Liderança
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Aprendi que até no Japão as mulheres conseguem quebrar regras

Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.
Fundado em 2013 por Luiza Helena Trajano e outras 40 mulheres, o Grupo Mulheres do Brasil é uma das maiores redes de mobilização feminina do país. Com mais de 140 mil participantes no Brasil e no exterior, atua em frentes como educação, empreendedorismo, equidade de gênero, inclusão social, cidadania, sustentabilidade, defesa de políticas públicas e combate à violência contra mulheres e meninas. Por meio da articulação entre sociedade civil, iniciativa privada e poder público, desenvolve projetos e ações que contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva. Saiba mais: https://www.instagram.com/grupomulheresdobrasil
Fundadora e presidente da Blue Tree Hotels. Formada em Direito pela Universidade de São Paulo(USP), fez cursos em cultura e arte japonesa na Sofia University, em Tóquio, e em Hotelaria na Cornell University, nos Estados Unidos. Trabalhou em diversos lugares do mundo como Estados Unidos, Ásia e Europa, como presidente da rede Caesar Park e como vice chairman da Westin, uma das mais tradicionais redes hoteleiras dos Estados Unidos. Participa de diversas Organizações e de Conselhos, tais como: vice-presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau, vice-presidente do Grupo Mulheres do Brasil, Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República – CDESS, da Academia Brasileira de Eventos, da Academia Brasileira de Marketing, do Conselho Superior Multidisciplinar/FIESP

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Fui convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão. Confesso que fiquei surpresa. O Japão sempre foi reconhecido por sua tradição e por protocolos muito rígidos, especialmente em eventos oficiais. Mesmo assim, aquele era um momento histórico: o país começava a abrir novos espaços para a liderança feminina.

Recebi o convite e imediatamente pensei em Luiza Helena Trajano. Convidei-a para ir comigo. Mas quem conhece a Luiza sabe que ela nunca caminha sozinha. Ela acredita que crescer faz sentido quando crescemos juntas.

Foi assim que aconteceu o inesperado.

O governo japonês havia convidado uma pessoa. Nós chegamos em 34 brasileiras.

Grupo Mulheres do Brasil na 1ª Convenção realizada no Japão | Foto: Arquivo pessoal Chieko Aoki

Imaginem a preocupação dos organizadores. No Japão, tudo é planejado nos mínimos detalhes: se convidam uma pessoa, esperam uma pessoa; se convidam cinco, chegam cinco. De repente, desembarcou um grupo de mulheres movidas pelo desejo de aprender, compartilhar e fortalecer umas às outras.

Entre muitos desafios, negociações, o apoio irrestrito do Consulado Geral do Japão em São Paulo, o trabalho da agência de turismo e, principalmente, o espírito de união de todas, conseguimos realizar aquela viagem.

Foi ali que aprendi uma das maiores lições da minha vida: até no Japão as mulheres conseguem quebrar regras quando estão unidas por um propósito maior.

No final, todos ficaram felizes. A viagem foi um sucesso. O próprio primeiro-ministro fez questão de tirar uma foto conosco.

Mas o maior resultado daquela experiência não foi a fotografia. Foi o que nasceu entre nós. Voltamos diferentes.
Descobrimos o verdadeiro significado de Kizuna: laços profundos que permanecem para toda a vida.

Vivemos também o verdadeiro sentido de Ichigo Ichie: compreender que determinados encontros acontecem apenas uma vez e têm o poder de transformar para sempre a nossa história.

Não foi apenas uma viagem ao Japão. Foi uma experiência de pertencimento. De amizade. De aprendizado. De propósito.

Até hoje existe uma ligação muito forte entre todas as mulheres que participaram daquela jornada. Criou-se uma energia de confiança, colaboração e afeto que continua viva muitos anos depois.

E talvez essa seja uma das maiores forças dos ambientes que reúnem mulheres dispostas a compartilhar experiências. Quando pessoas com trajetórias diferentes se encontram em torno de um propósito comum, surgem aprendizados que dificilmente acontecem de forma isolada.

Foi assim naquela viagem. E continuo acreditando que é assim que nascem movimentos capazes de gerar impacto duradouro.

Quando vivemos experiências em grupo, a jornada começa antes mesmo do destino e continua muito depois do retorno. O que levamos conosco não são apenas informações ou conhecimentos adquiridos. Levamos relações, referências, exemplos e novas formas de enxergar o próprio potencial.

Ao longo da minha trajetória, observei inúmeras vezes o quanto redes de confiança entre mulheres podem acelerar aprendizados, fortalecer carreiras e ampliar oportunidades. Muitas vezes, uma conversa, um incentivo ou um exemplo compartilhado têm o poder de mudar caminhos inteiros.

Grupo Mulheres do Brasil com o Primeiro-Ministro na 1ª Convenção realizada no Japão | Foto: Arquivo pessoal Chieko Aoki

Aquela viagem ao Japão me ensinou que, quando mulheres caminham juntas, elas voltam maiores do que quando partiram.

Voltam mais fortalecidas. Mais confiantes. Com novas amizades. Novos conhecimentos. E uma visão ampliada das possibilidades que existem à sua frente.

Mais do que eventos, encontros ou projetos específicos, acredito na construção de comunidades capazes de aprender juntas, crescer juntas e transformar a realidade ao seu redor.

Por isso, deixo uma pergunta: Você quer apenas assistir às transformações que estão acontecendo ou deseja fazer parte delas?

Porque a força de uma mulher é extraordinária. Mas a força de muitas mulheres caminhando juntas pode transformar realidades inteiras.

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Fundado em 2013 por Luiza Helena Trajano e outras 40 mulheres, o Grupo Mulheres do Brasil é uma das maiores redes de mobilização feminina do país. Com mais de 140 mil participantes no Brasil e no exterior, atua em frentes como educação, empreendedorismo, equidade de gênero, inclusão social, cidadania, sustentabilidade, defesa de políticas públicas e combate à violência contra mulheres e meninas. Por meio da articulação entre sociedade civil, iniciativa privada e poder público, desenvolve projetos e ações que contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva. Saiba mais: https://www.instagram.com/grupomulheresdobrasil

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