User Experience, UX, Inovação & estratégia
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De UX para AX: como a era dos agentes autônomos redefine o design, os negócios e o papel humano

Com a ascensão dos agentes de IA, nos deparamos com uma profunda mudança no papel do designer, de executor para curador, estrategista e catalisador de experiências complexas. A discussão de UX evolui para o território do AX (Agent Experience), onde o foco deixa de ser somente a interação humano-máquina em interfaces e passa a considerar como agentes autônomos agem, decidem e colaboram com pessoas em sistemas inteligentes
O CESAR é o mais completo centro de inovação e conhecimento do Brasil, referência no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta complexidade, com impacto para toda a sociedade. Atua, há quase 30 anos, integrando pesquisa, aceleração de negócios e tecnologia para elevar organizações a um novo patamar de competitividade, além de educação, por meio da CESAR School.
Senior Design Manager do CESAR. Victor tem profundo conhecimento em design centrado no usuário, com experiência comprovada na aplicação de processos iterativos. Atua no engajamento e mentoria de designers, contribuindo para o desenvolvimento de equipes em ambientes colaborativos e dinâmicos. Adaptável, possui forte capacidade de gerenciar múltiplas demandas e resolver problemas com eficiência em contextos ágeis e com diversos projetos simultâneos.

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Se houvesse um consenso prático a ser extraído das dezenas de painéis, workshops e discussões do SXSW 2026, seria que a Inteligência Artificial deixou de ser uma ferramenta que usamos para se tornar uma infraestrutura passível de agir por nós. Essa mudança vai além do ato de delegar, e como bem pontuou John Maeda, ‘o bom gosto é o que a IA não pode te dar. O abismo da execução torna-se o abismo da avaliação’. A resposta para essa nova era parece estar na capacidade de fazer perguntas melhores, conduzindo conversas estruturadas, alinhando expectativas e definindo valor, e em saber orientar sistemas inteligentes. O designer passa a atuar menos como um criador de outputs e mais como um facilitador de decisões em contextos complexos, virando de cabeça para baixo a forma como desenhamos produtos e pensamos estratégias digitais.

Durante o festival em Austin, ficou claro que estamos vivendo a transição do UX (User Experience) para o AX (Agent Experience), atravessando uma fronteira fundamental no desenvolvimento de produtos digitais. A lógica de desenhar telas, botões e fluxos passo a passo está perdendo o protagonismo, conforme entramos na era de desenhar sistemas em que agentes autônomos executam tarefas complexas baseadas apenas na intenção do usuário. 

Mais do que isso, o futuro do design se conecta diretamente com negócios e estratégia. Empresas estão internalizando capacidades criativas com IA, reduzindo a dependência de terceiros e acelerando ciclos de produção, ao mesmo tempo em que surgem desafios inéditos, como a necessidade de garantir consistência, previsibilidade e controle em sistemas baseados em agentes. Isso exige que o design esteja profundamente integrado às decisões de produto e inovação, deixando de ser uma camada estética para se tornar um motor de valor. 

Em um mundo cada vez mais automatizado, o design que se destaca é aquele que equilibra tecnologia, valor e empatia, criando experiências que não apenas funcionam, mas que são confiáveis e compreensíveis. Não basta dominar ferramentas; é preciso desenvolver pensamento crítico, repertório e um entendimento profundo do mercado. Como Maeda define, esse novo cenário exige uma equação clara: Design = tech + business + design, all combined.

Pensando no avanço do agentic commerce, hoje, o design de um e-commerce é focado em guiar o olho humano até o botão de compra, mas e quando o usuário simplesmente disser ao seu assistente virtual: “Preciso de um tênis para academia, confortável, até R$ 400 e com entrega rápida”? O agente fará a busca, filtrará as opções, comparará os reviews, escolherá o melhor custo-benefício e deixará a compra pronta para aprovação.

Do ponto de vista de inovação e negócios, isso muda tudo, e as empresas precisarão estruturar seus produtos, conteúdos e arquiteturas de informação para serem consumidos não apenas por pessoas, mas por algoritmos. Como uma marca se posiciona quando o agente atua como um verdadeiro “shopper” digital, assumindo o papel de fazer as escolhas e tomar a decisão de compra pelo consumidor?

Nesse novo cenário, o papel do designer e do desenvolvedor sofre uma mutação profunda, e o futuro do design deixa de estar apenas em “desenhar a jornada”, mas evolui para a proposta de orquestrar a autonomia. Tanto por isso, o elemento central passa a ser sobre qual parte do loop o humano deve entrar. O design deixa de focar puramente na interface visual e passa a atuar na definição da lógica, nos ciclos de feedback, na supervisão e na qualidade da decisão tomada pela IA. Isso inclui a responsabilidade crítica de testar o sistema contra vieses, garantindo a isenção do agente e evitando cenários prejudiciais, como uma marca pagar para que um serviço de IA a favoreça de forma enviesada nas escolhas feitas para o usuário.

Isso nos leva ao risco do cognitive offloading (a terceirização do pensamento), um dos maiores alertas do SXSW 2026. A IA aumenta drasticamente a eficiência, mas pode atrofiar o desenvolvimento de expertise. Se automatizarmos todas as tarefas iniciais e operacionais, é urgente que entendamos também como formaremos os especialistas seniores de amanhã.

Mais do que isso, ao delegarmos decisões a agentes desenvolvidos por terceiros, a validação humana torna-se inegociável. Embora seja difícil para uma marca desvirtuar um serviço de IA First Party (como OpenAI, Google ou Meta), essa manipulação é muito mais fácil de ocorrer por parte de um desenvolvedor de agentes menores. Por isso, formar profissionais capazes de testar fundamentalmente esses sistemas contra vieses é uma questão de segurança e ética.

A resposta a esse questionamento está em uma mudança de postura profissional, na qual começamos a transitar da era do “fazer” para a era do “avaliar”. Programar ou executar tecnicamente já não é o diferencial central. O que importa agora é o pensamento computacional, a compreensão de contextos complexos e a capacidade de orquestrar sistemas. 

A execução foi comoditizada; o valor migrou para a direção criativa, para a supervisão crítica e para a governança algorítmica. É exatamente nesse ponto que a expertise de centros de inovação como o CESAR ganha uma relevância sem precedentes. Essa capacidade de atuar na validação de segurança, nas verificações anti-vieses e na garantia ética dos sistemas autônomos passa a ser o verdadeiro diferencial para as organizações que desejam operar nessa nova era com confiança.

Apesar do que os discursos mais alarmistas sugerem, o futuro apontado pelo SXSW não é de substituição, mas de Human + AI. A tecnologia assumirá o trabalho repetitivo, mas o bom gosto, a sensibilidade e o repertório continuam sendo profundamente humanos. Em um mundo onde qualquer um pode gerar dezenas de opções com um simples prompt, o diferencial competitivo passa a ser quem sabe escolher, editar e lapidar.

As organizações mais fortes dos próximos anos serão aquelas que conseguirem combinar a velocidade de execução das máquinas com a supervisão humana qualificada. A autenticidade, a imperfeição genuína e a visão de longo prazo tornaram-se estratégias de sobrevivência. O debate não é mais “UX ou IA”, mas como evoluímos nossas capacidades para liderar em um mundo onde a experiência é mediada por agentes.

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O CESAR é o mais completo centro de inovação e conhecimento do Brasil, referência no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta complexidade, com impacto para toda a sociedade. Atua, há quase 30 anos, integrando pesquisa, aceleração de negócios e tecnologia para elevar organizações a um novo patamar de competitividade, além de educação, por meio da CESAR School.

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