Cultura organizacional, Liderança
4 minutos min de leitura
Oferecido por:

A importância do erro, do desconforto e da frustração no processo de aprendizagem 

Em organizações que cobram inovação, mas penalizam o erro, este artigo revela um paradoxo central: sem espaço para frustração e aprendizado, equipes deixam de evoluir, e a transformação que se busca nunca acontece de fato.
Fundador e CEO da B2B Match, a mais exclusiva e impactante comunidade de CEOs e C-Levels do Brasil. Com mais de duas décadas de experiência no mercado de eventos corporativos, ele já promoveu mais de 600 eventos voltados para líderes empresariais e é responsável por desenvolver experiências que conectam altos executivos e geram oportunidades de negócio em todo o país. Sob sua liderança, a B2B Match se consolidou como referência em conexões estratégicas para tomadores de decisão, reunindo mais de três mil profissionais de alto nível em eventos e iniciativas que unem conteúdo relevante, networking qualificado e impacto real para o ecossistema empresarial brasileiro.

Compartilhar:

Existe uma contradição silenciosa presente em muitas organizações: ao mesmo tempo em que líderes cobram inovação, autonomia e capacidade de adaptação, ainda são comuns culturas que penalizam erros, evitam conversas difíceis e enxergam a frustração como um sinal de fraqueza ou incompetência.

O resultado é previsível: profissionais que evitam riscos, equipes que reproduzem fórmulas conhecidas e empresas que falam sobre transformação, mas têm dificuldade de criar as condições necessárias para que ela aconteça.

A verdade é que aprender nunca foi um processo confortável. Todo desenvolvimento genuíno passa por momentos de dúvida, tentativa, erro, correção de rota e, inevitavelmente, frustração. Nesse sentido, o desconforto não é um efeito colateral da aprendizagem, ele faz parte dela.

Ainda assim, vivemos um momento em que a busca por eficiência e resultados rápidos muitas vezes cria a expectativa de que o crescimento profissional deveria acontecer sem atritos. Espera-se que colaboradores dominem novas competências rapidamente, que líderes tomem decisões corretas o tempo todo e que equipes entreguem resultados consistentes mesmo diante de cenários inéditos.

Mas o aprendizado humano não funciona dessa forma.

Ao longo da carreira, muitos profissionais foram ensinados a associar erros à incompetência.  Na verdade, desde os primeiros anos escolares, o erro costuma ser tratado como algo a ser evitado, corrigido ou punido. Essa lógica frequentemente acompanha as pessoas até o ambiente corporativo. O problema é que organizações que transformam o erro em tabu também reduzem sua capacidade de aprender.

Isso não significa normalizar falhas decorrentes de negligência ou falta de responsabilidade. Aqui ressalto que existe uma diferença importante entre erros evitáveis e erros que surgem durante processos de experimentação, inovação ou desenvolvimento.

Neste cenário, empresas mais maduras entendem que nem todo erro representa um fracasso. Em muitos casos, na verdade, ele é uma fonte valiosa de informação. Afinal, quando uma equipe pode analisar o que não funcionou sem medo de exposição ou punição imediata, aumenta significativamente sua capacidade de adaptação e evolução.

Outro elemento frequentemente mal compreendido nas organizações é a tal da frustração. Em uma cultura orientada por resultados, ela costuma ser vista como algo que precisa ser eliminado rapidamente. Entretanto, a frustração é uma resposta natural quando expectativas encontram limites, obstáculos ou realidades diferentes das imaginadas. E isso acontece o tempo todo no ambiente corporativo (e além dele!).

Quem é que nunca passou por situações em que projetos são cancelados, promoções não acontecem, estratégias precisam ser revistas, clientes mudam de comportamento e, claro, o mercado se transforma. A capacidade de lidar com essas situações é uma das competências mais importantes para profissionais e líderes.

Pessoas que nunca aprendem a conviver com a frustração tendem a desenvolver menor resiliência diante de desafios. Em contrapartida, aqueles que conseguem processar dificuldades, aprender com elas e seguir em frente fortalecem sua capacidade de adaptação.

Em um cenário de mudanças constantes, como o atual que temos vivido, essa habilidade se torna cada vez mais valiosa e o papel da liderança ganha novos ares, pois a forma como líderes reagem aos erros e às frustrações tem impacto direto sobre o comportamento das equipes.

Quando um gestor responde a falhas com julgamentos precipitados, busca culpados ou transforma erros em episódios de constrangimento, a mensagem transmitida é clara: o risco não vale a pena. Nesses ambientes, as pessoas passam a esconder problemas, evitam expor dúvidas e deixam de compartilhar aprendizados importantes.

Por outro lado, líderes que demonstram abertura para discutir falhas de forma construtiva ajudam a criar um ambiente de maior confiança e transparência. Isso não reduz a responsabilidade individual (pelo contrário). Equipes psicologicamente seguras tendem a assumir mais responsabilidade porque sabem que podem discutir desafios sem receio de represálias desproporcionais.

Outro ponto chave nesse assunto é a cultura. Muitas organizações investem tempo e recursos na definição de valores corporativos, falam sobre colaboração, inovação, aprendizado contínuo e protagonismo. Mas a cultura real não é construída pelos discursos, ela é formada pelas reações diárias diante dos acertos e dos erros.

Uma empresa que celebra apenas resultados positivos, mas ignora os aprendizados obtidos durante o percurso, corre o risco de criar uma cultura de aparência, onde as pessoas se preocupam mais em proteger sua imagem do que em evoluir. Já organizações que valorizam o aprendizado contínuo entendem que o crescimento profissional raramente acontece dentro da zona de conforto.

Por fim, aprender exige coragem!

Talvez uma das competências mais importantes para os líderes do futuro seja a capacidade de criar ambientes onde as pessoas possam aprender sem medo. Isso significa estimular a experimentação responsável, incentivar a troca de experiências, acolher o desconforto inerente ao desenvolvimento e transformar erros em oportunidades de reflexão.

Porque toda aprendizagem relevante exige algum grau de vulnerabilidade e ninguém aprende algo novo, amplia repertório  e  desenvolve maturidade profissional sem correr o risco de errar, sem enfrentar incertezas e, claro, sem passar por momentos de frustração.

Em um mundo corporativo marcado por mudanças aceleradas, a vantagem competitiva não estará apenas nas empresas que executam melhor. Estará naquelas que aprendem mais rápido. E isso só acontece quando líderes compreendem que erro, desconforto e frustração não são obstáculos ao crescimento, são, na verdade, parte essencial dele.

Compartilhar:

Fundador e CEO da B2B Match, a mais exclusiva e impactante comunidade de CEOs e C-Levels do Brasil. Com mais de duas décadas de experiência no mercado de eventos corporativos, ele já promoveu mais de 600 eventos voltados para líderes empresariais e é responsável por desenvolver experiências que conectam altos executivos e geram oportunidades de negócio em todo o país. Sob sua liderança, a B2B Match se consolidou como referência em conexões estratégicas para tomadores de decisão, reunindo mais de três mil profissionais de alto nível em eventos e iniciativas que unem conteúdo relevante, networking qualificado e impacto real para o ecossistema empresarial brasileiro.

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

Oferecido por:
4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução