Inovação & estratégia
3 minutos min de leitura

Entre enchentes, secas e ondas de calor: o próximo desastre climático já integra a agenda da gestão

Os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos em diferentes regiões do planeta e tendem a se intensificar nas próximas décadas. Mais do que reagir aos desastres quando eles acontecem, o texto defende uma abordagem baseada em prevenção, planejamento e uso estratégico da tecnologia para reduzir vulnerabilidades e aumentar a capacidade de adaptação.
Diretor de Riscos da WTW Brasil

Compartilhar:

As terríveis enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul completaram três anos em abril de 2026. Passaram-se, desde então, mais de 830 dias. Mas, quando se abre os principais veículos de comunicação do País, vemos, novamente, a região sendo assolada por enchentes e inundações.

O “vilão da vez” é o Super El Niño, uma versão muito mais forte do El Niño comum, caracterizada pelo aquecimento extremo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Ele provoca grandes mudanças no clima do mundo todo, gerando fortes ondas de calor, secas severas e chuvas intensas.

Seus efeitos estão sendo sentidos em todo mundo, não só no Brasil. A Europa foi assolada por ondas de calor fortíssimas, para os quais não está preparada. Na França, por exemplo, a maioria dos imóveis não possui ar-condicionado, afinal, ele não era necessário; a Espanha, em contrapartida, foi atingida por incêndios florestais nunca vistos antes.

Esse “inimigo” superpoderoso não nos é desconhecido. Entre os anos de 1877 e 1878, um fenômeno semelhante produziu consequências catastróficas, afetando diretamente a segurança alimentar global e provocando milhões de mortes em diferentes regiões do mundo, inclusive no Brasil. Estimativas dizem que esse número chegou a 50 milhões.

É verdade que muita coisa mudou em mais de um século. Agora, temos inúmeras ferramentas tecnológicas, que podem nos ajudar a lidar com esse desafio global e com as mudanças climáticas, como um todo. O Japão, por exemplo, implementou sistemas de alerta e evacuação, principalmente depois do terrível tsunami que atingiu o País em 2011. Já a Holanda tem investido em engenharia avançada contra o aumento do nível do mar.

Entretanto, no Brasil, o que observamos é a persistência de um desafio recorrente, a dificuldade de transformar a urgência do tema em ações estruturadas e de longo prazo.

Já está claro que os impactos das mudanças climáticas tendem a se intensificar nos próximos anos. Diante desse cenário, não há espaço para postergar decisões e iniciativas necessárias para aumentar a resiliência de nossas cidades, empresas e comunidades. É fundamental que os setores público e privado atuem de forma coordenada, cada um em sua esfera de responsabilidade, para mitigar riscos e reduzir impactos.

E, nesse cenário, a tecnologia está a nosso favor. Um levantamento recente feito pela WTW mostrou como diversas regiões do Brasil serão impactadas pelas mudanças climáticas até 2030, 2050 e 2100.

O levantamento possui cinco níveis de ocorrência, sendo o 1º para os muito baixos e o 5º para os muito altos. Ainda de acordo com esse levantamento, o nosso principal inimigo não serão as enchentes, cuja recorrência fica no primeiro nível.

Os vilões serão as ondas de calor, as secas e as chuvas intensas fora do período esperado. Segundo o levantamento, a partir de 2030 as regiões Sul, Nordeste e Sudeste do Brasil estarão no nível 2 em secas, chegando ao nível 3 a partir de 2050. Já no quesito ondas de calor, o Brasil como um todo entrará no nível 3 a partir de 2030, com o Nordeste avançando para o nível 4 a partir de 2050.

É importante destacar que a ideia não é ser apocalíptico, mas mostrar que precisamos nos preparar. A oportunidade para resolver esses problemas está na nossa frente. Agora não é hora de nos acomodar, e, sim, de agir.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Você está ai? O silêncio digital no expediente virou estratégia de produtividade

A disponibilidade constante passou a ser confundida com produtividade. Mas, enquanto profissionais são cobrados por respostas rápidas, cresce a necessidade de concentração para realizar atividades que exigem análise, criatividade, julgamento e tomada de decisão. O artigo propõe uma reflexão sobre o valor do silêncio digital no trabalho, mostrando por que organizações que desejam melhores resultados precisam aprender a proteger a atenção das pessoas, e não apenas monitorar sua presença online.

Inspirar o mercado é diferente de copiar

Mais do que proteger ideias, a discussão convida empresas a construírem uma cultura em que o pioneirismo sirva de estímulo para novas criações, e não de atalho para replicar o trabalho de quem inovou primeiro.

O fim da educação cega: Learner 360 – uma nova forma de enxergar quem aprende

O artigo discute por que a personalização da aprendizagem exige ir além dos indicadores tradicionais e apresenta o conceito de Learner 360, uma proposta para construir uma visão mais integrada, dinâmica e significativa do aprendiz, capaz de apoiar decisões educacionais mais precisas e trajetórias de desenvolvimento verdadeiramente centradas no indivíduo.

O futuro do trabalho será criativo, conectado e escalável

A IA vai tirar empregos ou reinventar o trabalho? A pergunta mais comum sobre inteligência artificial ainda gira em torno da substituição de empregos. O artigo propõe uma reflexão sobre o futuro das carreiras, questionando a estrutura tradicional das organizações e defendendo um modelo em que pessoas se concentram cada vez mais em criar, conectar, verificar e escalar, enquanto a IA assume grande parte das atividades operacionais.

Criatividade deixou de ser campanha. Tornou-se estratégia.

O artigo defende que a criatividade deixou de ser um recurso pontual para se tornar uma capacidade organizacional capaz de conectar tecnologia, inovação, cultura e estratégia, sustentando o crescimento contínuo e a relevância das empresas no longo prazo.

ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 14H00
Dois jovens iniciaram a carreira no mesmo programa de trainees, com formações semelhantes e perspectivas promissoras. Trinta anos depois, vivem realidades profissionais e financeiras muito diferentes. A partir dessa história, o artigo propõe uma reflexão sobre como empresas podem contribuir para trajetórias mais sustentáveis e equitativas ao longo de toda a vida.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução