Uncategorized

Use blocos para estrategizar

Com uma metodologia similar ao canvas de modelo de negócio, mas baseada em blocos, consultoria brasileira apoia empresas no desenvolvimento de estratégias de longo prazo

Compartilhar:

No mundo inteiro, as empresas vivem uma situação de hipercompetição. É como uma simulação de guerra, em que a origem grega da palavra estratégia, _strategos,_ ou “arte de general”, precisa ser levada ao pé da letra.

Com isso, surgem novas formas concorrenciais cada vez mais inovadoras, porque, diante da defesa intransigente das posições dominantes conquistadas por algumas organizações, novos entrantes são forçados a usar a imaginação para modifi car as regras de jogo existentes.

Segundo o livro SBB – Strategic Building Blocks, recém-lançado pela  Inova Consulting, “a formulação estratégica de uma organização se apoia tradicionalmente em dois pressupostos: uma visão ambiciosa e de longo prazo  e o desenvolvimento de uma carteira de competências centrais”. Na hipercompetição, essa organização ainda precisa repensar e questionar regularmente suas atividades,  suas estruturas e  seus sistemas, para que possa evoluir permanentemente. Estratégia não é mais a perseguição linear de um objetivo de longo prazo, como foi por muito tempo. 

Para garantir essa evolução estratégica permanente, a consultoria de inovação criou um modelo esquemático que lembra o canvas de modelo de negócio desenvolvido por Alex Osterwalder e sua equipe. Batizado de SBB, este é constituído de três blocos principais que, por sua vez, são divididos em blocos menores. 

Os blocos ajudam as empresas a enfrentar melhor os cinco principais aspectos da hipercompetição, a saber:

• a relação custo/qualidade,

• o tempo, • o saber fazer,

• as barreiras à entrada  de outros e

• a capacidade financeira.

O MODELO SBB

Em seus três blocos, a metodologia SBB aborda a visão dos dois momentos principais do pensamento estratégico – formulação e execução. O modelo serve de antídoto, inclusive, para os pontos delicados desses três casos:

• Visão. “As visões não caem do céu e não podem ser adquiridas em uma loja”, avisa a Inova Consulting. Dá trabalho desenvolvê-las. Mas é definindo visões que uma organização aprende e se torna perene no tempo.

• Formulação. Pressupõe uma adaptação ao meio em torno da empresa que lhe permita tanto adquirir uma posição dominante como defender seguidamente essa posição.

• Execução. É nesse momento que aparecem mais problemas e muitos estão relacionados ao fraco engajamento das pessoas.

**BLOCO A -> VISÃO**

Aqui deve ficar claro o futuro que atuará como driver de mudança e alinhamento estratégico da organização. Os elementos para isso são:

1. Visão prospectiva (STEEPH): Para adotar uma postura prospectiva e benefi ciar-se verdadeiramente de suas vantagens, as empresas e seus profi ssionais devem levar em consideração as seguintes questões:

1. Acreditamos que os clientes que servimos hoje são os que serviremos em 5 ou 10 anos?

2. Os canais que utilizamos hoje para chegar aos nossos clientes sobreviverão sem alterações de fundo nos próximos anos?

3. Nossos concorrentes de hoje serão os mesmos no futuro? Que concorrentes estão      ganhando nosso negócio sem que percebamos?

4. Qual a nossa vantagem competitiva atual? Qual será nossa vantagem competitiva     em 5 anos? Em 10 anos?

5. Quais serão as condições econômicas de médio e longo prazo? Como isso afetará nosso negócio?

6. Nossa oferta é competitiva? É única e relevante? Surgirão substitutos? Quais?

7. Onde estão as nossas margens hoje? E onde estarão no futuro?

8. As competências técnicas, comportamentais e gerenciais de nossos    profissionais serão as mesmas daqui a 10 anos? Como atualizá-los?

9. Controlamos nosso negócio ou ele depende de terceiros? No futuro as premissas serão as mesmas?

10. O que nos define hoje como empresa frente aos vários agentes de mercado e relação? Como seremos definidos em alguns anos?

11. O que vai mudar e o que vai ficar inalterado?

12. Das mudanças que se aproximam quais as que podemos aproveitar para nosso sucesso? E quais devemos classificar como potenciais ameaças?

Esse exercício deve levar a predições em relação a  seis campos, reunidos no acrônimo STEEPH: social, tecnológico, econômico, ecológico, político e humano. O ideal é que sejam construídos ao menos dois cenários para cada um desses campos. Os gestores podem trabalhar com uma linha do tempo, com períodos temporais de cinco anos cada (2020-2025, 2025-2030, 2030-2035 e assim por diante) para cada variável STEEPH.Outro elemento do bloco da carta visão são as tendências, que podem ser mapeadas para identificar oportunidades e estruturar as apostas futuras da empresa. Seu preenchimento e atualização constantes são fundamentais, como avisa a Inova Consulting.

Ainda há mais dois elementos neste bloco: Visão | Missão | Valores e Propósito Transformador Massivo. A defi nição (ou revisão) de visão, missão e valores assume particular importância no processo de planejamento do SBB, por estes três elementos traduzirem o que a empresa verdadeiramente crê ser o seu DNA e por servirem de base para o PTM, que originalmente a Inova Consulting chamou de Propósito Máximo de Transformação (PMT).

Para o PTM, o livro toma emprestada uma defi nição de Joey Reiman:  “força que possui capacidade para infl uenciar o modelo de negócio, fazendo com que a organização não atenda mais somente aos próprios interesses mas também aos interesses da humanidade”. Para a identifi cação do propósito, o enfoque deve ser na origem da empresa – como ela surgiu e com que princípios e intenções. O canvas de Osterwalder para desenvolver a proposta de valor pode ajudar muito nessa etapa, como lembra a Inova Consulting.

Assim, o bloco da carta visão agrupa e consolida as primeiras propostas de atuação estratégica, cruzando a prospecção do futuro com o PTM para chegar a uma relação de apostas estratégicas concretas para a empresa.

**BLOCO B -> FORMULAÇÃO**

Em operações, a matriz deve responder, em relação a cada aposta estratégica:

• Que sistema(s) utilizar.

• Como se processa a integração com as unidades de negócios.

• Qual a estrutura de back-office necessária.

• Quais os entregáveis esperados.

• O que muda.

• O que se mantém.

• O que se elimina.

• Qual a relevância crítica para os projetos.

Para pessoas, a matriz deve levar em conta, em relação à aposta estratégica:

• De quem precisamos na estrutura.

• Quem lidera os projetos.

• Quais ferramentas utilizaremos.

• Como dar feedback regular.

• Qual a lógica de gestão de pessoas.

• Qual a política de mudança de cargos e funções.

• Qual a alocação de recursos – tempo e dinheiro.

• Quais os parceiros a captar

Por fim, na área financeira, que decide desde o orçamento e o fluxo de caixa estimado até os reports hierárquicos de compliance, a matriz de decisões financeiras deve considerar:

• Construção das peças financeiras.

• Entregáveis.

• Sistemas utilizados.

• Integração da informação das unidades de negócios.

• Tempo de resposta e aprovação.

• Regras contábeis.

• Garantias reais por projeto.

• Estrutura de auditoria e controle.

**BLOCO C -> EXECUÇÃO**

A passagem da estratégia à ação implica um conjunto de decisões operacionais e práticas no campo.

Os planos de ação consideram quatro áreas funcionais das empresas: marketing e vendas, operações, pessoas, financeiro. Para cada área deve ser definido o time de trabalho que vai se dedicar a implementar a estratégia definida (com funções e objetivos),  os recursos necessários (internos e externos), a delimitação territorial, o cronograma de atuação, a produção de conhecimento e a identificação de ameaças e oportunidades.

E os impactos temporais das ações devem ser considerados:

Curto prazo – 6 a 12 meses.

Médio prazo – 12 a 24 meses.

Longo prazo – 24 a 48 meses.

No elemento “análise e acompanhamento”, o primeiro passo é determinar as métricas de desempenho, para que a empresa entenda facilmente como caminha a estratégia.  Como se lê no livro, “se, por exemplo, o CAC (custo de aquisição do cliente) está alto em determinada área, os gestores sabem que devem olhar melhor para os processos dentro das áreas de marketing e vendas. Já se a retenção está baixa, deve-se observar as etapas de atendimento ao cliente.

As métricas devem ser separadas em níveis: tem de haver metas mais gerais e estratégicas, para o negócio como um todo, e metas mais específicas, que digam respeito a uma determinada área ou detalhe operacional, como caixa, produtividade, gestão de pessoas e marketing e vendas. Exemplos de métricas gerais são taxa de churn, fluxo de caixa e MRR (receita mensal recorrente, na sigla em inglês). Exemplos de métricas específicas, da área de marketing e vendas, são custo por lead, taxas de conversão e custo de aquisição de cliente.

Os KPIs (indicadores-chave de desempenho, na sigla em inglês) nada mais são dos que as métricas mais importantes para sua empresa.

Um aviso: esse é um tema bastante amplo, quando se considera a complexidade de variáveis possíveis de analisar, mas de elevada importância no sucesso da implementação da estratégia.

**SEGREDOS DO SUCESSO**

**1.** Para a utilização correta e com sucesso do SBB, a Inova Consulting faz uma série de sugestões aos gestores:

**2.** Garantir o comprometimento da alta liderança, não apenas com o processo de construção dos  blocos como também, e talvez principalmente, com sua disseminação e implementação na empresa.

**3.** Desenvolver a construção dos blocos de forma colaborativa com o “C Level” da organização em sessões de trabalho conjuntas de exposição, trabalho em grupos, apresentação, debate e consolidação, em grupos de, no máximo, 20 pessoas.

**4.** Dedicar uma média de 48 a 72 horas de trabalho (que dependendo do estágio do planejamento estratégico da empresa pode aumentar ou diminuir) da equipe responsável pelo SBB, que deve ser construído no máximo em três meses de trabalho (seis a nove sessões de 8 horas de trabalho cada, com intervalos de uma semana entre cada sessão).

**5.** Assegurar a disseminação corporativa e a implementação das apostas definidas e acordadas, quando da construção do SBB, logo após sua aprovação final.

**6.** Garantir a revisão dos pressupostos do SBB anualmente para efetuar os ajustes necessários à estratégia.

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/17f694a6-680f-4c9e-8081-52595db26729.png)

Compartilhar:

Artigos relacionados

Por que equipes entendem a estratégia e ainda assim não executam?

Muitas organizações possuem metas claras, planejamento estruturado e prioridades bem definidas, mas continuam enfrentando dificuldades para transformar estratégia em resultado. O problema raramente está na falta de entendimento. Está na capacidade de mobilizar pessoas, construir segurança psicológica e criar uma cultura em que colaboradores se sintam parte da solução, e não apenas destinatários das decisões.

Geopolítica da transição: o país precisa transformar potencial em influência

A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos – energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva – que pode transformar sua posição internacional.

Três hipóteses para redesenhar o primeiro degrau da carreira

A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

O mito da prioridade “pra ontem” (e como não enlouquecer sua equipe)

A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Quando o BIM vira uma ilha: a lição do New York Times para a engenharia

Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Inovação & estratégia, Bem-estar & saúde, Marketing & growth
22 de agosto de 2026 07H00
Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Mayara Marcon - Head de Marketing na Lightsweet

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
21 de agosto de 2026 18H00
Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de agosto de 2026 14H00
À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

8 minutos min de leitura
Cultura organizacional
20 de agosto de 2026 18H00
Há um problema crescente nas organizações que não aparece nos dashboards nem nos relatórios: a desconexão humana. Ela se manifesta em relações fragilizadas, conversas evitadas e culturas que existem no discurso, mas encontram dificuldade para ganhar vida no cotidiano.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
20 de agosto de 2026 14H00
Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Frederico Turolla - Sócio Fundador da Pezco Economics, Presidente do PSP Hub e Coordenador do Comitê de Economia e Infraestrutura da SWISSCAM - Câmara de Comércio Suíço Brasileira.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de agosto de 2026 14H00
Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Alan Schulte - Vice-presidente de Vendas para Startups e PMEs da Zendesk na América Latina.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução