Em um ambiente de negócios cada vez mais volátil e impulsionado pela inteligência artificial, a busca por crescimento contínuo e sustentável demanda das lideranças uma visão comum: clara, inspiradora e estratégica. Para isso, é preciso ter as pessoas certas, e com as habilidades certas, dentro das organizações.
Este perfil de liderança deve manter o foco no crescimento, claro, mas também ter um olhar maduro para alianças, riscos e, especialmente, talentos e tecnologia. O líder do futuro – que já é demandado no presente – tem o papel de promover iniciativas inovadoras, que maximizem valor ao mesmo tempo em que promovam o empoderamento organizacional. Assim, às habilidades técnicas, unem-se competências como adaptabilidade, inteligência emocional, visão estratégica e capacidade de aprendizagem.
A mudança aparece de forma clara na edição de outubro do estudo bianual “CEO Survey 2025”, da Deloitte. Entre as competências consideradas mais importantes para um futuro definido pela IA, a mentalidade de crescimento (o chamado growth mindset) aparece à frente das habilidades técnicas, seguida de inteligência emocional e adaptabilidade.
O dado indica uma alteração significativa nas expectativas sobre a força de trabalho e reflete uma transformação mais ampla no papel da estratégia dentro das empresas. Ou seja: em um panorama de transição constante, estratégia deixa de significar representar planejamento de longo prazo e se torna sinônimo de agilidade para a adaptação a novas condições de mercado. É nesse cenário que o Chief Financial Officers (CFO) e o Chief Strategy Officers (CSO) ganham protagonismo crescente.
Como aponta o estudo “Finance Trends 2026”, os CFOs atuam, hoje, em um ambiente de negócios mais complexo, volátil e pressionado por decisões rápidas, que exige digitalização acelerada, novas competências e governança. Há uma relação direta entre o impacto das iniciativas digitais e o grau de envolvimento do CFO na definição dos rumos da organização, à medida que tecnologia, alocação de capital e geração de valor se tornam mais integradas.
O panorama evidencia que o futuro será guiado por agilidade, influência estratégica, uso avançado de tecnologia e formação de equipes multidisciplinares, já que é essencial compreender a aplicabilidade da tecnologia dentro da cadeia de valor.
O mesmo ocorre com os CSOs (Chief Strategy Officer). A pesquisa “Global Chief Strategy Officer Survey” mostra que, embora a posição ainda seja relativamente recente nas organizações, ela já se encontra em evolução frente um ambiente econômico mais dinâmico, que exige maior capacidade de priorização e clareza estratégica.
A pesquisa aponta que, para nove em cada dez CSOs consultados, a reinvenção será essencial para manter a competitividade. Para quatro em cada dez, essa necessidade é imediata, impulsionada pela inteligência artificial.
Nesse ambiente, as organizações precisam redefinir seus processos, passando de um modelo centralizado para outro mais amplo e complexo, suportado pela conexão digital, pela IA e pela análise de dados, em que múltiplos atores pensam estrategicamente. São esses fatores que vão possibilitar aos líderes terem uma visão 360 do negócio para construir resiliência e crescimento.
Organizações bem-sucedidas serão aquelas capazes de combinar tecnologia, visão de longo prazo, capacidade de recalcular a rota e traçar novos cenários rapidamente, com lideranças que entendam como se beneficiar de um cenário menos linear. Mais do que entregar execução com excelência técnica, o que se espera dos líderes do futuro é que tenham as habilidades certas para pilotar com firmeza entre as turbulências de um cenário de incertezas.




