Liderança
3 minutos min de leitura

Aprendi que até no Japão as mulheres conseguem quebrar regras

Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.
Fundado em 2013 por Luiza Helena Trajano e outras 40 mulheres, o Grupo Mulheres do Brasil é uma das maiores redes de mobilização feminina do país. Com mais de 140 mil participantes no Brasil e no exterior, atua em frentes como educação, empreendedorismo, equidade de gênero, inclusão social, cidadania, sustentabilidade, defesa de políticas públicas e combate à violência contra mulheres e meninas. Por meio da articulação entre sociedade civil, iniciativa privada e poder público, desenvolve projetos e ações que contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva. Saiba mais: https://www.instagram.com/grupomulheresdobrasil
Fundadora e presidente da Blue Tree Hotels. Formada em Direito pela Universidade de São Paulo(USP), fez cursos em cultura e arte japonesa na Sofia University, em Tóquio, e em Hotelaria na Cornell University, nos Estados Unidos. Trabalhou em diversos lugares do mundo como Estados Unidos, Ásia e Europa, como presidente da rede Caesar Park e como vice chairman da Westin, uma das mais tradicionais redes hoteleiras dos Estados Unidos. Participa de diversas Organizações e de Conselhos, tais como: vice-presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau, vice-presidente do Grupo Mulheres do Brasil, Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República – CDESS, da Academia Brasileira de Eventos, da Academia Brasileira de Marketing, do Conselho Superior Multidisciplinar/FIESP

Compartilhar:

Fui convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão. Confesso que fiquei surpresa. O Japão sempre foi reconhecido por sua tradição e por protocolos muito rígidos, especialmente em eventos oficiais. Mesmo assim, aquele era um momento histórico: o país começava a abrir novos espaços para a liderança feminina.

Recebi o convite e imediatamente pensei em Luiza Helena Trajano. Convidei-a para ir comigo. Mas quem conhece a Luiza sabe que ela nunca caminha sozinha. Ela acredita que crescer faz sentido quando crescemos juntas.

Foi assim que aconteceu o inesperado.

O governo japonês havia convidado uma pessoa. Nós chegamos em 34 brasileiras.

Grupo Mulheres do Brasil na 1ª Convenção realizada no Japão | Foto: Arquivo pessoal Chieko Aoki

Imaginem a preocupação dos organizadores. No Japão, tudo é planejado nos mínimos detalhes: se convidam uma pessoa, esperam uma pessoa; se convidam cinco, chegam cinco. De repente, desembarcou um grupo de mulheres movidas pelo desejo de aprender, compartilhar e fortalecer umas às outras.

Entre muitos desafios, negociações, o apoio irrestrito do Consulado Geral do Japão em São Paulo, o trabalho da agência de turismo e, principalmente, o espírito de união de todas, conseguimos realizar aquela viagem.

Foi ali que aprendi uma das maiores lições da minha vida: até no Japão as mulheres conseguem quebrar regras quando estão unidas por um propósito maior.

No final, todos ficaram felizes. A viagem foi um sucesso. O próprio primeiro-ministro fez questão de tirar uma foto conosco.

Mas o maior resultado daquela experiência não foi a fotografia. Foi o que nasceu entre nós. Voltamos diferentes.
Descobrimos o verdadeiro significado de Kizuna: laços profundos que permanecem para toda a vida.

Vivemos também o verdadeiro sentido de Ichigo Ichie: compreender que determinados encontros acontecem apenas uma vez e têm o poder de transformar para sempre a nossa história.

Não foi apenas uma viagem ao Japão. Foi uma experiência de pertencimento. De amizade. De aprendizado. De propósito.

Até hoje existe uma ligação muito forte entre todas as mulheres que participaram daquela jornada. Criou-se uma energia de confiança, colaboração e afeto que continua viva muitos anos depois.

E talvez essa seja uma das maiores forças dos ambientes que reúnem mulheres dispostas a compartilhar experiências. Quando pessoas com trajetórias diferentes se encontram em torno de um propósito comum, surgem aprendizados que dificilmente acontecem de forma isolada.

Foi assim naquela viagem. E continuo acreditando que é assim que nascem movimentos capazes de gerar impacto duradouro.

Quando vivemos experiências em grupo, a jornada começa antes mesmo do destino e continua muito depois do retorno. O que levamos conosco não são apenas informações ou conhecimentos adquiridos. Levamos relações, referências, exemplos e novas formas de enxergar o próprio potencial.

Ao longo da minha trajetória, observei inúmeras vezes o quanto redes de confiança entre mulheres podem acelerar aprendizados, fortalecer carreiras e ampliar oportunidades. Muitas vezes, uma conversa, um incentivo ou um exemplo compartilhado têm o poder de mudar caminhos inteiros.

Grupo Mulheres do Brasil com o Primeiro-Ministro na 1ª Convenção realizada no Japão | Foto: Arquivo pessoal Chieko Aoki

Aquela viagem ao Japão me ensinou que, quando mulheres caminham juntas, elas voltam maiores do que quando partiram.

Voltam mais fortalecidas. Mais confiantes. Com novas amizades. Novos conhecimentos. E uma visão ampliada das possibilidades que existem à sua frente.

Mais do que eventos, encontros ou projetos específicos, acredito na construção de comunidades capazes de aprender juntas, crescer juntas e transformar a realidade ao seu redor.

Por isso, deixo uma pergunta: Você quer apenas assistir às transformações que estão acontecendo ou deseja fazer parte delas?

Porque a força de uma mulher é extraordinária. Mas a força de muitas mulheres caminhando juntas pode transformar realidades inteiras.

Compartilhar:

Fundado em 2013 por Luiza Helena Trajano e outras 40 mulheres, o Grupo Mulheres do Brasil é uma das maiores redes de mobilização feminina do país. Com mais de 140 mil participantes no Brasil e no exterior, atua em frentes como educação, empreendedorismo, equidade de gênero, inclusão social, cidadania, sustentabilidade, defesa de políticas públicas e combate à violência contra mulheres e meninas. Por meio da articulação entre sociedade civil, iniciativa privada e poder público, desenvolve projetos e ações que contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva. Saiba mais: https://www.instagram.com/grupomulheresdobrasil

Artigos relacionados

Aprendi que até no Japão as mulheres conseguem quebrar regras

Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

Da produção à curadoria: a nova lógica da relevância digital

O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.

Por que todos os líderes começaram a soar iguais?

A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Live marketing ganha força na era da distração

Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

Estratégia, Gestão de recursos
25 de junho de 2026 15H00
A teoria dos jogos expõe o erro estrutural por trás do modelo reativo que consome bilhões sem gerar resultados proporcionais. Este artigo mostra que não falta dinheiro na saúde, falta estratégia para usar.

Dr. Jorge Luiz Andrade - Anestesiologista e vice-presidente da Unimed Nova Iguaçu

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
25 de junho de 2026 08H00
Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
24 de junho de 2026 15H00
Dados, modelo e experiência competem pelo mesmo backlog, e cada frente pode apresentar uma justificativa tecnicamente correta para receber o próximo investimento. Decidir entre elas, exige uma maturidade que poucos times de produto desenvolveram, e uma clareza estratégica que poucas empresas conseguem articular.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo, professor de MBA na USP/ESALQ e FIAP, palestrante e especialista em Inteligência Artificial, Transformação Digital e Produtos Digitais

9 minutos min de leitura
Liderança
24 de junho de 2026 08H00
Este artigo propõe um deslocamento essencial: mais do que acumular informação, a liderança precisa desenvolver discernimento - a capacidade de interpretar com clareza quando a pressão empurra para decisões automáticas.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Liderança
23 de junho de 2026 14H00
Uma meta mal definida não impulsiona, trava. Este artigo revela como metas mal calibradas podem desconectar equipes e comprometer resultados, mostrando que o verdadeiro desafio da liderança está em equilibrar ambição e viabilidade para sustentar desempenho ao longo do tempo.

Denise Joaquim Marques -Consultora de negócios especializada em Vendas e Marketing

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
23 de junho de 2026 08H00
Em organizações que cobram inovação, mas penalizam o erro, este artigo revela um paradoxo central: sem espaço para frustração e aprendizado, equipes deixam de evoluir, e a transformação que se busca nunca acontece de fato.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de junho de 2026 15H00
Talvez o maior erro da inovação seja tentar adivinhar o futuro, em vez de entender o que já está diante de nós.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
22 de junho de 2026 09H00
Este artigo mostra como o avanço da IA e da computação em nuvem está redesenhando a eficiência operacional, e por que uma nova geração de gestão de custos se tornou estratégica.

Paulo Laurentys - Chief Commercial Officer (CCO) da A3Data

4 minutos min de leitura
Liderança
21 de junho de 2026 15H00
A partir de uma experiência em meio a mudanças estruturais no setor financeiro, este artigo mostra que, em cenários de alta complexidade, o papel da liderança vai além da operação, exigindo capacidade de sustentar cultura, alinhar expectativas e manter a confiança em meio à incerteza.

Victor Papi - General Manager da Transfeera

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
21 de junho de 2026 08H00
Pagar mais já não basta, médicos estão escolhendo onde trabalhar pelo “como”, não pelo “quanto”. Este artigo revela como a disputa por médicos qualificados está sendo redefinida por fatores estruturais, organizacionais e de experiência profissional.

Rafael Duarte - CEO e fundador do Grupo RD Medicine

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo