Marketing, Inovação & estratégia
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74% das marcas poderiam desaparecer – e ninguém sentiria falta

No ritmo do mundo, só permanece quem sabe se adaptar. Este artigo mostra por que a relevância das marcas não depende mais de presença ou investimento, mas da capacidade de interpretar o tempo, integrar diversidade e transformar propósito em ação concreta.
Cofundador e CEO da Ginga, agência brasileira de publicidade independente, especializada em comunicação integrada, posicionamento de marca e estratégias multicanal, que combina criatividade, dados e inteligência cultural para desenvolver soluções completas - da concepção à execução. Formado em Design and Advertising pela Academy of Art University, em San Francisco, Pedro tem sua trajetória marcada pela inovação, criatividade e liderança no mercado de comunicação e marketing no Brasil.

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Vivemos um momento em que a comunicação nunca teve tanto poder para mudar comportamentos, moldar culturas e transformar a percepção e a ideia sobre o mundo. E as marcas estão no centro desta realidade.

Diariamente somos expostos a uma multiplicidade de mensagens de marcas e produtos, apresentando benefícios, vantagens e qualidades que despertam interesse e desejo. Use, experimente, descubra, viaje. Convites constantes ao consumo fazem parte da dinâmica do nosso tempo.

Diante de um cenário de policrise – social, ambiental e econômica – vale imaginar como o poder financeiro e comunicacional das marcas pode ir além da oferta de produtos e serviços, contribuindo também para ampliar a consciência sobre os temas que atravessam o nosso tempo. E, quem sabe, até, propor soluções.  As marcas têm esse poder, e, portanto, uma responsabilidade para com o mundo. 

Em época de constante mudança e transformação tecnológica, novos comportamentos, regulações emergentes e crises globais, as marcas vivem sob a pressão de se manter relevantes perante constante reinvenção. A adaptabilidade, inovação constante, resiliência e coragem deixaram de ser diferenciais e se tornaram condições básicas de sobrevivência.

Entre transformações tecnológicas, novos comportamentos, regulações emergentes e crises globais, as marcas vivem sob a pressão de se manter relevantes em um cenário em constante reinvenção. Nesse contexto, adaptabilidade, inovação constante, resiliência e coragem deixaram de ser diferenciais e se tornaram condições básicas de sobrevivência.

Essa não é apenas uma percepção qualitativa. Segundo o estudo Meaningful Brands, mais de 74% das marcas poderiam desaparecer hoje sem que os consumidores sentissem falta. O dado revela uma fragilidade estrutural: relevância não é garantida por presença, investimento ou escala. Ela depende da capacidade de acompanhar o ritmo cultural.

As marcas que prosperam hoje são organismos vivos.

Não cabem em manuais fixos nem se sustentam em narrativas imutáveis. Elas evoluem junto com as pessoas e com a cultura, absorvem os sinais do presente e respondem a eles com fluidez. O branding contemporâneo exige escuta, sensibilidade e a capacidade de transformar propósito em prática, não com fórmulas prontas, mas com autenticidade e empatia.

Ainda assim, muitas organizações reconhecem a importância do movimento, mas não conseguem operacionalizá-lo. Dados do relatório The State of Creativity  indicam que 57% das marcas lutam para reagir rapidamente a momentos culturais, mesmo considerando essa agilidade essencial para o crescimento. Existe um desalinhamento entre discurso e prática – e é nele que a irrelevância começa.

Inovar, portanto, não é correr atrás do novo a qualquer custo. É ter clareza de por que e para quem o novo faz sentido. É reagir às mudanças sem perder a essência e criar relevância onde a maioria vê apenas tendência. A McKinsey aponta que empresas com forte alinhamento entre propósito, cultura e operação têm 63% mais chances de gerar crescimento sustentável no longo prazo. O que sustenta a inovação não é a novidade, é a coerência. E nosso país é mestre nisso.

O Brasil sempre foi um laboratório criativo. Um país que transforma escassez em invenção, mistura em potência, improviso em estratégia. Internalizar essa raiz, com independência e autonomia, é mais do que uma questão de origem: é um ato de posicionamento, que reconhece que nossa cultura é viva, plural e corajosa.

Esse traço cultural, quando internalizado por marcas, se transforma em estratégia.

Ser adaptável é, além de reagir ao contexto, ter a coragem de se reinventar com propósito. É compreender que, em um mundo descentralizado e hiperconectado, as marcas que mais se destacam são aquelas que aprendem a ouvir, integrar e traduzir as vozes que compõem a sociedade.

A nova adaptabilidade vem da pluralidade. Das diferentes realidades, sotaques, repertórios e visões de mundo que coexistem dentro de um mesmo ecossistema criativo. Estudos mostram que equipes diversas são até 35% mais propensas a superar a média do setor em resultados financeiros. A diversidade não é apenas valor cultural, mas vantagem competitiva.

É essa multiplicidade que permite construir narrativas verdadeiramente diversas, enraizadas e culturalmente relevantes.

O futuro das marcas, especialmente as que nascem ou crescem em países como o Brasil, está em desenvolver essa inteligência do movimento: a capacidade de responder ao tempo presente com agilidade, mas também com profundidade.

Não se trata de seguir tendências, mas de entender o ritmo do mundo.

E, nesse ritmo, quem ginga sai na frente.

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