Tecnologia & inteligencia artificial
16 minutos min de leitura

A AGI já chegou? E se Ray Kurzweil estiver certo há mais tempo do que imaginávamos?

As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.
Neurocientista, especialista em comportamento humano e Al. Global expert na Singularity Brazil e CEO da CogniSigns. Mais do que um teórico, um profissional hands-on, aplicando ciência e tecnologia de forma prática para transformar a sociedade.

Compartilhar:

Ray Kurzweil, inventor, futurista e cofundador da Singularity University | Foto: divulgação


Há algumas semanas, perguntar quando a Inteligência Artificial Geral chegaria ainda parecia uma discussão sobre o futuro. Agora, algumas das pessoas que estão no centro da construção desse futuro começaram a falar sobre ela no presente.

Jensen Huang, fundador e CEO da NVIDIA, empresa que fornece grande parte da infraestrutura computacional utilizada no desenvolvimento da inteligência artificial moderna, foi direto: “AGI has arrived” (ou “A AGI chegou”)

Na OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, Greg Brockman, cofundador e presidente, utilizou uma expressão igualmente simbólica durante a apresentação do GPT-6 Astra: “Welcome to the AGI era.”(ou “Bem-vindos à era da AGI”).

Sam Altman, CEO da OpenAI e uma das figuras mais conhecidas da atual revolução da inteligência artificial, tem sido mais cuidadoso. Em vez de simplesmente decretar que a AGI chegou, ele vem questionando a própria precisão do conceito, considerando AGI um termo cada vez mais difícil de definir.

Pode parecer uma divergência semântica entre executivos de tecnologia. Não é.

Estamos diante de uma das discussões mais importantes do nosso tempo.

Porque, se essas afirmações estiverem próximas da realidade, uma previsão considerada durante décadas excessivamente futurista pode estar se materializando diante de nós. E talvez antes do previsto.

Antes de continuar: afinal, o que é AGI?

AGI é a sigla em inglês para Artificial General Intelligence, ou Inteligência Artificial Geral. Durante muito tempo, as inteligências artificiais eram extraordinariamente competentes em tarefas específicas. Um sistema reconhecia imagens. Outro traduzia textos. Outro jogava xadrez. Outro recomendava produtos. Mesmo os primeiros grandes modelos generativos impressionaram principalmente porque conseguiam conversar, escrever, resumir e responder perguntas em diferentes áreas.

AGI representa algo diferente.

Em termos simples, imagine uma inteligência artificial que não seja excelente apenas em uma tarefa, mas consiga aprender, raciocinar e resolver problemas em muitas áreas diferentes, aproximando-se da versatilidade intelectual humana – ou ultrapassando-a. Não existe, entretanto, uma definição universalmente aceita.

A própria OpenAI historicamente definiu AGI como sistemas altamente autônomos capazes de superar seres humanos na maior parte do trabalho economicamente valioso. Observe que essa definição não exige consciência. Não exige sentimentos. Não exige que a máquina pense exatamente como nós. A pergunta é muito mais pragmática: O que ela consegue fazer?

E é justamente essa pergunta que começa a mudar a discussão.

Três personagens importantes dessa história

Para compreender o que está acontecendo, vale conhecer três pessoas. A primeira é Sam Altman, CEO da OpenAI. Altman tornou-se uma das figuras centrais da revolução da inteligência artificial depois que o ChatGPT transformou uma tecnologia até então relativamente restrita a pesquisadores e especialistas em uma ferramenta de uso cotidiano.

A segunda é Jensen Huang, fundador e CEO da NVIDIA. Se empresas como a OpenAI constroem parte da inteligência artificial que vemos, a NVIDIA fornece grande parte da infraestrutura computacional que torna essa inteligência possível. Seus chips estão no centro de muitos dos grandes sistemas de IA do mundo.

Por isso, quando Huang fala sobre a evolução da inteligência artificial, não estamos ouvindo apenas o CEO de uma empresa de tecnologia. Estamos ouvindo alguém sentado em um dos pontos privilegiados de observação da expansão da capacidade computacional mundial.

Mas existe um terceiro personagem, menos conhecido pelo grande público e fundamental para essa história. Seu nome é Ray Kurzweil.

Kurzweil é inventor, pesquisador, futurista e uma das principais referências intelectuais associadas à Singularity University. Durante décadas, tornou-se conhecido por estudar como tecnologias exponenciais podem transformar a sociedade e, particularmente, por suas previsões sobre inteligência artificial.

O mais impressionante é quando essas previsões começaram a ser feitas. Muito antes do ChatGPT. Muito antes dos atuais modelos de linguagem. Muito antes de inteligência artificial se tornar assunto cotidiano nas empresas.

O homem que colocou uma data no futuro

Durante décadas, Kurzweil tentou responder a uma pergunta aparentemente simples: O que acontece quando tecnologias que ajudam a produzir novas tecnologias começam a evoluir cada vez mais rapidamente?

Sua tese central é conhecida como “Lei dos Retornos Acelerados”. O nome parece complicado. A ideia não é. Nós temos tendência a imaginar o futuro de maneira linear. Se uma tecnologia avançou determinada distância nos últimos dez anos, intuitivamente imaginamos que avançará distância semelhante nos próximos dez.

Mas tecnologias da informação frequentemente não funcionam dessa maneira. Uma geração tecnológica ajuda a construir a próxima. Computadores ajudaram engenheiros a desenvolver computadores melhores. Softwares ajudaram programadores a desenvolver softwares melhores.

Agora, inteligências artificiais começam a ajudar pesquisadores e engenheiros a desenvolver novas inteligências artificiais. O resultado pode ser uma aceleração. Não avançamos apenas, avançamos cada vez mais rapidamente. Essa ideia está no centro de A Singularidade Está Mais Próxima, publicado por Kurzweil em 2024 como atualização de sua obra anterior.

E há uma previsão particularmente interessante. Kurzweil mantém aproximadamente 2029 como o momento em que máquinas atingiriam inteligência comparável à humana. Estamos em 2026.

É por isso que as declarações desta semana merecem tanta atenção.

Kurzweil previu. Onde estamos?

Neste ponto, vale colocar as previsões lado a lado com aquilo que observamos atualmente.


A tabela revela algo importante.

Kurzweil não acertou tudo – pelo menos ainda não. Mas a trajetória que estamos observando é desconfortavelmente parecida com aquela que ele descreveu.

Talvez Kurzweil tenha errado a data – para mais tarde

Se aceitarmos a interpretação de Jensen Huang de que a AGI já chegou, acontece algo curioso. Kurzweil não teria sido excessivamente otimista. Teria sido conservador. A inteligência artificial geral teria aparecido aproximadamente três anos antes de sua previsão.

Mas precisamos ter cuidado antes de declarar vitória. Porque existe uma diferença entre uma afirmação extraordinária e evidências suficientes para sustentá-la. E é aqui que entram os famosos benchmarks.

O que são esses benchmarks de que todos falam?

Sempre que uma nova inteligência artificial é lançada, aparecem números, siglas e testes difíceis de compreender. ARC-AGI, FrontierMath, OSWorld, BenchCAD e muitos outros. Para quem não acompanha tecnologia diariamente, isso pode parecer indecifrável.

Podemos simplificar bastante: Benchmarks são provas aplicadas às inteligências artificiais.

É semelhante ao que fazemos com pessoas. Se quisermos avaliar matemática, aplicamos problemas de matemática. Se quisermos avaliar programação, apresentamos problemas de programação. Se quisermos saber se alguém consegue operar um computador, pedimos que execute determinadas tarefas no computador.

Os pesquisadores fazem algo parecido com a IA.

No novo GPT-6 Astra, por exemplo, um teste chamado ARC-AGI-3 procura verificar algo particularmente importante: se a inteligência artificial consegue enfrentar situações novas, descobrir como elas funcionam e resolver os problemas sem simplesmente repetir algo que já conhecia.

O Astra atingiu 99,9% em uma das configurações divulgadas pela OpenAI. Outro teste, o FrontierMath, utiliza problemas matemáticos extremamente difíceis. O Astra chegou a 98%.

Mas existe um resultado que talvez seja ainda mais fácil de compreender. Em um teste que mede a capacidade de utilizar um computador para realizar tarefas, o Astra alcançou 72,6%, contra 65,7% de seu antecessor. Mais interessante: realizou as tarefas em aproximadamente 40 minutos, enquanto o modelo anterior levava cerca de 75.

Ou seja: não ficou apenas mais capaz. Ficou mais rápido para trabalhar.

Isso ajuda a compreender por que existe tanta discussão sobre AGI. Mas precisamos fazer uma ressalva fundamental. Ir muito bem em uma prova não significa possuir todas as capacidades da inteligência humana. Uma pessoa pode obter nota máxima em matemática e ter dificuldade para organizar uma viagem. Pode ser excelente em linguagem e péssima em orientação espacial. Inteligência é multidimensional.

Com a IA acontece algo semelhante. Por isso, nenhum benchmark isoladamente pode anunciar: “Temos AGI.” Precisamos observar o conjunto.

A mudança mais importante talvez não esteja nas provas

Durante alguns anos, acompanhamos a evolução da IA perguntando: Ela consegue responder? Hoje, essa pergunta começa a ficar pequena.

Os sistemas mais avançados estão caminhando para uma sequência muito mais sofisticada: compreender → raciocinar → planejar → utilizar ferramentas → executar → verificar → corrigir → continuar.

Essa mudança é enorme. Porque transforma inteligência em ação. Um chatbot responde a uma pergunta. Um agente recebe um objetivo. Imagine dizer para uma IA: “Analise essas empresas, encontre as três melhores oportunidades, pesquise seus mercados, construa uma análise financeira, prepare uma apresentação e me avise quando terminar.”

E ela trabalhar para alcançar esse objetivo, navegando por sistemas, utilizando softwares, verificando informações e corrigindo seus próprios erros. Nesse momento, não estamos mais falando apenas de uma ferramenta que produz textos. Estamos falando de cognição orientada a objetivos.

E talvez seja justamente aqui que esteja acontecendo a transformação mais importante.

Da inteligência que responde para a inteligência que trabalha

Durante a Revolução Industrial, máquinas começaram a substituir e ampliar nossa capacidade física. Um motor conseguia produzir força que exigiria dezenas ou centenas de pessoas. A atual revolução pode estar fazendo algo semelhante com a cognição. Pesquisar. Interpretar. Comparar. Programar. Planejar. Simular. Decidir. Executar. Monitorar. Corrigir.

Essas atividades compõem uma parcela enorme daquilo que chamamos de trabalho intelectual. Durante praticamente toda a história humana, havia uma condição inevitável para produzir esse tipo de trabalho: era necessário um cérebro humano.

Agora surge uma segunda infraestrutura cognitiva. Não biológica. Replicável. Escalável. Capaz de operar continuamente. E que pode melhorar muito mais rapidamente do que nossa biologia.

Essa mudança pode ser mais importante do que descobrir em qual dia específico nasceu a primeira AGI.

É aqui que Kurzweil se torna realmente interessante

A parte mais impressionante das previsões de Kurzweil talvez não seja ter escolhido 2029. É ter compreendido a direção da curva. Primeiro tivemos sistemas capazes de gerar linguagem. Depois, sistemas melhores em raciocínio. Em seguida, sistemas capazes de utilizar ferramentas.

Depois vieram agentes capazes de executar sequências maiores de tarefas. Agora começamos a observar inteligências artificiais auxiliando programação, pesquisa científica e o próprio desenvolvimento de inteligência artificial. Esse último ponto merece atenção especial. Porque cria um ciclo: IA ajuda a desenvolver IA melhor.

A IA melhor ajuda a desenvolver uma IA ainda melhor. Que passa a ajudar ainda mais no desenvolvimento da próxima geração. E assim sucessivamente. É exatamente nesse tipo de mecanismo que a tese de aceleração de Kurzweil ganha força.

O verdadeiro teste não será uma prova

Por isso, considero que existe uma pergunta mais importante do que qualquer benchmark: A inteligência artificial consegue produzir avanços científicos e tecnológicos que ajudem a construir inteligências artificiais significativamente melhores?

Quando isso acontecer de maneira consistente e em larga escala, fecharemos um ciclo extremamente importante: inteligência → inovação → mais inteligência → inovação mais rápida → ainda mais inteligência.

Nesse momento, não estaremos apenas desenvolvendo tecnologia. Estaremos desenvolvendo tecnologia capaz de acelerar o próprio desenvolvimento tecnológico. E as consequências são difíceis de exagerar.

AGI e Singularidade não são a mesma coisa

Aqui existe outra confusão frequente. Ray Kurzweil não diz simplesmente que AGI significa Singularidade. São acontecimentos diferentes. A chegada de uma inteligência artificial comparável à humana seria um marco. A Singularidade seria algo muito maior. Kurzweil mantém aproximadamente 2045 como horizonte para esse fenômeno.

A ideia é que a evolução tecnológica e da inteligência não biológica alcance tamanho grau de aceleração que nossa capacidade atual de imaginar o mundo posterior a essa transformação se torne limitada. Não significa necessariamente uma máquina acordando em determinada manhã e tornando-se infinitamente inteligente. Significa uma mudança de regime. Um mundo no qual a inteligência disponível cresce em uma escala radicalmente diferente daquela que conhecemos.

E Kurzweil acrescenta algo ainda mais provocador. Ele não acredita que o futuro seja simplesmente uma disputa entre humanos e máquinas. Sua visão aponta para a convergência.

Talvez estejamos fazendo a pergunta errada

Grande parte da discussão atual é apresentada assim: Humanos versus IA. Quem vencerá? Quais profissões desaparecerão? Em quais atividades a máquina será melhor? Mas talvez essa seja uma maneira inadequada de compreender o futuro.

O próprio Kurzweil prevê uma aproximação progressiva entre inteligência biológica e não biológica. Sua visão para as próximas décadas envolve interfaces cada vez mais profundas entre seres humanos e sistemas computacionais. Mas algo interessante já está acontecendo antes mesmo de implantarmos qualquer dispositivo sofisticado no cérebro.

Quando utilizamos IA para pensar, pesquisar, escrever, simular, analisar, lembrar, decidir e executar, parte do nosso processo cognitivo passa a acontecer fora do cérebro. O sistema que resolve o problema deixa de ser apenas: humano.

Passa a ser: humano + inteligência artificial + ferramentas + conhecimento disponível em rede.

Estamos começando a construir aquilo que chamo de Inteligência Híbrida. Não precisamos esperar por implantes cerebrais para perceber seus primeiros sinais.

E é aqui que surge o problema humano

Tecnologias podem avançar exponencialmente. Nosso cérebro não. Instituições também não. Empresas, universidades, governos e sistemas educacionais possuem estruturas, culturas, incentivos e comportamentos construídos durante décadas.

Existe, portanto, uma assimetria crescente. De um lado: a velocidade da tecnologia. Do outro: a velocidade da adaptação humana. Como neurocientista, considero essa distância uma das questões mais importantes dos próximos anos. Nosso cérebro é uma extraordinária máquina de adaptação, mas também procura previsibilidade. Criamos modelos mentais. Automatizamos comportamentos. Construímos hábitos. Utilizamos experiências anteriores para antecipar o que acontecerá depois.

Tudo isso reduz esforço cognitivo e nos permitiu sobreviver em ambientes relativamente previsíveis. O problema é que estamos criando um ambiente tecnológico em que mudanças relevantes podem acontecer mais rapidamente do que conseguimos atualizar nossos modelos mentais. Surge aquilo que podemos chamar de uma dívida cognitiva da transformação: a distância entre a velocidade com que o mundo muda e a velocidade com que conseguimos atualizar a maneira como pensamos sobre ele.

Talvez esse seja um dos grandes desafios da era da AGI. Não será apenas construir máquinas que aprendam mais rapidamente. Será construir organizações e sociedades capazes de aprender suficientemente rápido para trabalhar com elas.


Kurzweil pode ter subestimado justamente o ser humano

Existe aqui uma ressalva importante à visão extremamente otimista do futuro tecnológico. Capacidade computacional pode crescer exponencialmente. Cultura organizacional, não. Educação, não. Regulação, não. Comportamento humano, muito menos. Teremos, portanto, curvas avançando em velocidades diferentes.

A capacidade tecnológica poderá crescer muito rapidamente enquanto nossa capacidade institucional e comportamental tentará acompanhá-la. Quanto maior essa distância, maior será a tensão. Por isso, o desafio da transformação provocada pela inteligência artificial talvez seja menos tecnológico do que imaginamos.

Será humano.

Então a AGI chegou?

Minha resposta é: depende do que decidirmos chamar de AGI.

Se utilizarmos uma definição extremamente forte – uma máquina com a mesma flexibilidade, adaptabilidade e generalidade intelectual de um ser humano em praticamente qualquer situação – ainda não temos evidências públicas suficientes para declarar a questão encerrada.

Se utilizarmos uma definição funcional – sistemas capazes de realizar autonomamente uma parcela crescente do trabalho cognitivo que até agora dependia de pessoas – a discussão muda consideravelmente. Talvez estejamos entrando exatamente agora nessa fronteira. Por isso, prefiro uma terceira possibilidade.

Talvez AGI não seja um evento. Talvez seja uma transição de fase. Não haverá necessariamente um momento em que alguém apertará um botão e poderemos dizer: “Ontem não existia AGI. Hoje existe.” Grandes transformações históricas raramente funcionam assim. Ninguém acordou em determinado dia e anunciou que a Revolução Industrial havia começado.

As pessoas estavam vivendo dentro dela antes de compreenderem completamente o que estava acontecendo.

Talvez aconteça novamente.

Três relógios começaram a correr

A partir daqui, acredito que precisamos acompanhar três relógios.


O primeiro é o relógio tecnológico: quanto tempo falta para sistemas de inteligência artificial contribuírem de maneira decisiva para construir sistemas ainda mais inteligentes?

O segundo é o relógio econômico: quanto tempo falta para cognição artificial se tornar mais rápida, barata e abundante do que cognição humana em uma parcela significativa das atividades profissionais?

Mas existe um terceiro. E talvez seja o mais importante.

O relógio humano: quanto tempo pessoas, organizações e sociedades precisarão para compreender e se adaptar ao que está acontecendo?

Minha preocupação está justamente na diferença de velocidade entre esses três relógios.

Talvez estejamos dentro da mudança antes de conseguirmos nomeá-la

Não sei se historiadores do futuro escolherão 2026 como o ano em que nasceu a Inteligência Artificial Geral. Talvez escolham 2027. 2028. 2029. Ou talvez concluam que nunca existiu um momento específico.

Mas existe algo que começa a ficar difícil de negar. Ray Kurzweil previu máquinas alcançando inteligência em nível humano aproximadamente em 2029. Estamos em 2026 e algumas das pessoas posicionadas no centro da infraestrutura e do desenvolvimento da inteligência artificial já começaram a falar publicamente sobre a chegada da AGI.

Podemos discutir a definição. Podemos discutir os benchmarks. Podemos discutir se ainda faltam três meses ou três anos. Mas talvez estejamos concentrando nossa atenção excessivamente na linha de chegada e deixando de observar a curva.

Porque a inteligência artificial deixou de apenas reconhecer. Depois, deixou de apenas responder. Aprendeu a raciocinar. Começou a utilizar ferramentas.

Agora começa a agir, executar, pesquisar e participar do desenvolvimento da próxima geração de inteligência. E talvez esse seja o verdadeiro ponto de inflexão. A Singularidade provavelmente não chegará em um único dia.

Primeiro perceberemos a aceleração. Depois, a convergência. E talvez somente mais tarde olhemos para trás e percebamos que, enquanto discutíamos quando o futuro chegaria, já estávamos vivendo dentro dele.

Referências e leituras

Kurzweil, Ray. A Singularidade Está Mais Próxima (The Singularity Is Nearer). 2024. Obra em que Kurzweil atualiza suas previsões sobre inteligência artificial, convergência humano-máquina e a Singularidade.

OpenAI. GPT-6 Astra: A New Generation of Intelligence. 3 set. 2026. A documentação oficial apresenta capacidades e resultados do Astra em raciocínio, ciência, matemática, uso de computadores e trabalho profissional. (OpenAI)

OpenAI Charter. A definição institucional de AGI utilizada pela OpenAI descreve sistemas altamente autônomos capazes de superar seres humanos na maior parte do trabalho economicamente valioso. (OpenAI)

OpenAI. Safety Overview: GPT-6 Astra. 3 set. 2026. Documento relevante para compreender não apenas as capacidades, mas os novos riscos associados ao modelo; a OpenAI classifica Astra como seu primeiro modelo a atingir o nível “Critical” em capacidade de cibersegurança. (OpenAI)

OpenAI. Release Notes — GPT-6 Astra. 3 set. 2026. Registro oficial do lançamento e das capacidades de raciocínio, programação, pesquisa, uso de computadores e execução de trabalhos complexos em múltiplas etapas. (OpenAI)

Axios. “Welcome to the AGI era”: OpenAI launches GPT-6 Astra. 3 set. 2026. Relato da declaração de Greg Brockman e da discussão sobre considerar Astra um marco na chegada da AGI. (Axios)

Declaração de Jensen Huang, NVIDIA. Após o lançamento do Astra, Huang afirmou publicamente que “AGI has arrived”, relacionando o avanço do modelo à enorme infraestrutura computacional utilizada em seu treinamento. (The Times of India)

Compartilhar:

Neurocientista, especialista em comportamento humano e Al. Global expert na Singularity Brazil e CEO da CogniSigns. Mais do que um teórico, um profissional hands-on, aplicando ciência e tecnologia de forma prática para transformar a sociedade.

Artigos relacionados

A AGI já chegou? E se Ray Kurzweil estiver certo há mais tempo do que imaginávamos?

As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

O que uma prótese de quadril me ensinou sobre os erros de decisão dentro das empresas

Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Nenhuma estratégia é melhor do que a lente que a criou

Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Centauros corporativos: quem está no controle da inteligência?

Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Cláusula de raio: proteção legítima ou barreira à concorrência?

Muito utilizada em contratos de locação em shopping centers, a chamada cláusula de raio impede que lojistas abram operações concorrentes em uma determinada área geográfica ao redor do empreendimento. Embora não seja considerada ilegal por si só, a prática tem sido cada vez mais questionada por seus potenciais impactos sobre a livre concorrência, a liberdade empresarial e os direitos dos consumidores. O artigo analisa a evolução do entendimento dos tribunais e do CADE sobre o tema e discute os critérios que devem orientar a avaliação de sua legalidade.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de agosto de 2026 14H00
Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Alan Schulte - Vice-presidente de Vendas para Startups e PMEs da Zendesk na América Latina.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de agosto de 2026 08H00
Os profissionais de finanças foram treinados para dominar processos, consolidar informações e produzir análises complexas. Mas, em um mundo onde a inteligência artificial faz isso em segundos, a vantagem competitiva passa a estar em outro lugar: na capacidade de transformar informação em contexto, formular perguntas estratégicas e tomar decisões que nenhuma máquina consegue assumir sozinha.

Talita Braga - Diretora Executiva de Finanças da Infor na América Latina

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de agosto de 2026 18H00
Profissionais maduros seguem acumulando repertório, capacidade de julgamento e conhecimento organizacional, mas frequentemente enfrentam uma perda silenciosa de reconhecimento e pertencimento. Ao abordar o conceito de envelhescência, o artigo discute como profissionais experientes podem perder espaço simbólico mesmo permanecendo altamente qualificados e por que reconhecer, valorizar e integrar o repertório acumulado se tornou um desafio estratégico para empresas que desejam preservar conhecimento, fortalecer a sucessão e construir culturas verdadeiramente intergeracionais.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Finanças
17 de agosto de 2026 14H00
Hiperpersonalização, agentes inteligentes, analytics em tempo real e IA generativa já deixaram de ser tendências isoladas e começam a formar uma nova arquitetura para o setor financeiro. O desafio das lideranças passa a ser transformar essas tecnologias em capacidades organizacionais escaláveis, seguras e conectadas aos objetivos estratégicos do negócio.

Diego Souza - Principal Technical Manager no CESAR, e Maria Tereza Nagel - Gerente de Projetos no CESAR

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de agosto de 2026 08H00
À medida que algoritmos passam a influenciar decisões cada vez mais relevantes, cresce uma questão que conselhos e lideranças não podem mais ignorar: quanto poder está sendo delegado à inteligência artificial sem supervisão adequada? O artigo propõe uma reflexão sobre a necessidade de incorporar a IA à agenda de governança corporativa.

Eliana Camejo - Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli e conselheira de Administração pelo IBGC

3 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças
16 de agosto de 2026 15H00
O envelhecimento populacional, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas assistenciais estão pressionando os custos da saúde em níveis inéditos. Mais do que analisar despesas, entender a formação do orçamento hospitalar tornou-se uma competência estratégica para operadoras que buscam conciliar qualidade assistencial, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo.

Anderson Farias - CEO da TopSaúde Hub

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de agosto de 2026 10H00

Denise Joaquim Marques - Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução