Carreira
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Uma carta (de gestão e carreira) ao Papai Noel

HSM Management faz cinco pedidos natalinos em nome dos gestores das empresas brasileiras, considerando o que é essencial e o que é tendência
Diretora Editorial e cofundadora da HSM Management
Diretora-editorial na Qura Editora

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O que um portal dedicado à gestão de empresas pode escrever na véspera do Natal? Eu poderia falar sobre consumo, o que interessa às pessoas jurídicas, mas essa é a parte menos natalina do Natal, como as pessoas físicas bem sabem. Natal é, mesmo para os não religiosos, sobre sentimentos de juntar pessoas, dar presentes, ter esperança e fé em segundas chances. Essas coisas, sim, conversam o mundo da gestão e das carreiras de uma maneira natalina, porque conversam com dois temas que HSM trabalhou muito em 2025: essência e tendência.

A essência dos negócios tem tudo a ver com colaboração e com ser generoso com outros (juntar pessoas e dar presentes é isso, não?). E qualquer que seja a tendência, de um futuro melhor ou de uma pivotagem, ela terá a ver com esperança e servirá a segundas chances. Pensando assim, resolvi escreve uma cartinha ao Papai Noel sobre essência e tendência na gestão, e espero que não pareça cafona. Seria algo mais ou menos assim:

Querido Santa Claus,

Tomo a liberdade de te chamar pelo nome em inglês, porque as empresas brasileiras usam muitos termos em inglês e é do universo delas que vou falar. Peço desculpas por tanto tempo sem dar notícias, mas não queria sobrecarrega-lo com pedidos quando minha vida é boa no cômputo geral – e você já tem pedidos demais para atender. Mas, este ano, resolvi pedir pelo coletivo das pessoas que trabalham nessas empresas, com as quais convivo, refletindo o que elas têm me dito e mostrado. Como estou pedindo presentes para cerca de 5 milhões de pessoas que trabalham para empresas grandes e pequenas (dos empregos formais do Brasil, medidos por RAIS/CAGED em 2024, estima-se que cargos de gestão sejam até 11%), tomo a liberdade de fazer cinco pedidos, como se fosse um para cada milhão de pessoas. É razoável, certo?

A lista de pedidos é simples:

  1. Não ficar desempregado.
  2. Não ter de trabalhar fazendo algo que odeia ou sob as ordens de um chefe odioso.
  3. Fazer coisas que deem orgulho, não vergonha.
  4. Conseguir ter sucesso profissional sendo autêntico, reconhecido e sem precisar destruir relacionamentos (profissionais e pessoais) e a saúde.
  5. Atuar em um contexto Brasil que seja melhor em termos econômicos, políticos e socioambientais.


É pedir demais?

Se os pedidos #1 e #2 não forem passíveis de ser atendidos, seja pela inteligência artificial ou outro pedido qualquer, peço que as pessoas possam se tornar mais influentes e, assim, encontrar outra maneira de ter ganha-pão e manter a dignidade. Não falo de terem um milhão de seguidores cada. Falo do conceito de Zoe Chance, autora do livro Influence is Your Superpower, segundo a qual há dois tipos principais de influência – a transacional e a interpessoal –, mas eu peço só a interpessoal, porque os empregos que dependem desse tipo de influência são sempre melhores e mais bem remunerados.

Sei que uma parte dessa influência depende de ações das pessoas mesmo, como parar de usar redutores querendo ser simpáticas (redutores são frases como ‘Eu só estava pensando…’, ‘Achei que talvez…’ ou ‘Posso estar errado, mas…’), dizer não com mais frequência, saber fazer um bom framing das coisas (as palavras que a gente para descrever algo têm um efeito quase mágico no mundo), ser gentil, e mostrar respeito ao conhecimento. E que as pessoas finalmente entendam que ser mandão é o contrário de ser influente. Mas, se as pessoas se ajudarem, será que você também pode lhes dar uma ajuda extra?

É claro que meus pedidos #3 e #4 têm a ver com as ações que o californiano Institute For The Future, aquele think tank pioneiro no estudo de futuros, sugere que tomemos:

(1) definir quais as escolhas que faremos no futuro que começa amanhã e vai até daqui a seis meses,

(2) definir o que podemos fazer nos próximos seis meses a dois anos, e

(3) definir o que faremos nos próximos dez anos.

 Mas ainda assim as pessoas têm muita dificuldade de pivotar suas carreiras. Elas têm dificuldade até de identificar o momento de pivotar, embora na newsletter THE UPDATE já tenha listado os seis momentos de fazer isso:

  • Você está sempre correndo atrás em suas atividades e na carreira, sempre na urgência de tudo.
  • Você tem muita concorrência.
  • Figurativamente você atingiu um platô, como este da foto: um estado de progresso lento ou sem progresso alguma. Tédio e desmotivação são alguns sintomas disso. (Importante: o crescimento não é só salarial ou de posição hierárquica. Há crescimento em aprendizados, relações, prazer pessoal, reputação etc. Tudo isso deve ser considerado antes de você ter certeza de que estacionou.)
  • Há desequilíbrio na sua rotina; existe uma coisa que você faz muito bem, mas manda mal em todas as outras.
  • Seu mercado (empregadores) não responde muito a você. E aí você não consegue melhorar a qualidade de vida nem guardar dinheiro.
  • Seu ponto de vista sobre carreira e vida simplesmente mudou: você quer ter outras metas, outra visão etc.


Também no THE UPDATE trouxemos inspirações de pivotagem de carreira em um paralelo com a pivotagem das startups – seus gestores conseguem pivotar tendo consciência de risco-recompensa, olhando para dentro e para fora (ouvindo outras pessoas), planejando (NUNCA se deve deixar isso ao acaso), sendo metódicos e sendo sinceros/confiáveis, consigo mesmos e com os outros. Alguns leitores seguiram essas boas práticas, e até me escreveram contando, mas muita gente ainda está na luta. Ajude essas pessoas a ter coragem de mudar, Papai Noel, por favor!

Sobre meu pedido #5, por fim, eu sei que temos diversos cenários – em geral, variações dos quatro do futurista Jim Dator:

(1)  Retomada do crescimento mundial. Esse é o cenário favorito de políticos, bancos centrais e empresários em toda parte. Nele, a Grande Aceleração parece não ter fim.

(2) Colapso do sistema atual. Embora não signifique necessariamente sermos condenados à extinção, nos coloca em um estágio “inferior” de desenvolvimento, que pode até ser positivo, como inaugurar uma vida bem mais simples ou um retorno a valores menos materialistas.

(3) Vida mais disciplinada. Pode ser um contexto de controles distópicos e autoritários – digamos, 1984, de George Orwell, ou The Handmaid’s Tale, de Margaret Atwood, um futuro guiado por valores espirituais, naturais, culturais etc.

(4) Transformação radical. Começamos a adquirir uma nova forma ‘pós-humana’, seja ao nos misturarmos com máquinas ou ao vivermos em uma Terra inteiramente artificial.

Então, meu pedido #5 é mais singelo: seja qual for o cenário que prevaleça, você pode dar um empurrãozinho para que ele inclua o máximo de elementos positivos dos quatro cenários?

Papai Noel, agradeço desde já por toda a sua gentileza. You rock!

E agora, me dirigindo aos nossos leitores, que tenham um lindo Natal, com um Papai Noel super generoso!

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Diretora Editorial e cofundadora da HSM Management

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