Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 minutos min de leitura

Automação não substitui pessoas. Substitui o trabalho repetitivo que faz talentos pedirem demissão

Automação não é sobre substituir pessoas, mas sobre devolver tempo e propósito: eliminar tarefas repetitivas é a chave para engajamento, retenção e uma gestão mais estratégica.
CEO da Lecom, Tiago é especialista em Gestão de Projetos na FGV e formado em Sistemas da Informação pela UNESP, onde também se especializou em Gestão Empresarial.

Compartilhar:


Automação não pode ser confundida com substituição de pessoas. Na realidade, é uma estratégia para liberar profissionais de tarefas repetitivas, operacionais e sem valor analítico. Com isso, ajuda a resgatar o valor percebido no próprio trabalho e reduz o risco de desmotivação, queda de engajamento e demissões voluntárias.

Um estudo da Talker Research para a Grammarly, com 2.000 profissionais nos EUA, revela que 62% das pessoas desejam automatizar tarefas rotineiras com apoio de IA. Esses profissionais lidam, em média, com 53 tarefas repetitivas por semana, incluindo preencher planilhas (34%), escrever e-mails (35%) e redigir atas (33%). Não por acaso, 44% afirmam odiar a parte repetitiva de seus trabalhos. 

Outro estudo, conduzido pela Gallup em 2025, revelou que o engajamento global no trabalho caiu para apenas 21%, um dos níveis mais baixos já registrados. Isso custa US$ 438 bilhões por ano à economia mundial. Mas o impacto vai além do financeiro, já que processos ineficientes fazem com que bons profissionais saiam por desmotivação, saturação e falta de propósito.

É nesse cenário que a automação se torna essencial. RPA (automação robótica de processos), BPM (gerenciamento de processos de negócio) e IA já têm o potencial de automatizar até 70% do tempo gasto em tarefas operacionais, segundo a McKinsey. Não estamos falando apenas de melhorar processos, mas de devolver tempo e energia para as pessoas focarem no que realmente importa, tornando-se profissionais mais estratégicos para as organizações.

Essa mudança, porém, exige orquestração. A transição entre o modelo atual e um ambiente de trabalho mais inteligente demanda revisão de processos e uso adequado de tecnologia.


Como a automação de processos ajuda times a serem mais estratégicos

Automatizar significa redesenhar o processo de trabalho como um todo, mapeando o início, meio e fim de uma jornada operacional e identificando os pontos em que a intervenção humana não gera valor.

É preciso rever fluxos que ninguém questiona há anos porque “sempre foi assim”. Isso inclui revisar processos fragmentados, aprovações manuais, retrabalho por falhas de integração, controles em planilhas paralelas e fluxos de atendimento mal definidos. Ou seja, revisar tarefas que consomem muito tempo de times inteiros.

Nesse contexto, tecnologias como BPM ajudam a orquestrar processos de ponta a ponta; RPA executa tarefas repetitivas com precisão e rastreabilidade; e agentes de IA interpretam dados, geram respostas, tomam decisões baseadas em regras de negócio e auxiliam na personalização de interações.

Também é fundamental garantir que essas automações estejam integradas aos sistemas existentes, sejam eles legados ou modernos. Isso evita silos de informação e permite que os dados circulem entre áreas, promovendo visibilidade, agilidade e consistência nas entregas.

Portanto, quando bem aplicada, a automação deixa de ser um recurso isolado para se tornar parte estrutural da operação da empresa. Seu impacto é direto em indicadores como tempo de ciclo, custo por processo, qualidade da entrega e, acima de tudo, na satisfação das pessoas envolvidas.

Dito isso, as empresas que ignorarem essa transformação vão continuar perdendo talentos. Não por falta de salário ou benefícios, mas porque insistem em ocupar profissionais de alto potencial com tarefas que não agregam valor.

É um erro manter pessoas lidando com problemas que a tecnologia já consegue resolver sozinha. O time percebe que seu tempo está sendo desperdiçado, e começa a buscar lugares onde o trabalho faz mais sentido.

Nesse cenário, a automação passa a ser uma aliada da gestão de pessoas. Empresas que incorporam esse entendimento estão redesenhando seus processos e a experiência do trabalho. Elas entendem que eficiência não é apenas um ganho operacional, é um fator de retenção de talentos.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O esporte que você ama mudou – e isso é uma ótima notícia

Do vestiário aos dados, o esporte entrou em uma nova era. Este artigo mostra como tecnologia, ciência e informação estão redefinindo decisões, performance, engajamento de torcedores e modelos de receita – sem substituir a emoção que faz o jogo ser o que é

Parte II – Hyperstition: a tecitura ficcional da realidade

Este é o segundo artigo da série “Como promptar a realidade” e investiga como ficções, ao entrarem em loops de feedback, deixam de descrever o mundo para disputar ontologia – reorganizando mercados, política, tecnologia e comportamento antes mesmo de qualquer evidência.

Como promptar a realidade

Este é o primeiro artigo de uma série em quatro partes que propõe uma microtese sobre futuros que disputam processamento – e investiga o papel insuspeito de memes, programação preditiva, hyperstition, cura de traumas, strategic foresight e soberania imaginal no ciclo de inovação que já começou.

Na era da AI, o melhor talento pode ser o maior risco

Este artigo propõe analisar como a combinação entre pressão por velocidade, talento autónomo e uso não estruturado de AI pode deslocar a execução para fora dos sistemas formais- introduzindo riscos que não são imediatamente visíveis nos indicadores tradicionais.

Por que os melhores líderes não lutam para vencer

Este é o primeiro artigo da nova coluna “Liderança & Aikidô” e neste texto inaugural, Kei Izawa mostra por que os líderes mais eficazes deixam de operar pela lógica do confronto e passam a construir vantagem estratégica por meio da harmonia, da não resistência, da gestão de conflitos e de decisões sem ego em ambientes de alta complexidade.

ESG
26 de março de 2026 15H00
A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Marceli Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de março de 2026 09H00
À medida que desafios logísticos se tornam complexos demais para a computação tradicional, este artigo mostra por que a computação quântica pode inaugurar uma nova era de eficiência para o setor de mobilidade e entregas - e como empresas que começarem a aprender agora sairão anos à frente quando essa revolução enfim ganhar escala.

Pâmela Bezerra - Pesquisadora do CESAR e professora de pós-graduação da CESAR School e Everton Dias - Gerente de Projetos

7 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
25 de março de 2026 15H00
IA executa, analisa e recomenda. Cabe ao líder humano decidir, inspirar e construir cultura.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
ESG
25 de março de 2026 09H00
Quando propósito vira vantagem competitiva, manter impacto e lucro separados é mais que atraso - é miopia estratégica.

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e Instituto RME, VP do Conselho do Pacto Global da ONU

5 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
24 de março de 2026 14H00
Quando a geopolítica esquenta, o impacto não começa nos noticiários - começa na planilha: energia mais cara, logística pressionada, insumos instáveis e margens comprimidas. Este artigo revela por que guerras longínquas se tornam, em poucos dias, um problema urgente de precificação, estratégia e sobrevivência financeira para as empresas.

Alexandre Costa - Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
24 de março de 2026 07H00
À medida que a China eleva a inteligência artificial incorporada e as interfaces cérebro‑máquina ao status de indústrias estratégicas, uma nova disputa tecnológica global se desenha - e o epicentro da inovação pode estar prestes a mudar de coordenadas.

Leandro Mattos - Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de março de 2026 14H00
Entre inovação, sustentabilidade e segurança regulatória, o modelo de concessões evolui para responder aos novos desafios da mobilidade urbana no Brasil.

Edson Cedraz - Sócio-líder para a indústria de Government & Public Services e Fernanda Tauffenbach - Sócia de Infrastructure and Capital Projects

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional, Inovação & estratégia
23 de março de 2026 08H00
Num setor que insiste em se declarar neutro, este artigo expõe a pergunta incômoda que a tecnologia evita - e revela por que ampliar quem ocupa a mesa de decisões é urgente para que o futuro não repita o passado.

Roberta Fernandes - Diretora de Cultura e ESG do CESAR

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de março de 2026 08H00
Num mundo em que qualquer máquina produz texto, imagem ou vídeo em segundos, o verdadeiro valor deixa de estar na geração e migra para aquilo que a IA não entrega: julgamento, intenção e a autoria que separa significado de ruído - e conteúdo de mera repetição.

Diego Nogare - Especialista em Dados e IA

3 minutos min de leitura
Liderança, ESG
21 de março de 2026 11H00
Entre progressos estruturais e desafios persistentes, o Brasil passa por uma transformação profunda e se vê diante da urgência de consolidar conselhos mais plurais, estratégicos e preparados para os dilemas do século 21.

Felipe Ribeiro - Sócio e cofundador da Evermonte Executive & Board Search

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...