Empreendedorismo
5 min de leitura

IA aprofunda a crônica escassez de talentos no Brasil

Esse ponto sensível não atinge somente grandes corporações; com o surgimento de novas ferramentas de tecnologias, a falta de profissionais qualificados e preparados alcança também as pequenas e médias empresas, ou seja, o ecossistema de empreendedorismo no país
cofundador e co-CEO da Kyvo. Nos últimos 7 anos a Kyvo já realizou mais de 80 projetos de design de serviços e pesquisas qualitativas (viés etnográfico) para empresas nacionais e internacionais. Somente para um grande cliente foram mapeados mais de 72 serviços. Seu time profissional conta com designers estratégicos, designers de serviço, antropólogos, jornalistas e outras especialidades.

Compartilhar:

O Brasil avança no cenário global de inovação. O país consolidou sua posição como líder na América Latina e subiu no Índice Global de Inovação 2024 (fonte), ocupando a 50ª posição entre 133 países. Esse progresso, no entanto, convive com um desafio estrutural que pode comprometer a competitividade nacional: a escassez de talentos especializados em dados e Inteligência Artificial (IA). Ao mesmo tempo, a PwC CEO Survey 2025 (fonte) aponta que dois terços dos CEOs brasileiros planejam integrar IA em seus processos e fluxos de trabalho. O que poderia ser um movimento decisivo para a digitalização dos negócios esbarra na falta de profissionais qualificados, um problema que não se resolve apenas com a contratação de mais talentos, mas com uma mudança profunda na forma como as empresas estruturam suas estratégias e implementam novas tecnologias.

A crescente dependência de IA para tomada de decisão, otimização de processos e inovação de produtos não é um fenômeno restrito a grandes corporações. Pequenas e médias empresas também estão diante da necessidade de se adaptar rapidamente. Mas essa transição exige um nível de maturidade digital que nem todas estão prontas para alcançar sozinhas. O desafio não é apenas técnico. Ele envolve cultura organizacional, governança de dados e a capacidade de transformar informação em inteligência estratégica.

O Brasil, apesar do avanço nos rankings de inovação, ainda enfrenta barreiras na formação de uma base sólida de profissionais qualificados para atuar nesse novo contexto. Muitas empresas, ao se depararem com a complexidade da implementação de IA, acabam adiando ou limitando seus projetos a experimentos isolados, sem integração real ao negócio. A consequência é a frustração com a tecnologia e a perda de oportunidades competitivas.

A experiência recente de grandes empresas brasileiras mostra que há caminhos para contornar esse problema. Em vez de esperar a formação de uma nova geração de talentos ou lidar com a escassez de profissionais altamente especializados, algumas companhias adotaram uma abordagem mais estruturada para garantir que a IA gere impacto real. Foi o caso da Unifique (fonte), operadora de telecomunicações do Sul do Brasil, que para reduzir a taxa de cancelamento de contratos, estruturou um modelo preditivo baseado em IA para antecipar quais clientes tinham maior propensão a cancelar serviços. Outro exemplo vem da Vivo (fonte), uma das maiores operadoras de telecomunicações do Brasil. A empresa enfrentava o desafio de aprimorar a experiência do cliente em um mercado altamente competitivo e encontrou na IA uma aliada estratégica.

Esses casos demonstram que a adoção de IA não se resume a uma questão tecnológica, mas envolve estratégia, estruturação de processos e integração eficiente dos dados ao dia a dia da organização. A tecnologia sozinha não resolve problemas, mas, quando bem aplicada, transforma a forma como as empresas operam, criam valor e se relacionam com seus clientes.

O Brasil tem potencial para ser um protagonista na inovação baseada em IA, mas precisa acelerar o desenvolvimento de capacidades internas para que essa tecnologia seja um fator de vantagem competitiva real. O momento exige não apenas investimento em novas ferramentas, mas uma visão mais ampla sobre como construir organizações capazes de aprender, adaptar-se e inovar continuamente em um mundo movido por dados e inteligência artificial.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Mudar para continuar o mesmo

Ao visitar um dos vinhedos mais renomados de Bordeaux, o autor encontrou uma reflexão que ultrapassa o universo do vinho e alcança empresas, famílias e instituições. A decisão do Château Lafleur de abandonar uma denominação de origem histórica revela um dilema cada vez mais presente nas organizações: como preservar princípios e identidade em um mundo que exige adaptação constante?

SOMPO Holdings: da crise provocada por si mesma a uma transformação guiada por propósito

Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Por que lavar as mãos ainda é uma das maiores armas da medicina?

Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 de agosto de 2026 08H00
Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
2 de agosto de 2026 13H00
Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Sthefano Scalon Cruvinel - Doutrinador do Direito, Auditor Judicial com atuação no STJ e CEO da EvidJuri

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de agosto de 2026 08H00
Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Fernando Wosniak Steler - Co-Fundador e CEO da Delend

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
1º de agosto de 2026 14H00
Impulsionadas pelas exigências de investidores, certificações ambientais e adaptação climática, as edificações sustentáveis consolidam-se como ativos estratégicos para empresas que buscam eficiência, resiliência e geração de valor de longo prazo.

Euclides Ciruelos - Idealizador da SmartLy, diretor e responsável técnico da HotFloor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
1º de agosto de 2026 08H00
Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante 

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de julho de 2026 14H00
Mais contatos, mais mensagens, mais reuniões e menos impacto. Em uma economia movida por redes e ecossistemas, a vantagem competitiva não está em estar conectado o tempo todo, mas em construir conexões capazes de gerar confiança, influência, inovação e transformação ao longo do tempo.

Tássia Galvão - Fundadora e CEO da Konne

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo