User Experience, UX, Inovação & estratégia
5 minutos min de leitura

De UX para AX: como a era dos agentes autônomos redefine o design, os negócios e o papel humano

Com a ascensão dos agentes de IA, nos deparamos com uma profunda mudança no papel do designer, de executor para curador, estrategista e catalisador de experiências complexas. A discussão de UX evolui para o território do AX (Agent Experience), onde o foco deixa de ser somente a interação humano-máquina em interfaces e passa a considerar como agentes autônomos agem, decidem e colaboram com pessoas em sistemas inteligentes
O CESAR é o mais completo centro de inovação e conhecimento do Brasil, referência no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta complexidade, com impacto para toda a sociedade. Atua, há quase 30 anos, integrando pesquisa, aceleração de negócios e tecnologia para elevar organizações a um novo patamar de competitividade, além de educação, por meio da CESAR School.
Senior Design Manager do CESAR. Victor tem profundo conhecimento em design centrado no usuário, com experiência comprovada na aplicação de processos iterativos. Atua no engajamento e mentoria de designers, contribuindo para o desenvolvimento de equipes em ambientes colaborativos e dinâmicos. Adaptável, possui forte capacidade de gerenciar múltiplas demandas e resolver problemas com eficiência em contextos ágeis e com diversos projetos simultâneos.

Compartilhar:

Se houvesse um consenso prático a ser extraído das dezenas de painéis, workshops e discussões do SXSW 2026, seria que a Inteligência Artificial deixou de ser uma ferramenta que usamos para se tornar uma infraestrutura passível de agir por nós. Essa mudança vai além do ato de delegar, e como bem pontuou John Maeda, ‘o bom gosto é o que a IA não pode te dar. O abismo da execução torna-se o abismo da avaliação’. A resposta para essa nova era parece estar na capacidade de fazer perguntas melhores, conduzindo conversas estruturadas, alinhando expectativas e definindo valor, e em saber orientar sistemas inteligentes. O designer passa a atuar menos como um criador de outputs e mais como um facilitador de decisões em contextos complexos, virando de cabeça para baixo a forma como desenhamos produtos e pensamos estratégias digitais.

Durante o festival em Austin, ficou claro que estamos vivendo a transição do UX (User Experience) para o AX (Agent Experience), atravessando uma fronteira fundamental no desenvolvimento de produtos digitais. A lógica de desenhar telas, botões e fluxos passo a passo está perdendo o protagonismo, conforme entramos na era de desenhar sistemas em que agentes autônomos executam tarefas complexas baseadas apenas na intenção do usuário. 

Mais do que isso, o futuro do design se conecta diretamente com negócios e estratégia. Empresas estão internalizando capacidades criativas com IA, reduzindo a dependência de terceiros e acelerando ciclos de produção, ao mesmo tempo em que surgem desafios inéditos, como a necessidade de garantir consistência, previsibilidade e controle em sistemas baseados em agentes. Isso exige que o design esteja profundamente integrado às decisões de produto e inovação, deixando de ser uma camada estética para se tornar um motor de valor. 

Em um mundo cada vez mais automatizado, o design que se destaca é aquele que equilibra tecnologia, valor e empatia, criando experiências que não apenas funcionam, mas que são confiáveis e compreensíveis. Não basta dominar ferramentas; é preciso desenvolver pensamento crítico, repertório e um entendimento profundo do mercado. Como Maeda define, esse novo cenário exige uma equação clara: Design = tech + business + design, all combined.

Pensando no avanço do agentic commerce, hoje, o design de um e-commerce é focado em guiar o olho humano até o botão de compra, mas e quando o usuário simplesmente disser ao seu assistente virtual: “Preciso de um tênis para academia, confortável, até R$ 400 e com entrega rápida”? O agente fará a busca, filtrará as opções, comparará os reviews, escolherá o melhor custo-benefício e deixará a compra pronta para aprovação.

Do ponto de vista de inovação e negócios, isso muda tudo, e as empresas precisarão estruturar seus produtos, conteúdos e arquiteturas de informação para serem consumidos não apenas por pessoas, mas por algoritmos. Como uma marca se posiciona quando o agente atua como um verdadeiro “shopper” digital, assumindo o papel de fazer as escolhas e tomar a decisão de compra pelo consumidor?

Nesse novo cenário, o papel do designer e do desenvolvedor sofre uma mutação profunda, e o futuro do design deixa de estar apenas em “desenhar a jornada”, mas evolui para a proposta de orquestrar a autonomia. Tanto por isso, o elemento central passa a ser sobre qual parte do loop o humano deve entrar. O design deixa de focar puramente na interface visual e passa a atuar na definição da lógica, nos ciclos de feedback, na supervisão e na qualidade da decisão tomada pela IA. Isso inclui a responsabilidade crítica de testar o sistema contra vieses, garantindo a isenção do agente e evitando cenários prejudiciais, como uma marca pagar para que um serviço de IA a favoreça de forma enviesada nas escolhas feitas para o usuário.

Isso nos leva ao risco do cognitive offloading (a terceirização do pensamento), um dos maiores alertas do SXSW 2026. A IA aumenta drasticamente a eficiência, mas pode atrofiar o desenvolvimento de expertise. Se automatizarmos todas as tarefas iniciais e operacionais, é urgente que entendamos também como formaremos os especialistas seniores de amanhã.

Mais do que isso, ao delegarmos decisões a agentes desenvolvidos por terceiros, a validação humana torna-se inegociável. Embora seja difícil para uma marca desvirtuar um serviço de IA First Party (como OpenAI, Google ou Meta), essa manipulação é muito mais fácil de ocorrer por parte de um desenvolvedor de agentes menores. Por isso, formar profissionais capazes de testar fundamentalmente esses sistemas contra vieses é uma questão de segurança e ética.

A resposta a esse questionamento está em uma mudança de postura profissional, na qual começamos a transitar da era do “fazer” para a era do “avaliar”. Programar ou executar tecnicamente já não é o diferencial central. O que importa agora é o pensamento computacional, a compreensão de contextos complexos e a capacidade de orquestrar sistemas. 

A execução foi comoditizada; o valor migrou para a direção criativa, para a supervisão crítica e para a governança algorítmica. É exatamente nesse ponto que a expertise de centros de inovação como o CESAR ganha uma relevância sem precedentes. Essa capacidade de atuar na validação de segurança, nas verificações anti-vieses e na garantia ética dos sistemas autônomos passa a ser o verdadeiro diferencial para as organizações que desejam operar nessa nova era com confiança.

Apesar do que os discursos mais alarmistas sugerem, o futuro apontado pelo SXSW não é de substituição, mas de Human + AI. A tecnologia assumirá o trabalho repetitivo, mas o bom gosto, a sensibilidade e o repertório continuam sendo profundamente humanos. Em um mundo onde qualquer um pode gerar dezenas de opções com um simples prompt, o diferencial competitivo passa a ser quem sabe escolher, editar e lapidar.

As organizações mais fortes dos próximos anos serão aquelas que conseguirem combinar a velocidade de execução das máquinas com a supervisão humana qualificada. A autenticidade, a imperfeição genuína e a visão de longo prazo tornaram-se estratégias de sobrevivência. O debate não é mais “UX ou IA”, mas como evoluímos nossas capacidades para liderar em um mundo onde a experiência é mediada por agentes.

Compartilhar:

O CESAR é o mais completo centro de inovação e conhecimento do Brasil, referência no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta complexidade, com impacto para toda a sociedade. Atua, há quase 30 anos, integrando pesquisa, aceleração de negócios e tecnologia para elevar organizações a um novo patamar de competitividade, além de educação, por meio da CESAR School.

Artigos relacionados

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Onda de recuperações judiciais acende alerta

Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

Seu data center está preparado para racks de 100 kW?

A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Sharenting: o limite entre compartilhar e expor

Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de agosto de 2026 14H00
Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Alan Schulte - Vice-presidente de Vendas para Startups e PMEs da Zendesk na América Latina.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de agosto de 2026 08H00
Os profissionais de finanças foram treinados para dominar processos, consolidar informações e produzir análises complexas. Mas, em um mundo onde a inteligência artificial faz isso em segundos, a vantagem competitiva passa a estar em outro lugar: na capacidade de transformar informação em contexto, formular perguntas estratégicas e tomar decisões que nenhuma máquina consegue assumir sozinha.

Talita Braga - Diretora Executiva de Finanças da Infor na América Latina

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de agosto de 2026 18H00
Profissionais maduros seguem acumulando repertório, capacidade de julgamento e conhecimento organizacional, mas frequentemente enfrentam uma perda silenciosa de reconhecimento e pertencimento. Ao abordar o conceito de envelhescência, o artigo discute como profissionais experientes podem perder espaço simbólico mesmo permanecendo altamente qualificados e por que reconhecer, valorizar e integrar o repertório acumulado se tornou um desafio estratégico para empresas que desejam preservar conhecimento, fortalecer a sucessão e construir culturas verdadeiramente intergeracionais.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Finanças
17 de agosto de 2026 14H00
Hiperpersonalização, agentes inteligentes, analytics em tempo real e IA generativa já deixaram de ser tendências isoladas e começam a formar uma nova arquitetura para o setor financeiro. O desafio das lideranças passa a ser transformar essas tecnologias em capacidades organizacionais escaláveis, seguras e conectadas aos objetivos estratégicos do negócio.

Diego Souza - Principal Technical Manager no CESAR, e Maria Tereza Nagel - Gerente de Projetos no CESAR

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de agosto de 2026 08H00
À medida que algoritmos passam a influenciar decisões cada vez mais relevantes, cresce uma questão que conselhos e lideranças não podem mais ignorar: quanto poder está sendo delegado à inteligência artificial sem supervisão adequada? O artigo propõe uma reflexão sobre a necessidade de incorporar a IA à agenda de governança corporativa.

Eliana Camejo - Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli e conselheira de Administração pelo IBGC

3 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças
16 de agosto de 2026 15H00
O envelhecimento populacional, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas assistenciais estão pressionando os custos da saúde em níveis inéditos. Mais do que analisar despesas, entender a formação do orçamento hospitalar tornou-se uma competência estratégica para operadoras que buscam conciliar qualidade assistencial, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo.

Anderson Farias - CEO da TopSaúde Hub

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de agosto de 2026 10H00

Denise Joaquim Marques - Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução