Uncategorized

(Auto)gestão, consciência organizacional e Amor

Vale a pena olhar para a evolução dos sistemas de gestão como caminho para destravar a produtividade
Dario Neto é diretor geral do Instituto Capitalismo Consciente Brasil e CEO do Grupo Anga. Também é pai do Miguel e marido da Bruna. Marcel Fukayama é diretor geral do Sistema B Internacional e cofundador da consultoria em negócios de impacto Din4mo.

Compartilhar:

A forma como as empresas se organizam e são geridas está intimamente ligada aos paradigmas de época. Laloux, em Reinventando as organizações, ilustra muito bem como o contexto social e econômico ao longo dos séculos foi moldando os paradigmas de gestão, desde o autoritarismo, passando por hierarquias bastante demarcadas e estáveis, seguidas por organizações meritocráticas e altamente competitivas e, mais próximo do nosso tempo, por organizações verdes orientadas para stakeholders e com foco em cultura e propósito mais do que em estratégia. 

Muitas das chamadas organizações humanizadas, conscientes ou B Corps do mundo são os modelos “verdes” de Laloux, paradigma destes tempos que vivemos. E destas, inclusive, já emergiram muitas das novas formas de organização de times e do trabalho, como o Agile ou o Lean. 

Talvez uma das tensões que melhor ilustraram a transição de era nos sistemas de gestão e paradigmas organizacionais seja o dado do Instituto Gallup de 2013, que revelou a existência de assustadores 70% de colaboradores não engajados com seu trabalho, infelizes e pouco comprometidos nos Estados Unidos. Para além de fazer organizações com paradigmas anteriores migrarem para o verde, os healing leaders de que tratamos nesta coluna certamente já se preocupam com as novas tensões da nossa era e com o futuro emergente. Mas que futuro é esse?

Daniel Friedland, neurocientista e autor de Leading Well from Within, crava que as verdadeiras “organizações que curam” são sistemas vivos, com propósito evolutivo, nas quais as pessoas se encontram para fortalecer seus vínculos de confiança e, por meio deles, fazerem o trabalho com muito mais eficiência e eficácia. Laloux batiza esse nível mais evoluído de consciência organizacional de “teal” e oferece importantes drivers de gestão para os que querem alcançá-lo, em especial (1) a autogestão como ferramenta para distribuição de poder e (2) a integralidade, que pressupõe as pessoas estarem no local de trabalho por inteiro, sendo quem realmente são. 

Então, caro healing leader que nos lê, para que você empreenda o próximo passo em sua gestão organizacional, recomendamos que:

**1. Identifique seu nível de consciência organizacional atual.**

O framework de Laloux – que classifica as organizações em vermelha (impulsiva), âmbar (conformista), laranja (conquistadora), verde (pluralista) e teal (evolutiva) – é uma ferramenta poderosa para identificar o estado atual da sua empresa. É possível ganhar perspectiva sobre quais são exatamente os seus paradigmas e premissas de gestão e como eles atuam em conjunto para fazer sua organização entregar valor (ou não). 

**2. Tenha claro qual é o seu próximo passo evolutivo.**

Se hierarquia demarcada, comando e controle, e foco no acionista forem os paradigmas (âmbar) regentes da gestão atual, e se você realmente sente que precisa evoluir, talvez o mais diligente a fazer seja mirar seu próximo passo em despertar o propósito, o cuidado com stakeholders e a humanização de maneira geral. A autogestão e a integralidade típicas de organizações teal podem ser um passo muito grande para dar nesse momento.

**3. Dê os primeiros passos a partir das premissas que vão reger a evolução de seu sistema de gestão.**

Esses passos evolutivos precisam ser muito bem planejados e, preferencialmente, assistidos por especialistas. Se autogestão é um próximo estágio factível para você, transparência, autonomia e confiança são, por exemplo, os drivers de gestão a serem homeopaticamente incluídos na cultura. Entenda os novos paradigmas desejados e crie formas de implementá-los na prática em times específicos com mais suscetibilidade para recepcioná-los.

Seja verde ou teal, o que sabemos é que o futuro da gestão – e, portanto, da produtividade – integra resultado e cuidado. É um fenômeno de longo prazo já validado academicamente com dezenas e dezenas de bons exemplos no Brasil e nos Estados Unidos por meio do movimento Capitalismo Consciente. A melhor forma de se dar bem (e aí incluímos novamente produtividade como um indicador de que uma organização se deu bem) é, comprovadamente, fazer o bem para todos os stakeholders, inclusive os acionistas. Talvez seja o começo da era dos “love based management systems”.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Por que lavar as mãos ainda é uma das maiores armas da medicina?

Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Bem-estar & saúde, Estratégia
30 de junho de 2026 15H00
A partir dos sinais do Web Summit Rio 2026, este artigo mostra como a saúde mental deixou de ser benefício periférico para se tornar uma variável crítica de negócio, impactando investimento, regulação e a própria sustentabilidade das empresas.

Weber Stival - Fundador e CEO da Unolife.

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de junho de 2026 08H00
A NR-1 mudou a regra: cuidar da saúde mental agora exige gestão. Este artigo mostra como a nova norma transforma riscos psicossociais em variável estratégica, exigindo das empresas organização, método e accountability na gestão do ambiente de trabalho.

Erich Silva - COO e Head de Talentos da Lecom

3 minutos min de leitura
Liderança
29 de junho de 2026 16H00
Ao revisitar a história de Francisco Serrão, este artigo propõe uma inversão rara na lógica da liderança contemporânea: talvez a verdadeira coragem não esteja em continuar a todo custo, mas da capacidade de definir limites.

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de junho de 2026 08H00
Ao contrastar o poder das big techs ocidentais com a força industrial e estrutural do Oriente, este artigo amplia a leitura sobre inovação e revela que o futuro da economia global não será definido por empresas isoladas, mas pela interação entre ecossistemas tecnológicos interdependentes.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de junho de 2026 15H00
Com Sérgio Frangioni e a Blanver como pontos de observação, o terceiro artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira investiga como decisões empresariais, PDPs, IFAs e produção local podem aproximar inovação farmacêutica da vida concreta dos pacientes.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

13 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de junho de 2026 08H00
Diante de um cenário de sobrecarga crescente no trabalho, este artigo mostra que o problema não está apenas no volume, mas na forma como o trabalho é organizado, e apresenta caminhos práticos para redesenhá-lo com mais significado, autonomia e energia.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Estratégia
27 de junho de 2026 15H00
Mais do que acumular experiências, este artigo propõe uma mudança na forma de pensar carreira, apoiando-se em conceitos como “capital profissional” (composto de cinco capitais) e “professional equity”

Nathália Brandão - Head de Educação Corporativa no TikTok LATAM, Escritora e Forbes Under 30

5 minutos min de leitura
Liderança
27 de junho de 2026 08H00
Na estreia da coluna do Grupo Mulheres do Brasil, este artigo mostra que a liderança do futuro não será construída por decisões individuais, mas pela capacidade de mobilizar diversidade, escuta e inteligência coletiva para enfrentar desafios que já não cabem em uma única visão.

Andrea Gasques - Diretora de Comunicação do Grupo Mulheres do Brasil

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de junho de 2026 14H00
Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.

Janaina Calazans - Gerente de Ensino Superior da CESAR School

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de junho de 2026 08H00
Este artigo revela por que o verdadeiro desafio da IA não é adoção, mas uso intencional, capaz de ampliar o pensamento, e não substituí-lo.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo