Estratégia e Execução

X-men da vida real inspiram inovações

Empresas farmacêuticas desenvolvem tratamentos promissores ao estudar mutações genéticas existentes

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Em 2010, um professor de medicina da Leiden University, da Holanda, visitou uma comunidade isolada onde grande parte da população tinha crânio e ossos absurdamente grandes. Ele perguntou, em uma reunião do conselho de cidadãos na prefeitura, se alguém já tinha sido atropelado por um carro. 

Um homem levantou a mão e contou: ”Eu estava atravessando a rua com meu irmão e um Mercedes me atingiu, não tive tempo de escapar”. O professor quis saber o que aconteceu e o atropelado respondeu, rindo: “Você devia ter visto como ficou o Mercedes”. Os ossos do sujeito, de tão resistentes, não apenas não se quebraram com a batida, como amassaram a lataria do carro. 

Parece um superpoder de um personagem da saga X-Men, da Marvel Comics, porém se trata de uma mutação genética conhecida como esclerosteose, bastante rara. 

Causa muitos problemas aos poucos que a carregam, mas atrai cada vez mais interesse da indústria farmacêutica. A mimetização de uma mutação genética pode ser um modo inovador de tratar certas doenças e, como conta a publicação Bloomberg BusinessWeek, as empresas farmacêuticas já estão de olho nessa possibilidade. Talvez se esconda aí um verdadeiro “oceano azul”, como é chamado o mercado sem concorrência. 

**ASSIM NASCEM AS INOVAÇÕES**

A farma Amgen já fez uma descoberta ao estudar mutantes da vida real: é a falta de determinada proteína que estimula o crescimento ósseo. Assim, subtraí-la serve, por exemplo, para combater a osteoporose. Em um de seus testes, embarcou no ônibus espacial da nasa 30 camundongos – metade recebeu a droga, metade não. 

Após 13 dias, os injetados haviam ganhado densidade óssea e o grupo controle estava bem fraco. novos testes devem ter seus resultados conhecidos no início de 2016. Se tudo funcionar como se espera, o faturamento da Amgen pode aumentar em até US$ 2 bilhões por ano. 

Outra mutação investigada é a insensibilidade à dor, que permite que as pessoas andem sobre o fogo ou se cortem com uma faca sem sentir nada. A Xenon Pharmaceuticals, pequena empresa de biotecnologia canadense, estuda-a há mais de dez anos e conseguiu rastrear o gene responsável pela mutação. no ano passado, associou-se à gigante Genentech (que pertence à Roche), e as pesquisas aceleraram. 

Em cinco anos a Xenon/Genentech deve criar uma categoria de analgésicos 100% nova, superando os problemas causados por opioides (que viciam) e por drogas anti-inflamatórias como ibuprofeno (ineficazes contra certas dores). Assim nascem as inovações. Como nascerá a sua?

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