Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 minutos min de leitura

A confiança é a nova infraestrutura da velocidade

Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.
CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

Compartilhar:

Sete em cada dez líderes empresariais consideram prioritário construir organizações mais rápidas e adaptáveis, segundo o estudo Global Human Capital Trends 2026, da Deloitte. A mesma pesquisa mostra que 65% dos profissionais de equipes de alto desempenho confiam nos colegas, contra apenas 28% nos demais times.

A relação entre esses dois dados revela uma verdade desconfortável para a alta gestão: a velocidade de um negócio é inversamente proporcional ao nível de desconfiança entre as pessoas.

Peter Thiel descreve esse momento, em Zero to One, como a fase de criar algo novo – sair do zero para o um. O desafio muda completamente quando chega a hora de escalar. É justamente nesse crescimento que a liderança é mais testada.

À medida que a empresa ganha novos níveis de gestão, contrata executivos que não viveram sua origem e amplia o número de áreas, surgem também novas camadas de complexidade. O problema é raramente a falta de competência das equipes. O desafio passa a ser coordenar talentos que já não compartilham o mesmo contexto.

O que antes era resolvido em uma conversa de quinze minutos passa a depender de reuniões, apresentações, aprovações sucessivas e longas trocas de e-mails. Não porque as pessoas queiram burocratizar a empresa, mas porque a confiança deixa de ser implícita e passa a precisar de mecanismos para existir. Esse é um dos custos mais invisíveis do crescimento.

A empresa continua contratando, investindo e aumentando receita, mas começa a responder mais lentamente ao mercado. Gasta mais energia coordenando a própria operação do que resolvendo os problemas dos clientes.

Por isso, acredito que a qualidade das relações entre as áreas não pode ser tratada como uma pauta de clima organizacional. Ela é uma variável de execução e, portanto, uma responsabilidade da liderança.

Ao liderar uma empresa em crescimento, aprendi que a colaboração não pode depender apenas da proximidade entre as pessoas ou de conversas informais. Conforme a empresa ganha escala, é preciso transformar essa dinâmica em práticas consistentes.

Hoje, na TotalPass, por exemplo, já somos mais de 590 colaboradores. Há dois anos éramos cerca de metade desse número. Crescer nessa velocidade exige muito mais do que contratar pessoas talentosas. Exige construir um ambiente em que a informação circule, as prioridades sejam compreendidas e os conflitos possam ser discutidos de forma aberta e respeitosa.

Na prática, isso significa criar rituais que fortaleçam a confiança. Um deles é o Total Hands, nosso encontro mensal com toda a empresa. Não utilizamos esse espaço para apresentar uma versão idealizada dos resultados. Compartilhamos os números reais, explicamos os desafios do momento e mantemos um canal aberto para perguntas. Transparência não elimina os problemas, mas reduz ruídos e aproxima as pessoas das decisões.


Também acredito que a colaboração precisa fazer parte dos critérios pelos quais avaliamos nossos líderes. Não basta entregar os objetivos da própria diretoria se isso acontece às custas das demais áreas. Quando uma equipe gera retrabalho para outra, o resultado individual pode até parecer positivo, mas o desempenho da empresa piora.

Logo, a cultura é construída muito menos pelos discursos do que pelos comportamentos que a liderança aceita e recompensa.

Se os executivos compartilham informações, colaboram entre si e enfrentam divergências de maneira respeitosa, essa postura tende a se espalhar pela organização. Se cada área atua como uma ilha, a empresa inteira perde velocidade.

Existe uma frase que costumo repetir internamente: é sempre melhor falar para a pessoa do que falar da pessoa. Conversas difíceis fazem parte de qualquer organização. O que não pode acontecer é transformar desconfortos em ruídos permanentes que comprometem a execução.

Essa visão, inclusive, ganha respaldo com a evolução da  NR-1 que inclui os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Sobrecarga, conflitos, falta de apoio e falhas de comunicação não podem ser vistos apenas como dificuldades individuais. Muitas vezes, são sinais de uma dinâmica organizacional que precisa ser revista.

No fim das contas, acredito que o papel do CEO não é administrar o clima da empresa. É identificar onde a organização está desperdiçando energia: no excesso de aprovações, no retrabalho entre áreas, na demora para tomar decisões ou na falta de segurança para que as pessoas apontem problemas.

Empresas mais rápidas não são apenas aquelas que adotam as melhores ferramentas. São aquelas em que as pessoas confiam umas nas outras o suficiente para agir, colaborar e enfrentar os problemas antes que eles se tornem maiores. A qualidade das relações, portanto, não está ao lado da performance. Ela é uma das condições para produzi-la.

Compartilhar:

CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

Artigos relacionados

Geopolítica da transição: o país precisa transformar potencial em influência

A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos – energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva – que pode transformar sua posição internacional.

Três hipóteses para redesenhar o primeiro degrau da carreira

A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

O mito da prioridade “pra ontem” (e como não enlouquecer sua equipe)

A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Quando o BIM vira uma ilha: a lição do New York Times para a engenharia

Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 08H00
O artigo utiliza a clássica fábula dos três porquinhos para mostrar por que organizações que apostam apenas em estruturas robustas, sem capacidade de adaptação, podem se tornar mais vulneráveis justamente quando o ambiente exige flexibilidade e aprendizado contínuo.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 20H00
Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 18H00
A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de agosto de 2026 14H00
A lógica do “trabalhe enquanto eles dormem” ajudou a moldar uma geração de profissionais que transformou o cansaço em símbolo de mérito. O artigo questiona os mitos da cultura hustle e defende o sono como um dos investimentos mais estratégicos para desempenho, bem-estar e crescimento sustentável.

Valter Roldão - CEO da Luuna

5 minutos min de leitura
Estratégia, Cultura organizacional
31 de agosto de 2026 07H00
Ao revisitar conceitos milenares do Yoga sob a ótica da gestão contemporânea, o artigo propõe uma pergunta essencial para líderes e organizações: os sistemas que construímos estão alinhados aos valores que afirmamos praticar?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução