Cultura organizacional
3 minutos min de leitura

A maior ilusão corporativa? Achar que processos substituem relações.

A desconexão entre pessoas custa bilhões às empresas todos os dias. Ainda assim, muitas organizações seguem tratando cultura como documento, engajamento como métrica e comunicação como ferramenta. Talvez o problema esteja justamente aí.
Esta coluna é como um convite à complexidade. Assinada pelas consultoras da HSM: Cecília Seabra e Thaís Giuliani, O “E” da questão propõe um novo olhar sobre liderança contemporânea: menos baseado em escolhas binárias e mais na capacidade de sustentar paradoxos com maturidade, repertório e presença. Inspirada no livro homônimo das autoras, esta coluna abordará temas centrais como comunicação, relações intergeracionais, confiança, inteligência artificial e cultura organizacional - sempre conectando reflexão e prática.
É professora, pesquisadora, conselheira consultiva, consultora e palestrante com quase 30 anos de estrada transformando pessoas em líderes e culturas de gestão nas empresas. LinkedIn Top Voice e uma das 100 maiores influenciadoras do país, é a mente por trás de Allboarding®, uma estratégia de gestão que substitui a competição tóxica por colaboração de alto impacto. Mulher LGBTQIAPN+ e mãe, Cecília aplica não apenas teorias de seu Mestrado (UERJ) e MBE (UFRJ), mas a experiência real de quem já trabalhou com mais de 10.000 pessoas para liderarem com a cabeça e o coração, sem sacrificar a saúde mental.
É autora, palestrante, mentora e consultora especializada em comportamento humano, liderança e relações intergeracionais. Doutora em Ciências da Informação, com foco em Tecnologia da Educação, em Portugal, e Mestre em Administração com ênfase em Liderança no Brasil, Thaís é a criadora do modelo de aprendizagem Zímago®️ - validado cientificamente na Europa - e fundadora da Geração Zímago, um hub de conhecimento voltado às novas gerações. Essa trajetória a consolidou como referência no estudo das gerações Z e Alpha. É autora do livro A Geração Z e o Modelo de Aprendizagem Zímago, publicado no Brasil e na Europa, além de coautora de diversas obras e artigos científicos. Com mais de 20 anos de experiência em gestão, hospitalidade e experiência do cliente,

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Durante muito tempo, acreditamos que processos resolveriam quase tudo. Bastava redesenhar a cultura, lançar um manifesto, criar um framework ou treinar lideranças para que os problemas desaparecessem. Essa é uma das grandes ilusões corporativas: imaginar que sistemas formais sustentam o que, na prática, só funciona quando há vínculo.

Além dos dashboards, pesquisas já apontam o quanto essa doença silenciosa custa às organizações. A EY (2025) estimou que a desconexão custa até USD 2,1 bilhões por dia. A Gartner (2025) mostrou que apenas 32% das lideranças conseguem que suas equipes adotem mudanças de forma saudável. A Deloitte (2024) reforça que a nova moeda das organizações é a confiança. E ela não nasce de manuais ou qualquer outra regra escrita: nasce de gente e da gente.

Se sabemos disso, por que seguimos investindo mais em ferramentas do que em conversas? Por que insistimos em medir engajamento sem medir vínculo? Por que tratamos cultura como documento, quando ela é experiência vivida? Por que tratamos somente os sintomas e não o que verdadeiramente adoece as organizações?

A Progic (2025) já alertou que, embora 76% das empresas digam priorizar engajamento, apenas 38% conseguem alcançar seus públicos internos de forma efetiva. E o BCG (2024) reforça que pertencimento é hoje um dos principais fatores de permanência, e não um “extra” cultural. Vínculo é infraestrutura.

E sua corrosão aparece nos detalhes: no e-mail enviado sem cuidado, na reunião que substitui uma conversa honesta, no feedback que nunca chega, no silêncio que se instala quando as pessoas param de acreditar que vale a pena falar. Como dizemos: “a troca virou transmissão; o diálogo virou aviso; a relação virou processo”.

Só que nenhum processo substitui vínculo. E sabemos disso. Embora ainda nos custe priorizar o “e” da questão.

Organizações foram desenhadas para controlar, padronizar, medir. Só que o espírito do nosso tempo é plural, veloz, ambíguo e precisa de toda a capacidade e dos diferenciais humanos para que tenha contexto. Não existe liderança forte em ambientes onde as relações são fracas. Não existe cultura sólida onde a comunicação é frágil. Não existe pertencimento onde não há espaço para pergunta e presença. Então, já passou da hora de aprender a conversar, escutar e perceber como eixos centrais para flexibilizar controle, padrões e mensurações que não abarcam as complexidades e as pluralidades.

Vamos à reflexão: o que sua organização está chamando de “problema de liderança” que, na verdade, é um problema de relação entre pessoas, independente do cargo? Que indicadores você acompanha que não dizem nada sobre o que realmente importa? Que conversas estão sendo evitadas e quais são os custos desses silêncios?

Reconstruir pontes é assumir que confiança, clareza, autonomia e protagonismo são infraestrutura de negócio. É tratar comunicação como eixo estratégico, não como ferramenta. É reconhecer que cultura é o que as pessoas vivem, e não o que está escrito na parede.

Se processos organizam o trabalho, são as relações que organizam o sentido. É ele que faz as pessoas ficarem, colaborarem, inovarem e performarem.

O fim da ilusão é o começo da realidade: vínculos são o ativo mais estratégico que uma empresa pode ter. E são eles que sustentam tudo o que vem depois.

Conta para a gente: que outras ilusões corporativas você gostaria de ver discutidas aqui, pelo “e” da questão?

Até a próxima!

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Esta coluna é como um convite à complexidade. Assinada pelas consultoras da HSM: Cecília Seabra e Thaís Giuliani, O “E” da questão propõe um novo olhar sobre liderança contemporânea: menos baseado em escolhas binárias e mais na capacidade de sustentar paradoxos com maturidade, repertório e presença. Inspirada no livro homônimo das autoras, esta coluna abordará temas centrais como comunicação, relações intergeracionais, confiança, inteligência artificial e cultura organizacional - sempre conectando reflexão e prática.

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