Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
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A IA vai pelo mesmo caminho do ERP e da transformação digital?

O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia - mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.
Executivo e especialista em inovação tecnológica com mais de 20 anos de experiência no mercado de TI. Como Diretor Comercial da Konia Tecnologia, lidera projetos de transformação digital baseados no ecossistema Microsoft, entregando soluções completas em DevSecOps, automação (RPA), inteligência artificial e desenvolvimento low-code/no-code. Com livros técnicos publicados e dezenas de artigos em veículos como DevMedia, Linha de Código e MSDN Magazine Brasil, Marcus é reconhecido por traduzir a complexidade tecnológica em estratégias eficientes de negócios. Além do trabalho corporativo, é um mentor ativo e criador de treinamentos em TI, investindo na formação de profissionais para que dominem as ferramentas mais avançadas do mercado e gerem impacto direto, mensurável e duradouro.

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Entre 2024 e 2025, muitas empresas adotaram inteligência artificial com uma lógica simples: implementar rápido para não perder espaço para a concorrência. Agentes autônomos, automações de processo e ferramentas generativas entraram nos orçamentos com prioridade raramente vista para uma tecnologia tão recente.

Agora, o ciclo muda de fase. Diretores financeiros e acionistas passaram a exigir evidências do retorno. O entusiasmo inicial está cedendo espaço a perguntas mais difíceis, e os dados confirmam o descompasso: segundo levantamento da McKinsey com quase duas mil empresas, 88% já usam IA regularmente em pelo menos uma área do negócio. Apenas 39% conseguem identificar impacto mensurável no lucro operacional.

Muitos projetos permanecem em fase piloto. Outros escalaram sem a estrutura necessária para gerar resultado.

Um roteiro já visto antes

Esse movimento não é novo. A história recente da tecnologia corporativa registra pelo menos cinco ondas com trajetória semelhante: a popularização dos computadores pessoais nos anos 1990, a expansão da internet no fim daquela década, a consolidação dos sistemas ERP nos anos 2000, a transformação digital na década seguinte e a migração para a computação em nuvem.

Em cada uma dessas ondas, o padrão se repetiu. A adoção foi acelerada pela pressão competitiva. Os investimentos antecederam a capacidade das organizações de absorver a mudança. E os resultados demoraram a aparecer, não por falha da tecnologia, mas porque pessoas, processos e modelos de gestão não acompanharam o ritmo da implementação.

O ERP é talvez o exemplo mais didático. Segundo levantamentos anuais da Panorama Consulting Group, a maioria das organizações não realiza os benefícios projetados em suas implementações. Os principais obstáculos identificados não eram técnicos: eram falta de ownership de processos, baixa adoção pelos usuários e ausência de alinhamento entre o projeto e os objetivos de negócio. As empresas que saíram à frente não foram as que implementaram mais rápido, mas as que redesenharam processos antes de ligar o sistema.

A transformação digital repetiu o erro em escala maior. Empresas investiram pesado em iniciativas digitais sem redesenhar processos ou preparar equipes para operar de forma diferente. A tecnologia funcionava. O problema era o entorno.

O que a IA herda desse histórico

A inteligência artificial chega com vantagens técnicas que as ondas anteriores não tinham. A curva de implementação é mais rápida, os custos de entrada caíram e os modelos generativos permitem personalização sem desenvolvimento pesado. Mas herda também os mesmos pontos cegos.

Governança, qualidade de dados e gestão de mudança continuam sendo os gargalos que determinam se uma tecnologia vira resultado ou vira custo. À medida que as organizações conectam modelos de IA a informações corporativas, cresce a necessidade de políticas claras de uso, controles de acesso e proteção de dados, exatamente as lacunas que atrasaram a maturidade do ERP e da transformação digital.

A diferença é que, desta vez, o ciclo de cobrança por resultado é mais curto. O mercado não vai esperar.

O que separa quem vai gerar resultado

As organizações que saíram bem nas ondas anteriores têm em comum um comportamento que se repete: trataram a tecnologia como consequência, não como ponto de partida. Primeiro redefiniam o processo. Depois escolhiam a ferramenta.

Na prática, isso significa que a pergunta relevante não é “qual ferramenta de IA vamos adotar”, mas “qual decisão, processo ou gargalo essa tecnologia vai resolver”. Parece óbvio. E ainda assim a maioria das iniciativas de IA em curso começa pelo lado errado.

O ciclo de maturidade da inteligência artificial vai seguir seu curso independentemente das escolhas individuais. O que muda é a posição de cada organização ao final dele.

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