ela terá a ver com esperança e servirá a segundas chances. Pensando assim, resolvi escreve uma cartinha ao Papai Noel sobre essência e tendência na gestão, e espero que não pareça cafona. Seria algo mais ou menos assim:

Querido Santa Claus,

Tomo a liberdade de te chamar pelo nome em inglês, porque as empresas brasileiras usam muitos termos em inglês e é do universo delas que vou falar. Peço desculpas por tanto tempo sem dar notícias, mas não queria sobrecarrega-lo com pedidos quando minha vida é boa no cômputo geral – e você já tem pedidos demais para atender. Mas, este ano, resolvi pedir pelo coletivo das pessoas que trabalham nessas empresas, com as quais convivo, refletindo o que elas têm me dito e mostrado. Como estou pedindo presentes para cerca de 5 milhões de pessoas que trabalham para empresas grandes e pequenas (dos empregos formais do Brasil, medidos por RAIS/CAGED em 2024, estima-se que cargos de gestão sejam até 11%), tomo a liberdade de fazer cinco pedidos, como se fosse um para cada milhão de pessoas. É razoável, certo?

A lista de pedidos é simples:

  1. Não ficar desempregado.
  2. Não ter de trabalhar fazendo algo que odeia ou sob as ordens de um chefe odioso.
  3. Fazer coisas que deem orgulho, não vergonha.
  4. Conseguir ter sucesso profissional sendo autêntico, reconhecido e sem precisar destruir relacionamentos (profissionais e pessoais) e a saúde.
  5. Atuar em um contexto Brasil que seja melhor em termos econômicos, políticos e socioambientais.


É pedir demais?

Se os pedidos #1 e #2 não forem passíveis de ser atendidos, seja pela inteligência artificial ou outro pedido qualquer, peço que as pessoas possam se tornar mais influentes e, assim, encontrar outra maneira de ter ganha-pão e manter a dignidade. Não falo de terem um milhão de seguidores cada. Falo do conceito de Zoe Chance, autora do livro Influence is Your Superpower, segundo a qual há dois tipos principais de influência – a transacional e a interpessoal –, mas eu peço só a interpessoal, porque os empregos que dependem desse tipo de influência são sempre melhores e mais bem remunerados.

Sei que uma parte dessa influência depende de ações das pessoas mesmo, como parar de usar redutores querendo ser simpáticas (redutores são frases como ‘Eu só estava pensando…’, ‘Achei que talvez…’ ou ‘Posso estar errado, mas…’), dizer não com mais frequência, saber fazer um bom framing das coisas (as palavras que a gente para descrever algo têm um efeito quase mágico no mundo), ser gentil, e mostrar respeito ao conhecimento. E que as pessoas finalmente entendam que ser mandão é o contrário de ser influente. Mas, se as pessoas se ajudarem, será que você também pode lhes dar uma ajuda extra?

É claro que meus pedidos #3 e #4 têm a ver com as ações que o californiano Institute For The Future, aquele think tank pioneiro no estudo de futuros, sugere que tomemos:

(1) definir quais as escolhas que faremos no futuro que começa amanhã e vai até daqui a seis meses,

(2) definir o que podemos fazer nos próximos seis meses a dois anos, e

(3) definir o que faremos nos próximos dez anos.

 Mas ainda assim as pessoas têm muita dificuldade de pivotar suas carreiras. Elas têm dificuldade até de identificar o momento de pivotar, embora na newsletter THE UPDATE já tenha listado os seis momentos de fazer isso:

  • Você está sempre correndo atrás em suas atividades e na carreira, sempre na urgência de tudo.
  • Você tem muita concorrência.
  • Figurativamente você atingiu um platô, como este da foto: um estado de progresso lento ou sem progresso alguma. Tédio e desmotivação são alguns sintomas disso. (Importante: o crescimento não é só salarial ou de posição hierárquica. Há crescimento em aprendizados, relações, prazer pessoal, reputação etc. Tudo isso deve ser considerado antes de você ter certeza de que estacionou.)
  • Há desequilíbrio na sua rotina; existe uma coisa que você faz muito bem, mas manda mal em todas as outras.
  • Seu mercado (empregadores) não responde muito a você. E aí você não consegue melhorar a qualidade de vida nem guardar dinheiro.
  • Seu ponto de vista sobre carreira e vida simplesmente mudou: você quer ter outras metas, outra visão etc.


Também no THE UPDATE trouxemos inspirações de pivotagem de carreira em um paralelo com a pivotagem das startups – seus gestores conseguem pivotar tendo consciência de risco-recompensa, olhando para dentro e para fora (ouvindo outras pessoas), planejando (NUNCA se deve deixar isso ao acaso), sendo metódicos e sendo sinceros/confiáveis, consigo mesmos e com os outros. Alguns leitores seguiram essas boas práticas, e até me escreveram contando, mas muita gente ainda está na luta. Ajude essas pessoas a ter coragem de mudar, Papai Noel, por favor!

Sobre meu pedido #5, por fim, eu sei que temos diversos cenários – em geral, variações dos quatro do futurista Jim Dator:

(1)  Retomada do crescimento mundial. Esse é o cenário favorito de políticos, bancos centrais e empresários em toda parte. Nele, a Grande Aceleração parece não ter fim.

(2) Colapso do sistema atual. Embora não signifique necessariamente sermos condenados à extinção, nos coloca em um estágio “inferior” de desenvolvimento, que pode até ser positivo, como inaugurar uma vida bem mais simples ou um retorno a valores menos materialistas.

(3) Vida mais disciplinada. Pode ser um contexto de controles distópicos e autoritários – digamos, 1984, de George Orwell, ou The Handmaid’s Tale, de Margaret Atwood, um futuro guiado por valores espirituais, naturais, culturais etc.

(4) Transformação radical. Começamos a adquirir uma nova forma ‘pós-humana’, seja ao nos misturarmos com máquinas ou ao vivermos em uma Terra inteiramente artificial.

Então, meu pedido #5 é mais singelo: seja qual for o cenário que prevaleça, você pode dar um empurrãozinho para que ele inclua o máximo de elementos positivos dos quatro cenários?

Papai Noel, agradeço desde já por toda a sua gentileza. You rock!

E agora, me dirigindo aos nossos leitores, que tenham um lindo Natal, com um Papai Noel super generoso!

Compartilhar:

Diretora Editorial e cofundadora da HSM Management

Artigos relacionados

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo