Marketing & growth
3 minutos min de leitura

Você acredita mesmo na visão que você vende todo dia?

Diretamente da cobertura do SXSW 2026, este artigo parte de uma provocação de Tom Sachs para tensionar uma pergunta incômoda a líderes e criadores: é possível engajar pessoas, construir mundos e sustentar visões quando nem nós mesmos acreditamos, de verdade, no que comunicamos todos os dias?
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

“Sympathetic magic” é um conceito antropológico segundo o qual acreditar genuinamente em algo é o que faz outras pessoas acreditarem também. A pergunta por trás disso: quanto tempo passamos tentando vender ideias em que nem a gente mesmo acredita?

Quem falou sobre o assunto foi Tom Sachs. Ele é escultor. Trabalhou com a Nike, fez réplicas de Mondrian em fita isolante, criou instalações no Pompidou. Sua palestra no SXSW foi sobre uma forma de viver e sobre o que nos impede de criar mundos em vez de simplesmente gerenciar situações.

Ele falou de várias coisas e a palestra completa já está disponível no YouTube, na página oficial do evento. A seguir, eu recuperei algumas de suas ideias principais.

  • Relação com o fracasso. Sachs lembrou que os melhores times de basquete do mundo ganham uma em cada quatro ou cinco partidas. E ainda assim são os melhores. Uma das estratégias centrais da sua vida foi aprender a conviver com decepção profunda e consistente. Já pensou em fazer as pazes com o fracasso? é o que ele faz. “Só quando você para de gastar energia resistindo à possibilidade de falhar, você tem recurso real para criar”. Quantas culturas organizacionais ainda tratam o erro como sinal de incompetência? Quantos times escondem o que não funcionou para não parecer fraco diante da liderança? O fracasso acontece; a questão é se vamos ter a maturidade de aprender com ele e melhorar a nossa realidade.
  • Output antes de input. Sachs faz algo com as mãos ou com as palavras (escrever, desenhar, tocar em argila…) antes de abrir o celular ou o e-mail ou de “receber” qualquer estímulo externo. Esses minutos entre o sono e a consciência plena são o acesso mais direto ao subconsciente. “Se você entrega esses minutos para a agenda dos outros antes mesmo do café, você nunca saberá o que estava tentando pensar”.
  • Bricolagem. Construir e reparar com os recursos limitados que temos disponíveis. A restrição pode ser o melhor combustível da criatividade. Quando você não tem o orçamento ideal, o time perfeito ou a estrutura sonhada, a pergunta certa é outra: o que posso construir com o que tenho agora?
  • World Building. Criar universos coerentes, com linguagem própria, rituais, símbolos, estética; algo que as pessoas buscam porque fala alto, as convida, as emociona. A partir daí, a pergunta que fica para qualquer líder: que mundo você está construindo? As pessoas ao seu redor reconhecem esse mundo como real? Elas querem existir dentro dele?
  • Autenticidade nos detalhes. A credibilidade é construída no micro. Os detalhes são o que torna uma experiência convincente; a precisão importa mais do que a escala. Para líderes: a coerência entre o discurso e as pequenas escolhas cotidianas é o que constrói ou destrói credibilidade. As pessoas não avaliam sua visão e sim seus detalhes, pois é aí que a consistência aparece.
  • A obsessão como ferramenta de transformação. A obsessão por um objeto se transforma no processo de fazê-lo. A obsessão começa no objeto e, no caminho, vira amor pela criação. Para líderes: o que você quer entregar não importa tanto quanto o processo de fazer. Equipes que desenvolvem obsesão pelo processo, e não apenas pelo resultado, produzem trabalho de outra qualidade.


Por fim, “Sympathetic magic” fala sobre a qualidade da crença que você carrega. Você habita a sua visão ou ainda está tentando convencer a si mesmo?

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

Você acredita mesmo na visão que você vende todo dia?

Diretamente da cobertura do SXSW 2026, este artigo parte de uma provocação de Tom Sachs para tensionar uma pergunta incômoda a líderes e criadores: é possível engajar pessoas, construir mundos e sustentar visões quando nem nós mesmos acreditamos, de verdade, no que comunicamos todos os dias?

Tecnologia & inteligencia artificial
27 de janeiro de 2026
Não é uma previsão do que a IA fará em 2026, mas uma reflexão com mais critério sobre como ela vem sendo usada e interpretada. Sem negar os avanços recentes, discute-se como parte do discurso público se afastou da prática, especialmente no uso de agentes e automações, transformando promessas em certezas e respostas em autoridade.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

0 min de leitura
Lifelong learning
26 de janeiro de 2026
O desenvolvimento profissional não acontece por acaso, mas resulta de aprendizado contínuo e da busca intencional por competências que ampliam seu potencial

Diego Nogare

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
25 de janeiro de 2026
Entre IA agentiva, cibersegurança e novos modelos de negócio, 2026 exige decisões que unem tecnologia, confiança e design organizacional.

Eduardo Peixoto - CEO do CESAR

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
24 de janeiro de 2026
Inovação não falha por falta de ideias, mas por falta de métricas - o que não é medido vira entusiasmo; o que é mensurado vira estratégia.

Marina Lima - Gerente de Inovação Aberta da Stellantis para América do Sul

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de janeiro de 2026
Se seus vínculos não te emocionam, talvez você esteja fazendo networking errado. Relações que movem mercados começam com conexões que movem pessoas - sem cálculo, sem protocolo, só intenção genuína.

Laís Macedo - Presidente do Future Is Now

3 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de janeiro de 2026
Se a IA sabe mais do que você, qual é o seu papel como líder? A resposta não está em competir com algoritmos, mas em redefinir o que significa liderar em um mundo onde informação não é poder - decisão é.

João Roncati - CEO da People+Strategy

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de janeiro de 2026
Como o mercado está revendo métricas para entregar resultados no presente e valor no futuro?

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Inovação
20 de janeiro 2026
O volume e a previsibilidade dos instrumentos de fomento à inovação como financiamentos, recursos de subvenção econômica e incentivos fiscais aumentaram consideravelmente nos últimos anos e em 2026 a perspectiva é de novos recordes de liberações e projetos aprovados. Fomento para inovação é uma estratégia que, quando bem utilizada, reduz o custo da inovação, viabiliza iniciativas de maior risco tecnológico, ajuda a escalar e encurtar o tempo para geração de valor dos projetos.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89 empresas

5 minutos min de leitura
Liderança
19 de janeiro de 2026
A COP 30 expôs um paradoxo gritante: temos dados e tecnologia em abundância, mas carecemos da consciência para usá-los. Se a agenda climática deixou de ser ambiental para se tornar existencial, por que ainda tratamos espiritualidade corporativa como tabu?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de janeiro de 2026
Falar em ‘epidemia de Burnout’ virou o álibi perfeito: responsabiliza empresas, alimenta fundos públicos e poupa o Estado de encarar o verdadeiro colapso social que adoece o país. O que falta não é diagnóstico - é coragem para dizer de onde vem o problema

Dr. Glauco Callia - Médico, CEO e fundador da Zenith

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...