ESG
7 min de leitura

Diversidade e futuro: o que os brasileiros pensam sobre essa relação?

Prever o futuro vai além de dados: pesquisa revela que 42% dos brasileiros veem a diversidade de pensamento como chave para antecipar tendências, enquanto 57% comprovam que equipes plurais são mais produtivas. No SXSW 2025, Rohit Bhargava mostrou que o verdadeiro diferencial competitivo está em combinar tecnologia com o que é 'unicamente humano'.
Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing. Atua na interseção entre futuro, ESG e experiência de marca, ajudando líderes e organizações a anteciparem disrupções e traduzirem tendências em resultados mensuráveis. Eleita uma das profissionais mais inovadoras do mundo pelo Cannes Lions e destaque na "Forbes 50 Over 50", é professora convidada da Singularity University Brasil. Reconhecida por conectar visão de futuro, tecnologia e impacto social na construção de marcas com propósito. Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival 2022 e

Compartilhar:

multiculturalidade

Qual a melhor maneira de prever o futuro? A palestra de Rohit Bhargava, especialista em marketing e fundador da Non-Obvious Company, me chamou a atenção pelo título: “7 segredos não óbvios para entender as pessoas e prever o futuro”. Para mim, sua provocação faz todo o sentido. Afinal, o futuro não é construído apenas por algoritmos e máquinas, mas por escolhas humanas. Entender essas escolhas é o que permite às empresas e às marcas antecipar o futuro com maior precisão.

Para ajudar as pessoas a enxergar o que passa despercebido pela maioria e identificar tendências que podem se transformar em vantagem competitiva, Rohit compartilhou sete dicas, ou “segredos” para entender melhor o comportamento humano. Vamos a eles:

  1. Ser unicamente humano é uma vantagem – A confiança e a conexão humana permanecem insubstituíveis.
  2. A identidade molda as crenças – Compreender a identidade cultural e pessoal é fundamental para prever comportamentos.
  3. Vencedores não são o mesmo que campeões – O verdadeiro impacto vem daqueles que elevam os outros, não apenas daqueles que vencem.
  4. Respostas fáceis e óbvias costumam ser distrações – Ter pensamento crítico ajuda a evitar padrões enganosos.
  5. Pessoas e experiências devem surpreender você – A abertura a perspectivas e pontos de vista diferentes impulsiona a inovação.
  6. O significado surge das interseções – Os melhores insights surgem ao nos abrirmos a diferentes visões e experiências.
  7. A “não descoberta” pode ser mais valiosa que a descoberta – Reavaliar suposições pode levar a ideias revolucionárias.

Quero destacar os três últimos pontos, que reforçam o papel da diversidade na inovação e na capacidade de antecipação do futuro. Foi esse o recorte que eu e minha parceira Lígia Mello, da Hibou, decidimos explorar em pesquisa. Para quem não acompanhou meu último artigo, nossa proposta é repercutir no Brasil os insights e tendências apresentados no SXSW 2025. Para isso, a Hibou realizou um levantamento por meio de painel digital com 1.154 brasileiros, maiores de 18 anos, das classes A, B, C e D, no dia 11 de março. A pesquisa tem uma margem de erro de 2,8%.

Os brasileiros concordam que a diversidade ajuda a antecipar o futuro?

A pesquisa revelou que 42% dos participantes acreditam que a diversidade de pensamentos melhora a capacidade de antecipar tendências. Entre eles, 23% enxergam essa diversidade como essencial para prever o futuro com mais precisão, enquanto 19% concordam, mas ressaltam que é necessário um propósito bem definido para análises mais completas e precisas.  Em contrapartida, 12% dos entrevistados discordam dessa relação, defendendo que previsões eficazes dependem exclusivamente de especialistas na área, e 7% afirmam que o futuro é imprevisível, independentemente de quem o analisa.

Minha experiência profissional, seja como executiva ou empreendedora, sempre comprovou que a diversidade da equipe traz múltiplos olhares para uma questão, o que as capacita a questionar o óbvio e antecipar mudanças, criando um verdadeiro diferencial competitivo para as organizações.

O que impulsiona a inovação, segundo os brasileiros?

A tecnologia aparece como fator central para a inovação, segundo 51% dos entrevistados. Dentro desse universo, 26% apontam novas tecnologias como o principal motor de transformação, enquanto 25% destacam o uso estratégico de dados e a inteligência artificial. A educação e a capacitação para novas habilidades são consideradas as mais importantes por 21% dos participantes, enquanto 19% acreditam que a diversidade de ideias e perspectivas tem um papel relevante na inovação, superando até mesmo os avanços científicos, citados por 18%.

Sempre gosto de enfatizar que a tecnologia é, sim, uma alavanca poderosa para a inovação, mas ela, por si só, não resolve problemas inesperados. Quando combinamos avanços tecnológicos com diversidade de pensamentos temos um potente catalisador de transformações significativas nas empresas.

Diversidade e produtividade caminham juntas?

A relação entre diversidade e produtividade é evidente para a maioria dos entrevistados. Para 57% deles, as equipes mais produtivas em que já trabalharam eram compostas por pessoas com experiências e conhecimentos distintos, reforçando a ideia de que a troca de perspectivas impulsiona melhores resultados. Essa afirmação é fácil de ser percebida, afinal, diante de um desafio, olhar o problema sob diferentes pontos de vista é a melhor maneira para encontrar uma saída “fora da caixa”.

A cultura influencia as crenças?

Quando questionados sobre a influência do ambiente cultural na formação de crenças e comportamentos, 45% dos participantes reconheceram essa relação. Desses, 16% acreditam que essa influência é muito forte, enquanto 29% consideram o ambiente relevante, mas buscam referências externas para formar suas opiniões. Por outro lado, 27% afirmam que experiências pessoais têm um peso maior do que a cultura em que estão inseridos, e 18% não veem qualquer relação entre ambiente cultural e crenças.

Novas culturas mudam opiniões?

Apesar de a maioria dos entrevistados (52%) discordar da ideia de que conhecer uma nova cultura pode mudar sua opinião sobre algo importante, 31% afirmam que suas perspectivas foram ampliadas ao entrar em contato com diferentes visões de mundo.

Esses dois últimos resultados confirmam que a abertura a outros pontos de vista – sejam estes vivências pessoais, acesso a outras culturas ou a conhecimentos distintos – amplia a possibilidade de desenvolvimento de pensamento crítico, uma das habilidades mais valorizadas nos profissionais do futuro.

Os dados da pesquisa reforçam a importância da diversidade para a inovação e a antecipação de tendências, ainda que nem todos os brasileiros reconheçam essa relação de forma direta. Empresas que desejam se preparar para o futuro devem investir não apenas em tecnologia, mas também em um ambiente que estimule o pensamento diverso e a colaboração entre diferentes áreas e perspectivas. E vocês, estão prontos para enxergar além do óbvio e se preparar para o futuro?

Compartilhar:

Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing. Atua na interseção entre futuro, ESG e experiência de marca, ajudando líderes e organizações a anteciparem disrupções e traduzirem tendências em resultados mensuráveis. Eleita uma das profissionais mais inovadoras do mundo pelo Cannes Lions e destaque na "Forbes 50 Over 50", é professora convidada da Singularity University Brasil. Reconhecida por conectar visão de futuro, tecnologia e impacto social na construção de marcas com propósito. Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival 2022 e

Artigos relacionados

Por que equipes entendem a estratégia e ainda assim não executam?

Muitas organizações possuem metas claras, planejamento estruturado e prioridades bem definidas, mas continuam enfrentando dificuldades para transformar estratégia em resultado. O problema raramente está na falta de entendimento. Está na capacidade de mobilizar pessoas, construir segurança psicológica e criar uma cultura em que colaboradores se sintam parte da solução, e não apenas destinatários das decisões.

Geopolítica da transição: o país precisa transformar potencial em influência

A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos – energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva – que pode transformar sua posição internacional.

Três hipóteses para redesenhar o primeiro degrau da carreira

A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

O mito da prioridade “pra ontem” (e como não enlouquecer sua equipe)

A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Quando o BIM vira uma ilha: a lição do New York Times para a engenharia

Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Inovação & estratégia, Bem-estar & saúde, Marketing & growth
22 de agosto de 2026 07H00
Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Mayara Marcon - Head de Marketing na Lightsweet

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
21 de agosto de 2026 18H00
Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de agosto de 2026 14H00
À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

8 minutos min de leitura
Cultura organizacional
20 de agosto de 2026 18H00
Há um problema crescente nas organizações que não aparece nos dashboards nem nos relatórios: a desconexão humana. Ela se manifesta em relações fragilizadas, conversas evitadas e culturas que existem no discurso, mas encontram dificuldade para ganhar vida no cotidiano.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
20 de agosto de 2026 14H00
Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Frederico Turolla - Sócio Fundador da Pezco Economics, Presidente do PSP Hub e Coordenador do Comitê de Economia e Infraestrutura da SWISSCAM - Câmara de Comércio Suíço Brasileira.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de agosto de 2026 14H00
Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Alan Schulte - Vice-presidente de Vendas para Startups e PMEs da Zendesk na América Latina.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução