Marketing & growth
4 minutos min de leitura

A nova latinidade: o Brasil está se tornando desejo global

O que antes era visto como informalidade agora é diferencial: este artigo explora como a cultura brasileira vem ganhando espaço global - e se transformando em ativo estratégico nas empresas.
Sócia-fundadora da Air Branding. Bell foi a primeira mulher brasileira eleita a Chairwoman na One Agent, maior rede mundial de agências de Employer Branding e está entre as 100 personalidades do RH.

Compartilhar:

O Brasil vem ganhando visibilidade artística devido a diversos reconhecimentos, principalmente no Globo de Ouro e no Oscar em 2026, e não é só Wagner Moura que está sendo comentado pelo seu “molho”. Após 2020, segundo a ANCINE, Agência Nacional de Cinema, o Brasil passou a exportar 30% mais obras. O retrato brasileiro está em todo lugar. Isso se dá pelo fato de que carregamos uma cultura impossível de não chamar atenção, porque existe algo em nós que transborda o calor e a criatividade. Como disse Jorge Amado, somos mistura. E é dessa mistura e pluralidade que nasce essa força criativa.

Por muito tempo, a latinidade foi tratada como margem, como um traço exótico que deveria ser suavizado ou adaptado. Hoje, vejo o oposto acontecer, ela se torna desejada. Não é difícil encontrar norte-americanos e europeus reivindicando essa identidade, seja pelo idioma, pela ascendência ou, cada vez mais, pela cultura, encontrada principalmente na música e audiovisual.

Nesse movimento, surge quase como um espetáculo cultural chamado Brasilcore, uma estética que exporta nossos símbolos, nossas cores, nosso jeito de ocupar o mundo. Os movimentos que países da América Latina viveram em comum no passado em um contexto de colonização, um cenário de dependência forçada do europeu, nos moldou a criar, atualmente, nosso próprio jeito de viver o mundo, tirando algo bonito do complexo com nosso “Sázon”.

O nosso jeito de ser criativo, leve e íntimo é único e tem uma vantagem competitiva global, porque ninguém cria relações como nós latinos. Em um mundo corporativo, esse diferencial se destaca pelo carisma e intimidade que temos naturalmente, nosso jeitinho brasileiro. Segundo relatórios da Deel, plataforma global de contratação, a demanda internacional por brasileiros cresceu 53% em 2025. Isso acontece porque o país é conhecido pela adaptabilidade, criatividade e forte habilidade de criar conexões, características frequentemente apontadas por recrutadores internacionais como diferenciais competitivos dos brasileiros em ambientes de várias culturas.

1. O jeito brasileiro

Quando olho para a cultura organizacional no Brasil e na Europa, a diferença mais marcante está na forma como as relações humanas são construídas dentro do trabalho.

No Brasil, a cultura organizacional é marcada pelo que chamamos de “calor humano”, conhecido tradicionalmente na América Latina. Isso aparece em relações mais próximas, comunicação direta e afetiva, levando a uma tendência maior à informalidade. O ambiente de trabalho costuma criar relações mais genuínas, as pessoas se conectam. Há abertura para conversas espontâneas e trocas pessoais que vão além do ambiente do trabalho.

Já em muitos países europeus, a cultura organizacional tende a ser mais estruturada tradicional, que é orientada por processos. A comunicação costuma ser mais objetiva, com limites mais claros entre o pessoal e o profissional. Relações existem, claro, mas não são necessariamente o centro da dinâmica de trabalho. Em mercados como França ou Reino Unido, por exemplo, hierarquias e protocolos ainda têm um peso maior no dia a dia corporativo. Segundo o índice de distância do poder da Teoria das Dimensões Culturais, de Hofstede Insights, no eixo de individualismo, o Reino Unido (89) e a França (71) apresentam culturas mais individualistas do que o Brasil (38), indicando menor centralidade das relações pessoais na dinâmica profissional em parte da Europa.

Essa diferença não significa que um modelo seja melhor que o outro, mas o que tenho visto é que o estilo brasileiro começa a ganhar destaque por aquilo que antes era visto como “excesso”, a proximidade e a intimidade. Em ambientes multiculturais, essa capacidade de criar conexão rápida, mediar conflitos com empatia e navegar incertezas com criatividade se torna uma vantagem competitiva real.

2. O Employer Branding 

Todo esse movimento de valorização da latinidade, da cultura brasileira e do chamado BrasilCore se reflete diretamente na forma como empresas precisam se posicionar para atrair, engajar e reter talentos. É aqui que o Employer Branding passa a ser uma estratégia essencial.

Ele permite traduzir cultura em narrativa, e narrativa em atração de talentos. Ele constrói uma Proposta de Valor ao Colaborador (EVP) clara, que envolve cultura, propósito, desenvolvimento e ambiente de trabalho. Ou seja, aquilo que realmente sustenta a experiência de quem trabalha na organização.

Isso significa olhar para dentro antes de comunicar para fora. Significa entender identidade, alinhar expectativas e transformar cultura em algo reconhecível para o mercado de talentos. A Air Branding, por exemplo, atua dessa forma, conectando elementos da identidade que a marca quer criar para atrair os talentos desejados de acordo com os próprios valores. Assim, o Employer Branding se torna a ponte entre identidade e percepção. E, quando falamos de Brasil, essa ponte tem um diferencial claro, a nossa forma de criar relações. O que antes era visto como informalidade hoje é reconhecido como vantagem competitiva. E é nesse ponto que a nossa latinidade pode ser estratégia de negócio.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que significa educar quando as máquinas também aprendem?

Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.

As pessoas vão permanecer mais tempo, sua empresa está pronta?

Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

A decisão mais difícil do roadmap de IA não é técnica

Dados, modelo e experiência competem pelo mesmo backlog, e cada frente pode apresentar uma justificativa tecnicamente correta para receber o próximo investimento. Decidir entre elas, exige uma maturidade que poucos times de produto desenvolveram, e uma clareza estratégica que poucas empresas conseguem articular.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
16 de junho de 2026 15H00
O mercado discute o futuro - mas continua ignorando quem já está pronto para trabalhar. Este artigo chama atenção para um movimento ignorado: a crescente presença da geração 60+, e o custo de continuar excluindo um dos recursos mais experientes e disponíveis da força de trabalho.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de junho de 2026 09H00
Na estreia da coluna, as autoras, Cecília Seabra e Thais Giuliani, propõem uma mudança de paradigma na liderança: sair das explicações rápidas e dos julgamentos para construir relações mais consistentes por meio da escuta, da curiosidade e da integração de diferenças.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

7 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
15 de junho de 2026 15H00
Colesterol, cardiologista, academia. Tudo certo. Só falta mencionar o que, de fato, está tirando as pessoas de campo.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
15 de junho de 2026 08H00
A liderança não cabe mais em rótulos e quem ainda pensa assim pode estar ficando para trás. Este artigo mostra como a valorização de perfis não lineares e a capacidade de integrar múltiplas experiências redefinem o conceito de talento nas organizações.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
14 de junho de 2026 15H00
Mais do que falta de talento ou tecnologia, este artigo revela o verdadeiro risco das organizações modernas: pessoas que deixam de dizer o que pensam. Este artigo demonstra como isso compromete decisões, inovação e resultados sem que ninguém perceba.

Valter Bahia Filho – Autor e consultor educacional

6 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Estratégia
14 de junho de 2026 08H00
Ao revisitar o colapso e a reinvenção da Japan Airlines, este artigo revela, à luz dos princípios do Aikido, que a verdadeira transformação organizacional não começa na estratégia, mas na superação do ego - quando liderança, propósito e consciência coletiva entram em fluxo.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
13 de junho de 2026 15H00
Inspirado por um colapso histórico no esporte, este artigo revela um dos riscos mais silenciosos das organizações: equipes talentosas deixam de performar quando a confiança desaparece - e a liderança não cria um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para falar, participar e contribuir de verdade.

Dr. Cristiano Nabuco - Reitor da Artmed School of Psychology (APSY)

6 minutos min de leitura
Marketing & growth
13 de junho de 2026 08H00
Em um cenário de mercado mais seletivo e volátil, este artigo mostra por que resultados consistentes não dependem de talento individual, mas da capacidade da liderança comercial de estruturar processos, diagnosticar com precisão e transformar vendas em uma operação científica.

Natalia Coca - Fundadora da FunFlow, estrategista de vendas e palestrante

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
12 de junho de 2026 14H00
Entre piscinas, quadras e salas de conselho, este artigo mostra por que a performance sustentável não nasce do excesso de esforço, mas da capacidade de alinhar foco, descanso, decisão e leitura de contexto na liderança.

Thierry Marcondes

0 min de leitura
Inovação & estratégia, Marketing & growth
12 de junho de 2026 09H00
O preço do aparelho é só o começo - o custo real aparece no uso. Este artigo revela como custos ocultos e recorrentes redefinem a lógica de consumo de smartphones e impulsionam novos modelos de uso.

Stephanie Peart - Head da Leapfone

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão