Marketing & growth, Inovação & estratégia
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Você acredita mesmo na visão que você vende todo dia?

Diretamente da cobertura do SXSW 2026, este artigo parte de uma provocação de Tom Sachs para tensionar uma pergunta incômoda a líderes e criadores: é possível engajar pessoas, construir mundos e sustentar visões quando nem nós mesmos acreditamos, de verdade, no que comunicamos todos os dias?
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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“Sympathetic magic” é um conceito antropológico segundo o qual acreditar genuinamente em algo é o que faz outras pessoas acreditarem também. A pergunta por trás disso: quanto tempo passamos tentando vender ideias em que nem a gente mesmo acredita?

Quem falou sobre o assunto foi Tom Sachs. Ele é escultor. Trabalhou com a Nike, fez réplicas de Mondrian em fita isolante, criou instalações no Pompidou. Sua palestra no SXSW foi sobre uma forma de viver e sobre o que nos impede de criar mundos em vez de simplesmente gerenciar situações.

Ele falou de várias coisas e a palestra completa já está disponível no YouTube, na página oficial do evento. A seguir, eu recuperei algumas de suas ideias principais.

  • Relação com o fracasso. Sachs lembrou que os melhores times de basquete do mundo ganham uma em cada quatro ou cinco partidas. E ainda assim são os melhores. Uma das estratégias centrais da sua vida foi aprender a conviver com decepção profunda e consistente. Já pensou em fazer as pazes com o fracasso? é o que ele faz. “Só quando você para de gastar energia resistindo à possibilidade de falhar, você tem recurso real para criar”. Quantas culturas organizacionais ainda tratam o erro como sinal de incompetência? Quantos times escondem o que não funcionou para não parecer fraco diante da liderança? O fracasso acontece; a questão é se vamos ter a maturidade de aprender com ele e melhorar a nossa realidade.
  • Output antes de input. Sachs faz algo com as mãos ou com as palavras (escrever, desenhar, tocar em argila…) antes de abrir o celular ou o e-mail ou de “receber” qualquer estímulo externo. Esses minutos entre o sono e a consciência plena são o acesso mais direto ao subconsciente. “Se você entrega esses minutos para a agenda dos outros antes mesmo do café, você nunca saberá o que estava tentando pensar”.
  • Bricolagem. Construir e reparar com os recursos limitados que temos disponíveis. A restrição pode ser o melhor combustível da criatividade. Quando você não tem o orçamento ideal, o time perfeito ou a estrutura sonhada, a pergunta certa é outra: o que posso construir com o que tenho agora?
  • World Building. Criar universos coerentes, com linguagem própria, rituais, símbolos, estética; algo que as pessoas buscam porque fala alto, as convida, as emociona. A partir daí, a pergunta que fica para qualquer líder: que mundo você está construindo? As pessoas ao seu redor reconhecem esse mundo como real? Elas querem existir dentro dele?
  • Autenticidade nos detalhes. A credibilidade é construída no micro. Os detalhes são o que torna uma experiência convincente; a precisão importa mais do que a escala. Para líderes: a coerência entre o discurso e as pequenas escolhas cotidianas é o que constrói ou destrói credibilidade. As pessoas não avaliam sua visão e sim seus detalhes, pois é aí que a consistência aparece.
  • A obsessão como ferramenta de transformação. A obsessão por um objeto se transforma no processo de fazê-lo. A obsessão começa no objeto e, no caminho, vira amor pela criação. Para líderes: o que você quer entregar não importa tanto quanto o processo de fazer. Equipes que desenvolvem obsesão pelo processo, e não apenas pelo resultado, produzem trabalho de outra qualidade.


Por fim, “Sympathetic magic” fala sobre a qualidade da crença que você carrega. Você habita a sua visão ou ainda está tentando convencer a si mesmo?

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É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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