Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 minutos min de leitura

Empresas têm baixa maturidade na retenção de talentos-chave, mostra pesquisa da EXEC

Falta de diagnóstico, de planos de carreira, de feedbacks estruturados e programas individualizados comprometem a permanência dos profissionais mais estratégicos nas organizações brasileiras
Executiva com sólida atuação em Capital Humano e sócia da EXEC, consultoria especializada em recrutamento e desenvolvimento de alta liderança e conselheiros. Possui ampla experiência no desenho e na implementação de soluções de desenvolvimento organizacional alinhadas à estratégia de negócios. Ao longo de sua trajetória, liderou projetos em organizações de diferentes portes e setores, com destaque para indústrias, Big Four, telecomunicações, tecnologia, logística e transportes, administração pública, farmacêutica, bens de consumo e distribuição. Sua expertise abrange desenvolvimento organizacional e de lideranças, gestão estratégica de talentos, governança e cultura, carreira e sucessão - incluindo processos de assessment e coaching executivo -, além de remodelagem organizacional e gestão estratégica de performance. Soma-se a esse repertório uma vivência relevante em posições executivas de

Compartilhar:

Em um ambiente de negócios marcado por alta competitividade, volatilidade e transformação permanente, compreender quem são os talentos estratégicos e como mantê-los conectados ao propósito e cultura da empresa é um dos maiores desafios quando o tema é a gestão de pessoas. E no Brasil, esse debate ainda está em fase inicial em grande parte das organizações. Essa foi uma das principais constatações do Diagnóstico de Retenção de Talentos-Chave, divulgado recentemente pela EXEC. O objetivo foi entender qual é o grau de maturidade das companhias para identificar, engajar e manter seus principais profissionais.

O levantamento destacou que, embora essa pauta esteja no radar das lideranças, ainda há um caminho importante de evolução na estruturação de políticas consistentes de retenção, com planos de carreira bem definidos. Entende-se como talento a combinação entre performance e comportamento. Ou seja, são profissionais-chave que entregam resultados alinhados à cultura organizacional – e, por isso, tornam-se seus multiplicadores.

De acordo com a pesquisa, apenas 37,7% das empresas conseguem identificar formalmente quem são seus talentos, enquanto 62,3% reconhecem que não têm processos estruturados para fazer essa análise. “Essa constatação reforça um ponto crítico: sem clareza sobre quem realmente sustenta o negócio, o risco de perda de conhecimento, engajamento e performance aumenta em momentos decisivos. O primeiro passo para uma estratégia eficaz de retenção é o mapeamento formal de talentos, com critérios claros e alinhados ao planejamento estratégico”, explica Maria Paula, sócia da EXEC, consultoria especializada na seleção e desenvolvimento de altos executivos e conselheiros.

Outro dado relevante apontado pelo estudo da EXEC é que 59,4% das empresas não têm clareza total sobre os motivos que levam um talento a fazer um pedido de desligamento ou promover abertura para escutar propostas externas. “Isso indica uma gestão que se comporta de forma mais reativa, respondendo ao risco da perda e não atua preventivamente para evitar essas desconexões. Entender esses fatores é essencial para que o RH e as lideranças atuem de forma estratégica e preventiva”, ressalta Maria Paula. 

Pouca prática

A ausência de planos de carreira estruturados, que hoje é uma realidade presente em 75,4% das organizações, de acordo com a pesquisa da EXEC, e a falta de uma percepção clara de oportunidades de crescimento entre 43,5% dos profissionais, reforçam esse cenário de dificuldade de retenção de talentos-chave. Além disso, apenas 37,7% das organizações estimulam a realização de feedbacks de maneira estruturada – hoje considerado um dos pilares fundamentais para alinhamento de expectativas, desenvolvimento e longevidade de carreira.

“São números que reforçam o fato de que a retenção é tratada apenas como uma resposta ao risco de desligamento, e não como uma estratégia contínua de valorização. A ausência de feedbacks estruturados também sinaliza que as lideranças não estão plenamente preparadas para atuar na retenção dos profissionais estratégicos”, analisa a especialista da EXEC.

Em relação à satisfação sobre seu trabalho, apenas 17,9% dos talentos-chave afirmaram que estão felizes com o ambiente profissional. O número é alarmante, considerando que o sentimento de realização tem impacto direto na intenção de permanência na empresa. “Quanto menor o engajamento, maior a propensão ao desligamento”, observa.

Baixa maturidade organizacional

O levantamento da EXEC identificou ainda que há uma baixa maturidade dos programas de desenvolvimento específicos para talentos. Enquanto 27,5% das empresas dizem ter iniciativas contínuas, 37,7% realizam ações pontuais e 34,8% simplesmente não possuem nenhuma estratégia estruturada. “Essas informações evidenciam uma tendência importante: os programas de desenvolvimento deixaram de ser apenas iniciativas institucionais e passaram a demandar um olhar mais individualizado, desenhadas a partir do que cada talento valoriza e precisa para evoluir. São esses profissionais que sustentam resultados e impulsionam o negócio. E para eles, a personalização é decisiva”, diz Maria Paula.

Para a sócia da EXEC, o foco hoje deve estar voltado para o que o profissional valoriza. E é nesse sentido que as mentorias e processos de coaching ganham força. “Por mais que essas ações atinjam um público menor, elas alcançam os profissionais certos, ou seja, aqueles que trazem resultado e impulsionam o negócio”.

O estudo revelou ainda diferentes níveis de maturidade na gestão de talentos. Quase 40% das organizações estão em um estágio considerado “maduro”, 30% no nível “eficaz”, 20,3% no estágio “imaturo” e 10,1% em um patamar “suficiente”. “Essa distribuição mostra que o tema faz parte da pauta estratégica das empresas, mas ainda está distante do patamar ideal de consistência e profundidade”, afirma a especialista.  

Conscientização em ação

Uma das principais conclusões da pesquisa da EXEC é que as empresas já despertaram para a importância de reter seus talentos-chave, mas ainda precisam transformar conscientização em ação, indo além do discurso, adotando práticas que consolidam uma cultura de desenvolvimento contínuo. “Isso engloba o mapeamento dos profissionais estratégicos, criar planos individualizados, qualificar e envolver as lideranças na construção de ambientes que promovam crescimento e pertencimento”.

Mais do que evitar desligamentos, reter talentos envolve o fortalecimento do capital intelectual que sustenta o desempenho e a cultura organizacional. “Quando uma empresa retém seus talentos-chave, ela não está apenas evitando desligamentos, mas preservando conhecimento, acelerando inovação e sustentando sua vantagem competitiva. Retenção é uma estratégia de negócio, e não apenas uma prática de RH.”

A pesquisa da EXEC indica que, apesar dos avanços, as organizações brasileiras ainda têm uma jornada relevante pela frente. “A retenção de talentos-chave precisa deixar de ser uma reação emergencial e se consolidar como um pilar estratégico, capaz de fortalecer o capital intelectual que sustenta o desempenho, a inovação e a cultura organizacional”, conclui. 

Compartilhar:

Artigos relacionados

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Liderança
29 de junho de 2026 16H00
Ao revisitar a história de Francisco Serrão, este artigo propõe uma inversão rara na lógica da liderança contemporânea: talvez a verdadeira coragem não esteja em continuar a todo custo, mas da capacidade de definir limites.

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de junho de 2026 08H00
Ao contrastar o poder das big techs ocidentais com a força industrial e estrutural do Oriente, este artigo amplia a leitura sobre inovação e revela que o futuro da economia global não será definido por empresas isoladas, mas pela interação entre ecossistemas tecnológicos interdependentes.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de junho de 2026 15H00
Com Sérgio Frangioni e a Blanver como pontos de observação, o terceiro artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira investiga como decisões empresariais, PDPs, IFAs e produção local podem aproximar inovação farmacêutica da vida concreta dos pacientes.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

13 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de junho de 2026 08H00
Diante de um cenário de sobrecarga crescente no trabalho, este artigo mostra que o problema não está apenas no volume, mas na forma como o trabalho é organizado, e apresenta caminhos práticos para redesenhá-lo com mais significado, autonomia e energia.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Estratégia
27 de junho de 2026 15H00
Mais do que acumular experiências, este artigo propõe uma mudança na forma de pensar carreira, apoiando-se em conceitos como “capital profissional” (composto de cinco capitais) e “professional equity”

Nathália Brandão - Head de Educação Corporativa no TikTok LATAM, Escritora e Forbes Under 30

5 minutos min de leitura
Liderança
27 de junho de 2026 08H00
Na estreia da coluna do Grupo Mulheres do Brasil, este artigo mostra que a liderança do futuro não será construída por decisões individuais, mas pela capacidade de mobilizar diversidade, escuta e inteligência coletiva para enfrentar desafios que já não cabem em uma única visão.

Andrea Gasques - Diretora de Comunicação do Grupo Mulheres do Brasil

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de junho de 2026 14H00
Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.

Janaina Calazans - Gerente de Ensino Superior da CESAR School

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de junho de 2026 08H00
Este artigo revela por que o verdadeiro desafio da IA não é adoção, mas uso intencional, capaz de ampliar o pensamento, e não substituí-lo.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Estratégia, Gestão de recursos
25 de junho de 2026 15H00
A teoria dos jogos expõe o erro estrutural por trás do modelo reativo que consome bilhões sem gerar resultados proporcionais. Este artigo mostra que não falta dinheiro na saúde, falta estratégia para usar.

Dr. Jorge Luiz Andrade - Anestesiologista e vice-presidente da Unimed Nova Iguaçu

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
25 de junho de 2026 08H00
Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo