Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
3 minutos min de leitura

A IA vai pelo mesmo caminho do ERP e da transformação digital?

O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia - mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.
Executivo e especialista em inovação tecnológica com mais de 20 anos de experiência no mercado de TI. Como Diretor Comercial da Konia Tecnologia, lidera projetos de transformação digital baseados no ecossistema Microsoft, entregando soluções completas em DevSecOps, automação (RPA), inteligência artificial e desenvolvimento low-code/no-code. Com livros técnicos publicados e dezenas de artigos em veículos como DevMedia, Linha de Código e MSDN Magazine Brasil, Marcus é reconhecido por traduzir a complexidade tecnológica em estratégias eficientes de negócios. Além do trabalho corporativo, é um mentor ativo e criador de treinamentos em TI, investindo na formação de profissionais para que dominem as ferramentas mais avançadas do mercado e gerem impacto direto, mensurável e duradouro.

Compartilhar:

Entre 2024 e 2025, muitas empresas adotaram inteligência artificial com uma lógica simples: implementar rápido para não perder espaço para a concorrência. Agentes autônomos, automações de processo e ferramentas generativas entraram nos orçamentos com prioridade raramente vista para uma tecnologia tão recente.

Agora, o ciclo muda de fase. Diretores financeiros e acionistas passaram a exigir evidências do retorno. O entusiasmo inicial está cedendo espaço a perguntas mais difíceis, e os dados confirmam o descompasso: segundo levantamento da McKinsey com quase duas mil empresas, 88% já usam IA regularmente em pelo menos uma área do negócio. Apenas 39% conseguem identificar impacto mensurável no lucro operacional.

Muitos projetos permanecem em fase piloto. Outros escalaram sem a estrutura necessária para gerar resultado.

Um roteiro já visto antes

Esse movimento não é novo. A história recente da tecnologia corporativa registra pelo menos cinco ondas com trajetória semelhante: a popularização dos computadores pessoais nos anos 1990, a expansão da internet no fim daquela década, a consolidação dos sistemas ERP nos anos 2000, a transformação digital na década seguinte e a migração para a computação em nuvem.

Em cada uma dessas ondas, o padrão se repetiu. A adoção foi acelerada pela pressão competitiva. Os investimentos antecederam a capacidade das organizações de absorver a mudança. E os resultados demoraram a aparecer, não por falha da tecnologia, mas porque pessoas, processos e modelos de gestão não acompanharam o ritmo da implementação.

O ERP é talvez o exemplo mais didático. Segundo levantamentos anuais da Panorama Consulting Group, a maioria das organizações não realiza os benefícios projetados em suas implementações. Os principais obstáculos identificados não eram técnicos: eram falta de ownership de processos, baixa adoção pelos usuários e ausência de alinhamento entre o projeto e os objetivos de negócio. As empresas que saíram à frente não foram as que implementaram mais rápido, mas as que redesenharam processos antes de ligar o sistema.

A transformação digital repetiu o erro em escala maior. Empresas investiram pesado em iniciativas digitais sem redesenhar processos ou preparar equipes para operar de forma diferente. A tecnologia funcionava. O problema era o entorno.

O que a IA herda desse histórico

A inteligência artificial chega com vantagens técnicas que as ondas anteriores não tinham. A curva de implementação é mais rápida, os custos de entrada caíram e os modelos generativos permitem personalização sem desenvolvimento pesado. Mas herda também os mesmos pontos cegos.

Governança, qualidade de dados e gestão de mudança continuam sendo os gargalos que determinam se uma tecnologia vira resultado ou vira custo. À medida que as organizações conectam modelos de IA a informações corporativas, cresce a necessidade de políticas claras de uso, controles de acesso e proteção de dados, exatamente as lacunas que atrasaram a maturidade do ERP e da transformação digital.

A diferença é que, desta vez, o ciclo de cobrança por resultado é mais curto. O mercado não vai esperar.

O que separa quem vai gerar resultado

As organizações que saíram bem nas ondas anteriores têm em comum um comportamento que se repete: trataram a tecnologia como consequência, não como ponto de partida. Primeiro redefiniam o processo. Depois escolhiam a ferramenta.

Na prática, isso significa que a pergunta relevante não é “qual ferramenta de IA vamos adotar”, mas “qual decisão, processo ou gargalo essa tecnologia vai resolver”. Parece óbvio. E ainda assim a maioria das iniciativas de IA em curso começa pelo lado errado.

O ciclo de maturidade da inteligência artificial vai seguir seu curso independentemente das escolhas individuais. O que muda é a posição de cada organização ao final dele.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A IA vai pelo mesmo caminho do ERP e da transformação digital?

O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia – mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.

Estamos aprendendo mais (e entendendo menos)

Este artigo propõe uma mudança de lógica na aprendizagem: mais do que acumular conteúdo, o diferencial passa a ser a capacidade de conectar conhecimentos, interpretar contextos e transformar informação em decisão e ação.

Estratégia, Liderança, Marketing & growth
3 de junho de 2026 08H00
Em meio à obsessão por crescimento, este artigo propõe uma mudança de perspectiva: não é o quanto a empresa cresce que define seu sucesso, mas sua capacidade de transformar expansão em valor real e sustentável ao longo do tempo.

Alexandre Costa - Gerente de Estratégia Financeira, Pricing e Revenue Management

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de junho de 2026 13H00
Este artigo mostra como o agronegócio brasileiro precisa evoluir para uma arquitetura integrada de dados e gestão - transformando tecnologia em vantagem competitiva, governança robusta e valor sustentável no longo prazo.

AAdilson Martins - Sócio líder para o setor de agronegócio da Deloitte; André Ferreira - VP Global de Agronegócios da SAP; Lígia Penna - Sócia de Enterprise Technology & Performance da Deloitte e Rafael Okuda - Vice-presidente de Agribusiness & Food da SAP Brasil.

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Empreendedorismo, Inovação & estratégia
2 de junho de 2026 08H00
Por que uma sociedade que partiu de uma base agrária se tornou referência global em execução ágil, iteração contínua e adaptação sistêmica? A resposta não está apenas em políticas industriais ou acesso a capital. Está em um código cultural que transforma simplicidade, memória organizacional e julgamento contextual em vantagem competitiva - e que cabe perfeitamente no radar da gestão brasileira. Este artigo apresenta cinco lições operacionais da China, com cases empresariais, dados de 2025-2026 e reflexões aplicáveis a conselheiros e executivos latino-americanos.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor e Rael Mairesse - Cofundador e diretor da Luming

13 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de junho de 2026 14H00
A IA não está otimizando empresas, está testando se elas ainda fazem sentido. Este artigo demonstra que bons agentes inteligentes podem reconstruir o que antes exigia uma organização inteira.

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
1º de junho de 2026 09H00
Em um ambiente saturado de narrativas, este artigo revela por que confiança não é construída pela comunicação - mas pela consistência entre discurso, cultura e decisões.

Karen Fontana - CCSO e sócio-diretora da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Estratégia
31 de aio de 2026 15H00
Em um cenário de excesso de informações e alta volatilidade, este artigo questiona a falsa sensação de clareza que os dados oferecem, e mostra por que o verdadeiro desafio das organizações está em transformar volume em leitura qualificada e decisão relevante no tempo certo.

João Roncati - CEO da People+Strategy

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de maio de 2026 09H00
Este artigo revela por que a competitividade no setor automotivo está migrando da produção para a capacidade de prever, integrar e governar dados com precisão.

Lorena França - Account manager da A3Data

4 minutos min de leitura
Estratégia, User Experience, UX
30 de maio de 2026 14H00
Com o avanço do PL 5605/2019, este artigo mostra como a gestão de garantias e o pós-obra ganham nova centralidade no setor imobiliário, exigindo mais organização, rastreabilidade e maturidade operacional para reduzir conflitos e fortalecer a confiança do cliente.

Jean Ferrari - Engenheiro civil e CEO da FastBuilt

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra que o problema não está na tecnologia, mas na manutenção de estruturas organizacionais inchadas e pouco preparadas para extrair valor da nova lógica do trabalho.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo
29 de maio de 2026 15H00
O problema não é a falta de empreendedoras, é um sistema que ainda não foi feito para elas. Este artigo mostra por que a formalização ainda é um obstáculo estrutural - e como redesenhar o sistema para transformar negócios invisíveis em motores reais de desenvolvimento econômico.

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e Instituto RME, VP do Conselho do Pacto Global da ONU

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão