Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
4 minutos min de leitura

Vida em movimento: Sua carreira não é uma escada – e isso muda tudo

A liderança não cabe mais em rótulos e quem ainda pensa assim pode estar ficando para trás. Este artigo mostra como a valorização de perfis não lineares e a capacidade de integrar múltiplas experiências redefinem o conceito de talento nas organizações.
Palestrante, TEDx Talker, consultora corporativa com mais de 20 anos de atuação e cerca de 650 eventos realizados, impactando 58 mil pessoas. Ao longo desse período, conduziu mais de 300 workshops em grandes empresas, consolidando expertise sólida em temas de alta demanda corporativa. Suas áreas de maior atuação em palestras e workshops são Gestão do Tempo, Produtividade, Cultura Organizacional, Planejamento Estratégico, Protagonismo, Intergeracionalidade, Design Thinking, Inovação, Liderança Inovadora e Ambidestra. Mestre em Gestão do Conhecimento e professora da ESPM e HSM Academy, é autora do livro Liderança para Inovação e co-autora de Jornada Ágil e Business Model You. Reconhecida como Personalidade do Ano em RH (ABTD-PR, 2021) e Top of Mind HSM Academy (2021 e 2022), combina visão estratégica, método

Compartilhar:

Fomos ensinados a acreditar que uma carreira de sucesso era construída como uma escada. Um degrau após o outro. Primeiro emprego, promoção, especialização, cargo de liderança e, ao final, a tão sonhada estabilidade. Era um modelo previsível, linear e relativamente confortável para organizações e profissionais.

Recentemente participei de um evento com consultores organizacionais e fomos convidados a nos apresentar. Enquanto ouvia cada pessoa destacar sua especialidade, formação ou área de atuação, me vi refletindo sobre uma pergunta simples: afinal, o que eu sou depois de tantos anos de profissão? A resposta não veio em forma de cargo ou título. Veio na lembrança de um chef que busca constantemente reinventar seu cardápio para conquistar uma Estrela Michelin. Assim também tem sido minha trajetória. Ao longo dos anos, acumulei experiências, conhecimentos e aprendizados tão diversos que já não me reconheço em uma única definição profissional.

Talvez o maior equívoco das organizações seja acreditar que pessoas podem ser resumidas ao último MBA cursado, à especialização mais recente ou ao cargo que ocupam no LinkedIn. A vida profissional é muito mais complexa do que isso.

Vivemos uma era em que as carreiras deixaram de ser lineares para se tornarem espirais. São trajetórias marcadas por movimentos, transições, recomeços e conexões entre diferentes áreas do conhecimento. Não se trata de falta de foco, mas de ampliação de repertório. Não é sobre mudar por mudar, mas sobre integrar experiências que permitem enxergar o mundo sob múltiplas perspectivas.

A jornalista que se torna estrategista digital. O engenheiro que passa a liderar projetos de diversidade. A executiva que empreende por alguns anos e retorna ao mercado corporativo com uma visão mais ampla do negócio. A empresária que decide voltar ao regime CLT em busca de novos desafios. Todas essas histórias revelam algo em comum: a disposição para aprender continuamente e construir uma visão mais sistêmica da realidade.

Essa mudança tem implicações profundas para as empresas. Durante décadas, o mercado valorizou especialistas capazes de aprofundar conhecimentos em áreas específicas. Eles continuam sendo importantes. Mas, diante da crescente complexidade dos negócios, tornou-se igualmente essencial contar com profissionais capazes de conectar diferentes perspectivas, traduzir contextos e construir pontes entre áreas.

Quem percorre uma carreira em espiral desenvolve uma competência cada vez mais rara: o pensamento integrativo. São pessoas que conseguem compreender simultaneamente o impacto financeiro, humano, operacional e estratégico de uma decisão. Elas enxergam relações em que outros veem apenas departamentos isolados. Conseguem navegar com mais naturalidade em ambientes ambíguos e imprevisíveis.

O problema é que muitos processos de recrutamento e gestão de talentos ainda operam sob uma lógica ultrapassada. Currículos não lineares frequentemente são vistos com desconfiança. Mudanças de área são interpretadas como falta de consistência. Experiências diversas são confundidas com dispersão.

Essa visão pode custar caro. Em um mundo marcado pela volatilidade, pela ansiedade e pela não linearidade, características típicas do contexto BANI, profissionais adaptáveis tendem a ser mais preparados para lidar com cenários complexos do que aqueles que construíram toda a sua trajetória dentro de uma única caixa.

O desafio para as lideranças e para as áreas de Gente e Gestão é abandonar modelos rígidos de avaliação e reconhecer o valor da diversidade de experiências. Mais importante do que perguntar onde alguém trabalhou é compreender o que aprendeu, como se transformou e quais perspectivas desenvolveu ao longo da jornada.

Também é necessário criar ambientes que favoreçam o protagonismo. Profissionais com trajetórias diversas dificilmente prosperam em estruturas excessivamente engessadas. Eles precisam de autonomia, espaço para contribuir, liberdade para conectar ideias e oportunidades para gerar impacto.

O futuro da liderança será ocupado por pessoas que aprenderam a transitar entre diferentes mundos. Líderes capazes de combinar conhecimento técnico com sensibilidade humana, visão estratégica com capacidade de execução e experiência com curiosidade permanente.

Talvez esteja na hora de substituir as caixas pelas janelas. Em vez de tentar enquadrar talentos em definições estreitas, precisamos ampliar nossa capacidade de enxergar o potencial que existe nas trajetórias não convencionais.

Porque, no final das contas, talento não é apenas aquilo que alguém já realizou. É, sobretudo, sua capacidade em criar caminhos onde antes não existiam possibilidades.

Compartilhar:

Palestrante, TEDx Talker, consultora corporativa com mais de 20 anos de atuação e cerca de 650 eventos realizados, impactando 58 mil pessoas. Ao longo desse período, conduziu mais de 300 workshops em grandes empresas, consolidando expertise sólida em temas de alta demanda corporativa. Suas áreas de maior atuação em palestras e workshops são Gestão do Tempo, Produtividade, Cultura Organizacional, Planejamento Estratégico, Protagonismo, Intergeracionalidade, Design Thinking, Inovação, Liderança Inovadora e Ambidestra. Mestre em Gestão do Conhecimento e professora da ESPM e HSM Academy, é autora do livro Liderança para Inovação e co-autora de Jornada Ágil e Business Model You. Reconhecida como Personalidade do Ano em RH (ABTD-PR, 2021) e Top of Mind HSM Academy (2021 e 2022), combina visão estratégica, método

Artigos relacionados

Segurança cibernética: o orçamento está protegendo os riscos certos?

O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

O Brasil tem muitos fundos ou muito risco? O que os números realmente mostram

O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

O que o espírito do tempo está tentando nos dizer? Afeto, autonomia e o desafio de construir o futuro

A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
2 de novembro de 2026 08H00
O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

Ricardo Moraes - Sócio-líder de segurança cibernética e Daniel Pacheco - Sócio-líder de consultoria em tecnologia da KPMG no Brasil

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
1º de novembro de 2026 15H00
O mercado de saúde vive um novo ciclo de fusões e aquisições impulsionado pela busca por capacidades estratégicas já consolidadas. O texto mostra como infraestrutura, conhecimento regulatório, tecnologia e acesso a clientes estão se tornando ativos cada vez mais valiosos para empresas que precisam acelerar sua expansão.

Sergio Luconi - Sócio-diretor da Zaxo M&A Partners

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
1º de novembro de 2026 08H00
O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

José Roberto Meirelles - Sócio da área de mercado de capitais e fundos de investimento do Silveiro Advogados

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Liderança
31 de outubro de 2026 15H00
A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

André Naves - Defensor Público Regional de Direitos Humanos em SP, Comendador Cultural, Escritor e Professor

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
31 de outubro de 2026 08H00
Conselhos, mentorias, projetos estratégicos, participações societárias e posições temporárias estão redesenhando o papel dos executivos mais experientes.

Renata Fabrini - Sócia-fundadora da Plongê

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de outubro de 2026 15H00
O artigo reflete sobre os riscos das chamadas “câmaras de eco algorítmicas” e sobre o papel da IA na construção de decisões mais robustas e menos complacentes.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA do Brasil

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
30 de outubro de 2026 08H00
Ferramentas generativas estão acelerando a produção de conteúdo nas áreas de comunicação e relações públicas. O desafio é que rapidez não substitui contexto, discernimento nem responsabilidade.

Ana Paula Soares - Diretora-fundadora da Encaso Comunicação

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
29 de outubro de 2026 15H00
Pesquisas recentes indicam que o envelhecimento biológico pode ser medido, acompanhado e, em determinadas dimensões, influenciado. A partir dessa nova compreensão, cresce o interesse por abordagens capazes de identificar riscos precocemente e promover trajetórias de saúde mais duradouras ao longo da vida.

Natalia Gonçalves - Superintendente Pesquisa & Desenvolvimento e Diretora Instituto de Ensino e Pesquisa (IEPD) da Dasa

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
29 de outubro de 2026 08H00
A evolução da manutenção preditiva está levando a inteligência artificial para além da detecção de falhas. Sistemas multiagentes especializados começam a atuar como apoio para diferentes perfis profissionais, conectando análises técnicas, indicadores operacionais e recomendações de ação em um único fluxo de trabalho. O resultado é uma tomada de decisão mais rápida, contextualizada e alinhada às necessidades da operação.

Bernardo Murta - Principal Engineer da Dynamox

3 minutos min de leitura
Estratégia
28 de outubro de 2026 15H00
Quando compreendemos que nossas decisões impactam pessoas que ainda nem nasceram, o futuro deixa de ser uma ideia abstrata e passa a exigir compromisso concreto. A partir de uma visão inspirada nos saberes indígenas e na interdependência entre pessoas, comunidades e natureza, o texto defende a construção de respostas coletivas para problemas que exigem uma compreensão mais ampla e integrada da realidade.

Alexandre Farias Benjamim, - Sociólogo e membro do Conselho Fiscal da Sustentalli

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução