Gestão de pessoas, Estratégia e execução

Dados e recrutamento: como construir um canal de aquisição de talentos?

Uma metodologia específica e um conjunto de ferramentas ajuda a selecionar e contratar profissionais de tecnologia, especialmente seniores
É sócio-fundador da Intera, Hrtech de recrutamento digital.

Compartilhar:

Quais os principais desafios do profissional de tech recruiting atualmente? Sem dúvida, é a mensuração do funil de recrutamento. A maioria das empresas que possuem dados sobre o processo tem uma boa visibilidade do que acontece, uma vez que o talento se inscreve na vaga. A armadilha aqui é que apenas 15% dos talentos abordados se inscrevem para uma posição sênior de tecnologia.

A partir dessa informação, é possível levantar algumas perguntas: o que acontece com os outros 85%? Quais razões fazem com que eles não aceitem a oportunidade? Quais foram os canais que melhor converteram? Foram feitos testes de abordagem? Quem performou melhor, o inMail ou a abordagem no perfil público?

Dentro do universo da tecnologia, principalmente quando falamos de profissionais seniores, o LinkedIn funciona como o principal canal de aquisição de talentos. Todavia, para garantir previsibilidade e otimizar o processo, é necessário ter uma dimensão completa do funil de conversão dentro daquela rede social:

– Quantas pessoas precisam ser abordadas para preencher uma vaga?
– Dessas, quantas topam conversar sobre a oportunidade?
– E quantas chegam a, efetivamente, se inscrever na vaga, são entrevistadas pelo time e contratadas?
– Qual a atratividade da minha empresa versus os concorrentes?

Em 2021, registramos aumento de 20% nos talentos que só aceitam conversar sobre oportunidades em empresas fora do Brasil. Essa mudança, gerada pela pandemia, afeta diretamente as taxas de conversão do funil de recrutamento. Um movimento similar tem acontecido com as negativas para trabalhos híbridos ou presenciais. Se 40% das negativas que a empresa recebe são por causa do modelo de trabalho, de que forma isso tem sido reportado para os tomadores de decisão da vaga?

Nesse cenário se torna imprescindível uma maior conexão entre o time de recruiting e os hiring managers, tendo em vista que o primeiro grupo recebe na ponta os feedbacks dos talentos, mas nem sempre quantifica de forma objetiva e, clara, os motivos de recusa para tornar a troca com o segundo grupo mais orientada a dados e fatos. É imprescindível observar que modo a empresa tem analisado esses dados e retroalimentado as vagas e o próprio processo seletivo.

## Ferramental

A partir do momento em que já se sabe quais são os principais dados que devem ser analisados, o próximo passo é a evolução na construção de uma máquina de dados para o recrutamento. Em um primeiro momento, é necessário ter ferramentas para coletar todos esses dados. Se o seu time utiliza o Recruiter Pro (recurso pago do LinkedIn para recrutadores), você já tem dados de abordagem que podem ser extraídos diretamente de lá.

No entanto, além disso, é importante ter um método para extrair e visualizar essas informações. Centralizar essas informações no ATS (Applicant Tracking System), tipo de software em que as empresas fazem a gestão dos candidatos dentro dos processos seletivos, é uma excelente opção, que vai permitir uma visualização única do processo e, consequentemente, tomadas de decisões mais embasadas.

Um bom exemplo sobre retroalimentação de processos é a metodologia de avaliação utilizada pelo Google. Lá, todos os talentos aprovados no processo seletivo recebem uma nota. Uma segunda nota é atribuída na primeira avaliação de desempenho do colaborador. O cruzamento entre essas duas notas faz com que o time de RH identifique possíveis falhas no processo e calibre a sua régua de seleção a partir disso. Não é necessário ser o Google para criar métodos para melhorar os seus processos e o seu funil por meio de dados e da visão humana.

Encontrar talentos qualificados para posições de tecnologia, principalmente quando falamos sobre vagas mais seniores e posições de liderança, é um desafio. Portanto, mais do que formas de recrutar e selecionar candidatos, é importante revisar valores, entender que direção a empresa/startup está caminhando, para onde vai e com quem quer chegar.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A escassez de talentos pode estar no processo seletivo

Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

O melhor profissional do time pode estar na lista de desligamento

Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Por que alguém ensinaria a IA a fazer o próprio trabalho?

Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ter mais robôs já não é suficiente

Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de outubro de 2026 08H00
O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

João Pedro Brasileiro - CEO da Innovation Latam, Professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da XP Educação

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
9 de outubro de 2026 14H00
O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Jade Lumi Satomi - Diretora de Indústria na nstech

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
9 de outubro de 2026 08H00
A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Maria Eduarda Silveira - Founder & CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Estratégia
8 de outubro de 2026 14H00
Da aquisição à expansão de clientes, o artigo propõe uma reflexão sobre como organizações podem substituir crescimento baseado em volume por crescimento sustentado por retenção, adoção de valor e decisões mais inteligentes.

Renata Centurión - Sócia e Diretora da Winning By Design LATAM

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Vendas
8 de outubro de 2026 08H00
Diante de metas ameaçadas, a reação mais comum é fazer mais: mais reuniões, mais pressão, mais descontos, mais cobranças. O problema é que nem sempre atividade gera resultado. À medida que dezembro se aproxima, o verdadeiro desafio pode estar menos em acelerar e mais em eliminar comportamentos que comprometem decisões, margens e o próximo ciclo de vendas.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

8 minutos min de leitura
Liderança
7 de outubro de 2026 14H00
O artigo discute por que sucessão, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento da cultura organizacional deixaram de ser temas de RH para ocupar o centro das decisões estratégicas e da competitividade empresarial.

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
7 de outubro de 2026 08H00
Metade dos executivos ouvidos pelo BCG já vê a própria equipe perdendo habilidades por causa da IA, e o julgamento é a primeira a cair. Velocidade sem discernimento não é ganho, é dívida com outro nome.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
6 de outubro de 2026 14H00
Empresas querem profissionais protagonistas, capazes de decidir e agir com independência. As pessoas querem mais confiança, voz e espaço para fazer escolhas. O desafio é que autonomia costuma significar coisas diferentes para cada lado dessa relação.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
6 de outubro de 2026 08H00
Em reuniões de conselho, comitês executivos e equipes de alta gestão, é comum que profissionais experientes analisem os mesmos dados e cheguem a conclusões completamente diferentes. Nem sempre isso é sinal de desalinhamento ou falta de informação. Muitas vezes, a divergência revela algo mais profundo: critérios distintos para avaliar riscos, oportunidades, prioridades e sucesso.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

9 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
5 de outubro de 2026 14H00
Embora o calendário ainda indique os últimos meses de 2026, as principais decisões que definirão o desempenho das empresas no próximo ciclo já estão sendo tomadas agora. A questão não é prever o que acontecerá em 2027, mas construir antecipadamente as capacidades que permitirão responder melhor ao que vier.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução