Gestão de Pessoas

De CHRO a Chief of Experience Officer (CXO)

O RH do futuro é a união de people experience e metodologias ágeis, convergindo o cuidado com as pessoas em uma jornada única, seja pensando no colaborador ou no cliente
É executiva de gente, gestão e experiência do cliente no Digio, bantech do Banco do Brasil e do Bradesco no lado A. Também é mentora, palestrante, coach, conselheira, professora de MBA e escritora. Seu propósito é desenvolver pessoas e empresas para que realizem ao máximo seu potencial e deixem a maior contribuição com a humanidade possível.

Compartilhar:

Para aqueles com o mindset fixo, eu até parecia louca quando, em abril de 2019, aceitei a proposta de sair de uma posição de diretora de gente & gestão para a América Latina e sócia de uma empresa de tecnologia de ponta na otimização de plataformas de negócios digitais, com mais de mil colaboradores em diversos países, para ser gerente executiva de gente & gestão em um banco digital com menos de duzentos colaboradores e atuação nacional.

Até que provem o contrário, não foi loucura, foi uma movimentação ancorada na busca pela realização de um sonho: usar minha sólida vivência em desenvolvimento humano e organizacional em uma nova área de atuação. Para assumir este novo cargo havia negociado que, após seis meses na nova empresa, eu receberia a área de [Customer Experience (CX)](https://www.revistahsm.com.br/post/experiencia-do-colaborador-alavanca-diversidade), com o desafio de promover uma experiência melhor ao nosso cliente.

O problema é que recebi o desafio menos de 45 dias após minha admissão. Conversas com mentores, visitas de benchmarking e cursos me ajudaram a acelerar meu aprendizado, mas o sucesso real só veio quando eu adequei o perfil do time ao desafio diagnosticado, e contratei uma das minhas mentoras para liderar a área. Sim, um [líder colaborativo](https://www.revistahsm.com.br/post/o-cuidado-como-proposito-de-lideranca) contrata e não se preocupa em ter liderados melhores do que si mesmo.

Após quase dois anos atuando desta forma, percebi o quão acertada era a visão do nosso CEO de que quem cuida dos colaboradores é quem também deveria cuidar do cliente, afinal uma memorável experiência do funcionário leva a uma ótima experiência do cliente.

## CHRO + CCO = Chief of Experience Officer (CXO)
A área de CX é a guardiã da experiência do cliente dentro da empresa e demanda um trabalho cultural baseado em alinhamento, capacitação, colaboração e gestão de consequências. Acredito que compartilhar a mesma liderança com recursos humanos, o [guardião da cultura da empresa](https://www.revistahsm.com.br/post/quatro-elementos-para-construir-um-ambiente-que-inspira-e-desenvolve-pessoas), cria uma vantagem competitiva única e perene para a empresa.

A soma das interações dos colaboradores com a organização e das experiências dos clientes durante toda sua jornada com a empresa influencia nas percepções da marca e impactam, significativamente, o desempenho dos negócios. Por exemplo, sabemos que a área de cobrança traz resultados para nosso negócio e a experiência de receber diversas ligações pode ser invasivo. Dessa forma, passamos a realizar os primeiros contatos com os clientes por meio de mensagens de Whatsapp e com a possibilidade de migrar para uma ligação telefônica, caso eles desejem.

Com base nessa premissa, já avançamos “algumas casas neste jogo”, mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Isso porque, por melhor que seja a experiência planejada pela área de RH para os colaboradores, esta jornada pode ser anulada pelo dia a dia da gestão.

## Então, como melhorar ainda mais essa experiência?
No cenário atual cada vez mais complexo, métodos tradicionais de gerenciamento precisam dar espaço à inteligência coletiva, à tomada de decisões descentralizada e à assunção de responsabilidades por parte de todos.

Neste sentido, entendemos nos últimos meses que os times que buscam desenvolvimento de uma cultura de excelência e gestão deviam se juntar aos times que lideravam a experiência dos clientes internos e externos. Por esse motivo, Agile Masters e Excelência Operacional se juntaram ao meu então time, que já contava com as frentes de Recursos Humanos e CX.

Afinal, o time de Agile Masters, que são [embaixadores da cultura ágil](https://www.revistahsm.com.br/post/as-competencias-do-futuro-hoje), facilitadores responsáveis pela remoção de impedimentos processuais e proteção da equipe de compromissos inatingíveis, visando garantia da produtividade, e o time de Excelência Operacional, responsável por garantir perenidade organizacional por meio do fortalecimento da cultura de melhoria contínua, tem uma sinergia completa com o trabalho que já estávamos desenvolvendo.

## Gerenciar expectativas e cocriar soluções
A empresa é um elemento vivo que requer ser cuidado. Cuidar das pessoas, no contexto em que vivemos, é essencial. Quando cuidamos dos colaboradores, parceiros, times e clientes, estamos cuidando da organização. Em tempos de crise, a atenção aos clientes é uma estratégia prioritária.

Ao mesmo tempo, essa missão requer recursos. E recurso, como em qualquer organização, é limitado. Por isso, é necessário fazer mais com menos, criatividade e, principalmente, gestão da expectativa.

Destaco esse ponto, pois, de acordo com a consultoria Gartner, apenas 20% dos colaboradores são sinceros sobre suas expectativas. Precisamos ter clareza disso e gerenciá-las.

Com meus times, a fórmula que direciona nossa atuação é __SATISFAÇÃO = REALIDADE – EXPECTATIVA__. Neste sentido, mantenha expectativa baixa ou igual ao que poderá entregar e, mais importante, traga seus clientes para cocriar as soluções dentro das possibilidades.

No momento, estamos revendo nosso [framework agile](https://www.revistahsm.com.br/post/cultura-agil-e-desafios-comportamentais) em um grupo multidisciplinar com participantes voluntários. Ou seja, o próprio time está construindo os papéis, os artefatos e os eventos que, futuramente, moldarão o jeito de todos trabalharem.

Além disso, temos buscado gerenciar a memória experiencial, reforçando as positivas e reformulando as negativas, lembrando, entre outras iniciativas, as melhorias implementadas a partir da escuta deles em nossas pesquisas de pulso.

Portanto, vejo que uma evolução natural da área de Recursos Humanos será abraçar a promoção da experiência humana dos clientes internos e externos. Será também sua missão desenvolver uma cultura que não coma a estratégia no café da manhã, mas que permita, com excelência, a entrega dela!

Leia mais conteúdos sobre gestão de pessoas em [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts).

Compartilhar:

Artigos relacionados

Apartheid climático: Quando a estratégia ESG vira geopolítica

A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Quando uma guerra distante impacta os preços no mundo e no Brasil

Quando a geopolítica esquenta, o impacto não começa nos noticiários – começa na planilha: energia mais cara, logística pressionada, insumos instáveis e margens comprimidas. Este artigo revela por que guerras longínquas se tornam, em poucos dias, um problema urgente de precificação, estratégia e sobrevivência financeira para as empresas.

Liderança, ESG
21 de março de 2026 11H00
Entre progressos estruturais e desafios persistentes, o Brasil passa por uma transformação profunda e se vê diante da urgência de consolidar conselhos mais plurais, estratégicos e preparados para os dilemas do século 21.

Felipe Ribeiro - Sócio e cofundador da Evermonte Executive & Board Search

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de março de 2026 06H00
Se a Governança de Dados não engaja a alta liderança, não é por falta de relevância - é porque ninguém mobiliza executivo algum com frameworks indecifráveis, Data Owners sem autoridade ou discursos tecnicistas que não resolvem problema real. No fim, o que trava a agenda não são os dados, mas a incapacidade de traduzi-los em poder, decisão e resultado

Bergson Lopes - Fundador e CEO da BLR DATA e vice-presidente da DAMA Brasil

0 min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
20 de março de 2026 14H00
Entenda como experiências simples, contextualizadas e humanas constroem marcas que duram.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
20 de março de 2026 08H00
Este artigo provoca uma pergunta incômoda: por que seguimos tratando o novo com lentes velhas? Estamos vivendo a maior revolução tecnológica desde a internet - e, ainda assim, as empresas estão tropeçando exatamente nos mesmos erros da transformação digital.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

6 minutos min de leitura
Lifelong learning
19 de março de 2026 17H00
Entre escuta, repertório e prática, o que conversas com executivos revelam sobre desenvolvimento profissional no novo mercado.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de março de 2026 08H00
Enquanto as empresas correm para adotar IA, pouquíssimas fazem a pergunta que realmente importa: o que somos quando nosso modelo de negócio muda completamente?

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de março de 2026 13H00
Nada destrói uma empresa tão rápido - e tão silenciosamente - quanto um líder mal escolhido. Uma única nomeação equivocada corrói cultura, paralisa times, distorce decisões e drena resultado. Este artigo expõe por que insistir nesse erro não é só imprudência: é um passivo estratégico que nenhuma organização deveria tolerar.

Sylvestre Mergulhão - CEO e fundador da Impulso

3 minutos min de leitura
Estratégia
18 de março de 2026 06H00
Sua estratégia de 3 anos foi desenhada para um ambiente que já virou história. O custo de continuar executando um mapa desatualizado é mais alto do que você imagina.

Atila Persici Filho - COO da Bolder

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
17 de março de 2026 17H15
Direto do SXSW 2026, surge um alerta: E se o maior risco da IA não for errar, mas concordar demais?

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Empreendedorismo
17 de março de 2026 11H00
No SXSW 2026, Lucy Blakiston mostrou como uma ideia criada na faculdade se transformou na SYSCA, um ecossistema de mídia com impacto global.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...