Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
3 minutos min de leitura

Colaboradores agênticos entram para o organograma: a parceria entre humanos e máquinas definirá o futuro das empresas

Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.
CEO da SONDA do Brasil

Compartilhar:

Os agentes de Inteligência Artificial estão mudando a forma como as empresas operam. Capazes de executar tarefas, tomar decisões e interagir com diferentes sistemas de maneira autônoma, eles prometem elevar a produtividade e acelerar a transformação digital em praticamente todos os setores da economia. Mas, à medida que ganham espaço nas organizações, cresce também uma discussão fundamental sobre o papel das pessoas nesse novo cenário.

Indo nessa linha, recentemente, o iFood revelou que opera com 60 mil agentes de Inteligência Artificial em diferentes áreas da empresa, junto com os colaboradores, redesenhando parte de suas atividades internas para ampliar a produtividade e acelerar a inovação. No geral, vemos poucas empresas que já estão integrando a Inteligência Artificial à humana, pois muitas organizações ainda estão tentando escalar a tecnologia.  

Uma pesquisa realizada pela Mckinsey em 2025  com 1993 respondentes mostra que apesar de 62% delas já utilizarem ou testarem agentes de IA em alguma etapa de suas operações, apenas 23% conseguem escalar a IA. Nesse contexto, é fundamental que as empresas tenham uma estratégia clara para integrar pessoas e agentes de IA. Embora a tecnologia assuma tarefas operacionais e repetitivas, decisões complexas, criatividade, pensamento crítico, negociação, liderança e inteligência emocional continuam sendo competências essencialmente humanas e indispensáveis para qualquer organização. A própria McKinsey aponta que o futuro do trabalho será marcado pela colaboração entre profissionais e Inteligência Artificial, potencializando capacidades em vez de substituí-las.

Para além da integração entre humanos e máquinas, outro fenômeno tende a surgir: enquanto muitos pensavam que a IA substituiria humanos, ela, na verdade, vai fomentar a criação de 70 milhões de novas funções até 2030,  segundo o estudo “Future of Jobs Report 2025”, do World Economic Forum. Na prática, veremos  pessoas dedicando mais tempo à inovação, ao relacionamento com clientes, ao desenvolvimento de estratégias e à resolução de problemas que exigem julgamento humano, deixando o trabalho operacional para as máquinas.

É preciso entender que esse novo cenário também transforma o papel da liderança. O gestor do futuro vai coordenar também agentes digitais. Caberá a ele definir objetivos, estabelecer limites de atuação, acompanhar indicadores, validar decisões críticas e garantir que a tecnologia opere de forma ética, segura e alinhada às estratégias da empresa.

Outro aspecto fundamental é compreender que agentes de IA não geram valor isoladamente. Seu potencial depende da integração com sistemas corporativos, plataformas de dados e processos de negócio. Sem informações confiáveis, regras bem definidas, governança e segurança, mesmo os agentes mais avançados terão atuação limitada.

A era dos agentes de IA representa uma transformação na forma como as empresas trabalham e os líderes do mercado devem criar um ambiente em que pessoas e agentes atuem de forma complementar. A tecnologia pode executar tarefas com velocidade e precisão, mas continuará sendo de humanos a responsabilidade de definir estratégias, exercer o julgamento, inspirar equipes e tomar as decisões que moldam o futuro dos negócios.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O crescimento das startups não depende apenas de escala, mas também de resolução

Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Sua empresa conhece o impacto de uma jornada de 40 horas?

Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

A IA está mudando o que significa ser um profissional sênior

Os profissionais de finanças foram treinados para dominar processos, consolidar informações e produzir análises complexas. Mas, em um mundo onde a inteligência artificial faz isso em segundos, a vantagem competitiva passa a estar em outro lugar: na capacidade de transformar informação em contexto, formular perguntas estratégicas e tomar decisões que nenhuma máquina consegue assumir sozinha.

Envelhescência: a dimensão subjetiva que a liderança ainda ignora

Profissionais maduros seguem acumulando repertório, capacidade de julgamento e conhecimento organizacional, mas frequentemente enfrentam uma perda silenciosa de reconhecimento e pertencimento. Ao abordar o conceito de envelhescência, o artigo discute como profissionais experientes podem perder espaço simbólico mesmo permanecendo altamente qualificados e por que reconhecer, valorizar e integrar o repertório acumulado se tornou um desafio estratégico para empresas que desejam preservar conhecimento, fortalecer a sucessão e construir culturas verdadeiramente intergeracionais.

ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 de agosto de 2026 08H00
Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
2 de agosto de 2026 13H00
Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Sthefano Scalon Cruvinel - Doutrinador do Direito, Auditor Judicial com atuação no STJ e CEO da EvidJuri

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de agosto de 2026 08H00
Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Fernando Wosniak Steler - Co-Fundador e CEO da Delend

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
1º de agosto de 2026 14H00
Impulsionadas pelas exigências de investidores, certificações ambientais e adaptação climática, as edificações sustentáveis consolidam-se como ativos estratégicos para empresas que buscam eficiência, resiliência e geração de valor de longo prazo.

Euclides Ciruelos - Idealizador da SmartLy, diretor e responsável técnico da HotFloor

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo