Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
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Vida em movimento: Sua carreira não é uma escada – e isso muda tudo

A liderança não cabe mais em rótulos e quem ainda pensa assim pode estar ficando para trás. Este artigo mostra como a valorização de perfis não lineares e a capacidade de integrar múltiplas experiências redefinem o conceito de talento nas organizações.
Palestrante, TEDx Talker, consultora corporativa com mais de 20 anos de atuação e cerca de 650 eventos realizados, impactando 58 mil pessoas. Ao longo desse período, conduziu mais de 300 workshops em grandes empresas, consolidando expertise sólida em temas de alta demanda corporativa. Suas áreas de maior atuação em palestras e workshops são Gestão do Tempo, Produtividade, Cultura Organizacional, Planejamento Estratégico, Protagonismo, Intergeracionalidade, Design Thinking, Inovação, Liderança Inovadora e Ambidestra. Mestre em Gestão do Conhecimento e professora da ESPM e HSM Academy, é autora do livro Liderança para Inovação e co-autora de Jornada Ágil e Business Model You. Reconhecida como Personalidade do Ano em RH (ABTD-PR, 2021) e Top of Mind HSM Academy (2021 e 2022), combina visão estratégica, método

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Fomos ensinados a acreditar que uma carreira de sucesso era construída como uma escada. Um degrau após o outro. Primeiro emprego, promoção, especialização, cargo de liderança e, ao final, a tão sonhada estabilidade. Era um modelo previsível, linear e relativamente confortável para organizações e profissionais.

Recentemente participei de um evento com consultores organizacionais e fomos convidados a nos apresentar. Enquanto ouvia cada pessoa destacar sua especialidade, formação ou área de atuação, me vi refletindo sobre uma pergunta simples: afinal, o que eu sou depois de tantos anos de profissão? A resposta não veio em forma de cargo ou título. Veio na lembrança de um chef que busca constantemente reinventar seu cardápio para conquistar uma Estrela Michelin. Assim também tem sido minha trajetória. Ao longo dos anos, acumulei experiências, conhecimentos e aprendizados tão diversos que já não me reconheço em uma única definição profissional.

Talvez o maior equívoco das organizações seja acreditar que pessoas podem ser resumidas ao último MBA cursado, à especialização mais recente ou ao cargo que ocupam no LinkedIn. A vida profissional é muito mais complexa do que isso.

Vivemos uma era em que as carreiras deixaram de ser lineares para se tornarem espirais. São trajetórias marcadas por movimentos, transições, recomeços e conexões entre diferentes áreas do conhecimento. Não se trata de falta de foco, mas de ampliação de repertório. Não é sobre mudar por mudar, mas sobre integrar experiências que permitem enxergar o mundo sob múltiplas perspectivas.

A jornalista que se torna estrategista digital. O engenheiro que passa a liderar projetos de diversidade. A executiva que empreende por alguns anos e retorna ao mercado corporativo com uma visão mais ampla do negócio. A empresária que decide voltar ao regime CLT em busca de novos desafios. Todas essas histórias revelam algo em comum: a disposição para aprender continuamente e construir uma visão mais sistêmica da realidade.

Essa mudança tem implicações profundas para as empresas. Durante décadas, o mercado valorizou especialistas capazes de aprofundar conhecimentos em áreas específicas. Eles continuam sendo importantes. Mas, diante da crescente complexidade dos negócios, tornou-se igualmente essencial contar com profissionais capazes de conectar diferentes perspectivas, traduzir contextos e construir pontes entre áreas.

Quem percorre uma carreira em espiral desenvolve uma competência cada vez mais rara: o pensamento integrativo. São pessoas que conseguem compreender simultaneamente o impacto financeiro, humano, operacional e estratégico de uma decisão. Elas enxergam relações em que outros veem apenas departamentos isolados. Conseguem navegar com mais naturalidade em ambientes ambíguos e imprevisíveis.

O problema é que muitos processos de recrutamento e gestão de talentos ainda operam sob uma lógica ultrapassada. Currículos não lineares frequentemente são vistos com desconfiança. Mudanças de área são interpretadas como falta de consistência. Experiências diversas são confundidas com dispersão.

Essa visão pode custar caro. Em um mundo marcado pela volatilidade, pela ansiedade e pela não linearidade, características típicas do contexto BANI, profissionais adaptáveis tendem a ser mais preparados para lidar com cenários complexos do que aqueles que construíram toda a sua trajetória dentro de uma única caixa.

O desafio para as lideranças e para as áreas de Gente e Gestão é abandonar modelos rígidos de avaliação e reconhecer o valor da diversidade de experiências. Mais importante do que perguntar onde alguém trabalhou é compreender o que aprendeu, como se transformou e quais perspectivas desenvolveu ao longo da jornada.

Também é necessário criar ambientes que favoreçam o protagonismo. Profissionais com trajetórias diversas dificilmente prosperam em estruturas excessivamente engessadas. Eles precisam de autonomia, espaço para contribuir, liberdade para conectar ideias e oportunidades para gerar impacto.

O futuro da liderança será ocupado por pessoas que aprenderam a transitar entre diferentes mundos. Líderes capazes de combinar conhecimento técnico com sensibilidade humana, visão estratégica com capacidade de execução e experiência com curiosidade permanente.

Talvez esteja na hora de substituir as caixas pelas janelas. Em vez de tentar enquadrar talentos em definições estreitas, precisamos ampliar nossa capacidade de enxergar o potencial que existe nas trajetórias não convencionais.

Porque, no final das contas, talento não é apenas aquilo que alguém já realizou. É, sobretudo, sua capacidade em criar caminhos onde antes não existiam possibilidades.

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Palestrante, TEDx Talker, consultora corporativa com mais de 20 anos de atuação e cerca de 650 eventos realizados, impactando 58 mil pessoas. Ao longo desse período, conduziu mais de 300 workshops em grandes empresas, consolidando expertise sólida em temas de alta demanda corporativa. Suas áreas de maior atuação em palestras e workshops são Gestão do Tempo, Produtividade, Cultura Organizacional, Planejamento Estratégico, Protagonismo, Intergeracionalidade, Design Thinking, Inovação, Liderança Inovadora e Ambidestra. Mestre em Gestão do Conhecimento e professora da ESPM e HSM Academy, é autora do livro Liderança para Inovação e co-autora de Jornada Ágil e Business Model You. Reconhecida como Personalidade do Ano em RH (ABTD-PR, 2021) e Top of Mind HSM Academy (2021 e 2022), combina visão estratégica, método

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