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Aprenda a dizer não

O mundo nos oferece mais do que jamais poderemos fazer ou experimentar e é bem fácil se perder nos atalhos.
Marcelo Nóbrega é especialista em Inovação e Tecnologia em Gestão de Pessoas. Após 30 anos no mundo corporativo, hoje atua como investidor-anjo, conselheiro e mentor de HR TechsÉ professor do Mestrado Profissional da FGV-SP e ministra cursos de pós-graduação nesta e em outras instituições sobre liderança, planejamento estratégico de RH, People Analytics e AI em Gestão de Pessoas. Foi eleito o profissional de RH mais influente da América Latina e Top Voice do LinkedIn em 2018. É autor do livro “Você está Contratado!” e host do webcast do mesmo nome. É Mestre em Ciência da Computação pela Columbia University e PhD pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Uma de minhas leituras durante este experimento coletivo involuntário de distanciamento social foi Essencialismo, de Greg Mckeown. Para o autor, é fundamental aprender a dizer não e, assim, direcionar a energia para o que nos fará alcançar nossos objetivos. 

É como descascar cebola, sabe?

Ou seja, explorar com cuidado as diferentes camadas e identificar o que sabemos e gostamos de fazer e que tem capacidade de trazer valor para o mundo.

Malcolm Gladwell, em Outliers, tangencia o mesmo ponto, quando afirma que pessoas talentosas se beneficiam da convergência de condições, que cria ambientes de horas contínuas de esforço e treinamento, na expectativa de, um dia, serem reconhecidas por isso.

Segundo David Rock – já comentei sobre ele em alguns webinários – o ser humano busca autonomia, certeza e conexão. E em nome da tal autonomia, erradamente trabalha dias a fio, sem trégua, como se isso o tornasse dono do tempo. Quanto engano! Terreno fértil para semear um belo burnout. 

Domenico de Masi publicou o livro “Ócio Criativo” em 1995. Uma resposta ao modelo da idolatria à competitividade. O autor defende que nos libertemos da perspectiva do trabalho como obrigação ou dever. Que joguemos no liquidificador trabalho-estudo-lazer e façamos desse caldo algo eficiente, mas prazeroso.

Mudando de contexto, temos Drucker ensinando a valorizar os nossos pontos fortes. Não adianta perder tempo se digladiando com fragilidades. Insistindo nisso, seremos no máximo medianos, como pessoas e profissionais. O negócio é trabalhar com aquilo que você faz de melhor.

Moral da história: aprenda a dizer não. O mundo é aquela coisa enorme, que nos oferece mais do que jamais poderemos fazer ou experimentar. E que ainda tem a capacidade de se abrir em múltiplas direções interessantes. É bem fácil se perder nos atalhos. 

“Aprendiz de mucho, maestro de nada”, diz o sábio ditado espanhol.

São vários os motivos que nos impedem de dizer não para propostas ou demandas profissionais ou pessoais. O próprio Essencialismo é um paradoxo – lembra do ´P´ em VUPCA? – quanto mais assoberbada a vida, mais precisamos encontrar tempo para pensar. Mais precisamos nos distrair, fazer o tempo passar. A título de curiosidade, ‘distrair-se’ vem de distrahere ou separar, puxar em diversas direções´. Complicou.

O que isso tem a ver com tirar um sabático? 

Tudo!

Conheci histórias de pessoas que elevaram o conceito de sabático a um novo patamar de sofisticação. #umdiachegolá

Como a de Stefan Sagmeister, fundador de uma empresa de design baseada em Nova York, que assinou capas de álbuns para os Rolling Stones, Aerosmith e outras bandas. Stefan faz um sabático a cada sete anos. Ele simplesmente mete na porta do escritório uma tabuleta de  Closed! Tem até uma TED sobre isso, lógico!

Ferran Adriá costumava fechar seu famoso restaurante durante seis meses ao ano para se dedicar a pesquisas. E acabou desistindo definitivamente do restaurante, após um desses sabáticos. Outro caso interessante na gastronomia é o do chef do Mugaritz, Adonin Anduriz, um cara com duas estrelas no guia Michelin: só funciona oito meses por ano. Tem também histórias mais manjadas, graças a canais de streaming, como a Netflix: desde a década de 1980, Bill Gates se isola do mundo em duas Think Weeks anuais – período em que lê de tudo e um pouco mais.

“O homem que trabalha perde tempo precioso”, diz a frase atribuída a Domenico de Masi.

Sabatique-se com um barulho desses!

E para incomodar ainda mais, temos os gênios que fizeram coisas extraordinárias quando em  afastamento. Frida Kahlo e Isaac Newton, por exemplo. A artista mexicana aperfeiçoou-se como pintora, após um acidente aos 18 anos que a deixou confinada a uma cama. O físico inglês sobreviveu à peste bubônica de 1665, época em que 1 em cada 4 moradores de Londres sucumbiu à praga.

O certo é que, neste exato momento, há pessoas criando, construindo coisas extraordinárias. E há outras, como alguns animais, hibernando em meio ao ambiente inóspito e acordarão, mais ali adiante, revigoradas. 

Não tem certo ou errado.  Tem o tempo de cada um. Com ou sem pandemia. 

Saudações sabaticosas!

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Marcelo Nóbrega é especialista em Inovação e Tecnologia em Gestão de Pessoas. Após 30 anos no mundo corporativo, hoje atua como investidor-anjo, conselheiro e mentor de HR TechsÉ professor do Mestrado Profissional da FGV-SP e ministra cursos de pós-graduação nesta e em outras instituições sobre liderança, planejamento estratégico de RH, People Analytics e AI em Gestão de Pessoas. Foi eleito o profissional de RH mais influente da América Latina e Top Voice do LinkedIn em 2018. É autor do livro “Você está Contratado!” e host do webcast do mesmo nome. É Mestre em Ciência da Computação pela Columbia University e PhD pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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