ESG
4 minutos min de leitura

ESG: uma pauta de sobrevivência empresarial

O ESG deixou de ser uma iniciativa reputacional ou opcional para se tornar uma condição de sobrevivência empresarial, especialmente a partir de 2026, quando exigências regulatórias, como os padrões IFRS S1 e S2, sanções da CVM e acordos internacionais passam a impactar diretamente a operação, o acesso a mercados e ao capital. A agenda ESG saiu do marketing e entrou no compliance - e isso redefine o que significa gerir um negócio
Coordenador do Comitê Administrativo e Financeiro da Sustentalli – Cooperativa de Especialistas em Sustentabilidade e Governança

Compartilhar:

Pergunta simples: sua empresa consegue operar sem CNPJ? Sem alvará? Sem contrato social?

Impossível. Em 2026, ESG entrou nessa lista de “sem isso, não há negócio”. Não é idealismo. É matemática fria: desde 1º de janeiro de 2026, empresas de capital aberto no Brasil que não reportam ESG seguindo padrões IFRS S1 e S2 enfrentam sanções da CVM. O acordo Mercosul-UE barra exportações sem rastreabilidade ambiental.

Este artigo mostra por que o ESG se consolidou como pauta de sobrevivência empresarial e como sua implementação estruturada pode garantir resiliência em um ambiente de negócios mais regulado, competitivo e transparente.

A transformação do papel do ESG

Até pouco tempo atrás, muitas empresas viam o ESG como uma forma de se diferenciar, melhorar reputação e ganhar prêmios. Bastava um relatório, algumas iniciativas isoladas e um bom storytelling. Essa perspectiva já ficou para trás. Hoje, existem quatro pilares que orquestram a nova realidade das práticas ESG.

Primeiro, para as empresas de mercado aberto deixou de ser uma escolha. Para janeiro de 2027, está na lista de entregas essenciais o relatório de sustentabilidade em linha com os padrões internacionais IFRS S1 e IFRS S2. Esses relatórios devem evidenciar riscos e oportunidades de sustentabilidade que sejam financeiramente relevantes para o negócio, incluindo o clima. 

O acordo Mercosul–União Europeia, aprovado politicamente e em processo de ratificação, vincula benefícios tarifários a compromissos ambientais e climáticos. Para empresas brasileiras que exportam ou desejam exportar para a Europa, isso se traduz em exigências concretas, como rastreabilidade robusta da cadeia produtiva, comprovação de ausência de desmatamento ilegal, alinhamento com o Acordo de Paris e metas climáticas nacionais e o respeito a direitos trabalhistas e padrões de governança.

Ao mesmo tempo, a sociedade ficou mais atenta a incoerências entre discurso e prática. O relatório da Nielsen mostrou que 73% dos Millennials estão dispostos a pagar mais por marcas sustentáveis. Um estudo da McKinsey apontou que a Geração Z valoriza empresas que representam suas causas como diversidade, bem-estar mental e responsabilidade ambiental. 

Ignorar ESG deixou de ser “economia de curto prazo” para se tornar um passivo significativo. Os custos aparecem em várias frentes: quando falamos em operação, as organizações podem arcar com multas ambientais e sanções administrativas (que variam entre R$ 5.000 a R$ 50 milhões), atrasos ou negativa em licenciamentos e até paralisação de operações por embargos, protestos ou ações civis públicas.

Financeiramente, os potenciais prejuízos incluem aumento do custo de capital, perda de valor de mercado em eventos de crise ESG, desinvestimento por fundos e investidores institucionais com mandatos ESG e prêmios de seguro mais caros ou impossibilidade de obter cobertura. Em termos jurídicos, os danos podem envolver processos por greenwashing, divulgação enganosa ou omissão de riscos materiais; responsabilização de administradores por falhas de governança e multas LGPD de até 2% do faturamento (limite R$ 50 milhões/infração).

Por último, não posso deixar de citar os danos à reputação, como cancelamento e boicotes coordenados em redes sociais, quebra de confiança com clientes, parceiros e colaboradores e dificuldade de atrair talentos qualificados, especialmente jovens que valorizam propósito.

Mas ESG não é apenas sobre evitar riscos. Empresas que implementam ESG estruturado capturam valor tangível ao reduzir custos operacionais, quando promovem eficiência energética (economias de 15% a 30%); gestão de resíduos (redução de 20% a 40% em custos de descarte); retenção de talentos (diminuição de 25% em turnover). As empresas com rating ESG alto obtêm taxas de juros 0,5-1,5% menores; Green bonds e sustainability-linked loans oferecem condições preferenciais. Ainda, possuem acesso preferencial a licitações públicas (Lei 14.133/2021) e ao mercado europeu, que valoriza empresas com gestão atenta à sustentabilidade e governança.

Da defensiva à ofensiva: plano de implementação ESG

O primeiro passo é abandonar a visão de ESG como custo periférico ou como um simples “projeto de sustentabilidade”, tratado de forma acessória ou pontual. ESG não é mais responsabilidade de uma área isolada, nem pode ficar restrito a relatórios ou discursos institucionais. É uma pauta estratégica do CEO e do Conselho, com impactos diretos na gestão de riscos, no desempenho financeiro, na eficiência operacional, no acesso a capital e na reputação das organizações. Ignorar essa realidade é comprometer a competitividade, a credibilidade e a perenidade do negócio no médio e longo prazo.

Em 2026, ESG se consolida como a nova pressão evolutiva do mundo corporativo, redefinindo padrões de governança, exigências regulatórias e expectativas de investidores, consumidores e da sociedade. A escolha é simples: adaptar-se de forma estruturada, integrada e mensurável ou ficar para trás em um mercado cada vez mais exigente. O tempo está se esgotando. A ação é hoje.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Liderança
29 de julho de 2026 07H00
Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Betania Tanure - PhD, Sócia fundadora da BTA, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 14H00
Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor e Clara Choen - Fundadora da Savant Consulting

12 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 08H00
Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
27 de julho de 2026 14H00
Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.

Vinicius Ladeira - Diretor Adjunto Nacional do SEST SENAT

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de julho de 2026 08H00
Enquanto o debate sobre inteligência artificial continua concentrado em modelos, automação e produtividade, uma outra transformação acontece nos bastidores: a tensão gerada entre a democratização e a concentração de poder que pode definir a próxima fase da economia global.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

8 minutos min de leitura
Liderança
26 de julho de 2026 13H00
Após décadas em grandes empresas, o autor trocou a segurança da carreira corporativa pelo desafio de empreender na gastronomia. Nesta reflexão, mostra por que os princípios que sustentam uma multinacional - planejamento, processos, gestão financeira e foco no cliente - são exatamente os mesmos que garantem o sucesso de um restaurante.

Caio Fontenelle - Fundador dos restaurantes Figueira, Oliv e Pepper Jack

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de julho de 2026 07H00
A IA pode economizar horas em atividades operacionais, mas seu maior valor talvez esteja em outro lugar: ampliar perspectivas, conectar ideias e elevar a qualidade das decisões. O desafio é entender quando estamos ganhando velocidade e quando estamos construindo algo melhor.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
25 de julho de 2026 14H00
Muitas organizações ainda tratam o engajamento como uma característica individual, quando ele é, em grande parte, resultado do contexto que a liderança constrói. Este artigo mostra como confiança, autonomia, segurança psicológica e qualidade das relações influenciam diretamente a disposição das pessoas para inovar, colaborar e gerar resultados sustentáveis.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Liderança
25 de julho de 2026 08H00
Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

Chieko Aoki - Fundadora e presidente da Blue Tree Hotels

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, User Experience, UX
24 de julho de 2026 14H00
Impulsionado pelo avanço do wellness e pela busca crescente por experiências com significado, o setor de turismo enfrenta um novo desafio: deixar de vender viagens para entregar transformação, criando vínculos de longo prazo e novas vantagens competitivas.

João Biancardi - Diretor de Marketing e Experiencia do Cliente do Grupo Mabu

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo