ESG, Inteligência artificial e gestão, Diversidade, Diversidade

IA nos negócios: evitando a perpetuação de preconceitos

Racismo algorítimico deve ser sempre lembrado na medida em que estamos depositando nossa confiança na inteligência artificial. Você já pensou sobre esta necessidade neste futuro próximo?
CEO e Partner da Nossa Praia e Chief Sustainability Officer da BPartners.co Conselheira da Universidade São Judas, 99 jobs, Ampro – Associação de Marketing Promocional, APD - Associação Pró Dança e Plan InternationalCEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera ntwk. Atualmente, Dilma também é conselheira da Universidade São Judas, da Ampro – Associação de Marketing Promocional; da APD - Associação Pró Dança, APP - Associação dos Profissionais da Propaganda e do ICS - Instituto Clima e Sociedade Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival

Compartilhar:

Joy Buolamwini, mulher preta, estava no primeiro ano de sua pós-graduação no MIT em 2015 quando criou um experimento chamado “Aspire Mirror”, que tentava mudar a imagem de seu rosto na tela do computador, para funcionar como se fosse um espelho, mas os softwares simplesmente não conseguiam reconhecer sua face. A Amazon criou um programa de inteligência artificial para encontrar bons candidatos a vagas de emprego, que discriminava mulheres no processo de seleção.

A empresa deixou de usar o programa, mas só descobriu a falha após um ano de desenvolvimento. Uma [campanha de uma rede de farmácias patrocinadora da Seleção Brasileira Feminina de Futebol](https://www.youtube.com/watch?v=4S9ebTxKePM) mostra uma resposta enviesada dos três chatbots de IA mais conhecidos do mundo – entre eles o ChatGPT – , que dizia que quem havia feito mais gols pela Seleção Brasileira era Pelé, quando a resposta correta seria Marta (119 gols, contra os 95 dele).

O que essas histórias nos alertam sobre a Inteligência Artificial?

__Há um iminente risco de perpetuarmos os preconceitos de gênero, raça e etnia de nossa sociedade se continuarmos a usar a IA como temos feito até hoje. Um viés que pode trazer severos danos de imagem e reputação das marcas e consequências ainda piores para as pessoas impactadas pelos erros da tecnologia.__

Esse alerta se torna ainda mais urgente considerando uma [pesquisa do BCG que ouviu 1.400 executivos C-level](https://www.bcg.com/publications/2024/from-potential-to-profit-with-genai), que diz que 89% dos líderes consideram a IA e a GenAI uma das três prioridades tecnológicas para suas empresas, sendo que mais da metade (51%) coloca estas tecnologias no topo da lista dos investimentos.

Se os negócios estão sendo redesenhados usando tecnologias emergentes como a IA, o que precisa ser feito para evitar erros como os das histórias contadas no início deste artigo?

Em primeiro lugar, alertar os executivos, lideranças e CEOs que tomam as decisões de investimentos na tecnologia sobre a importância da diversidade e da responsabilidade ética das marcas como premissas de desenvolvimento, em especial enquanto a regulamentação da IA ainda não foi aprovada. Afinal, os algoritmos da inteligência artificial são treinados com base em dados que precisam __prever a diversidade de raça, gênero e etnia da população brasileira__ e mundial.

Parece óbvio, mas por que ainda precisamos falar sobre isso? Uma pesquisa do Google for Startups, “[O Impacto e o futuro da Inteligência Artificial no Brasil](https://startup.google.com/intl/pt-BR/inteligencia-artificial/)” mostrou que falta diversidade nas empresas de IA: 49% não têm mulheres na liderança, 61% não têm pessoas negras nestes cargos e 71% não têm pessoas LGBTQIAPN+. Sem o olhar diverso, será que os programas de IA e os algoritmos que estão sendo desenvolvidos nesse ecossistema têm a premissa de incluir todas as pessoas em sua diversidade? Muito provavelmente não.

Uma iniciativa brasileira que está indo na contramão desta tendência é a [DEB](https://www.instagram.com/chamaadeb/), uma IA desenvolvida pelo [Instituto Identidades do Brasil](https://www.simaigualdaderacial.com.br/), ONG que promove a igualdade racial no mercado de trabalho e na sociedade. Desenvolvida por uma equipe de especialistas em diversidade do Instituto, DEB tira dúvidas sobre a pauta étnico-racial, apoiando o letramento racial de empresas e organizações.

Antes de finalizar, quero destacar uma fala de Joy Buolamwini, a pesquisadora do início desse texto que, depois de ter descoberto as falhas nos sistemas de reconhecimento facial de pessoas pretas, intensificou os estudos e fundou a Liga da Justiça Algorítmica, além de publicar o best-seller Unmasking AI. Sua reflexão resume de forma exemplar porque as empresas têm de se preocupar com o tema, se não pela questão ética, pelo impacto disso no negócio: “Se você criou uma ferramenta de IA que não funciona para a maioria das pessoas do mundo, você acha que realmente criou uma boa ferramenta?”

Compartilhar:

CEO e Partner da Nossa Praia e Chief Sustainability Officer da BPartners.co Conselheira da Universidade São Judas, 99 jobs, Ampro – Associação de Marketing Promocional, APD - Associação Pró Dança e Plan InternationalCEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera ntwk. Atualmente, Dilma também é conselheira da Universidade São Judas, da Ampro – Associação de Marketing Promocional; da APD - Associação Pró Dança, APP - Associação dos Profissionais da Propaganda e do ICS - Instituto Clima e Sociedade Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival

Artigos relacionados

A IA vai pelo mesmo caminho do ERP e da transformação digital?

O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia – mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.

Estamos aprendendo mais (e entendendo menos)

Este artigo propõe uma mudança de lógica na aprendizagem: mais do que acumular conteúdo, o diferencial passa a ser a capacidade de conectar conhecimentos, interpretar contextos e transformar informação em decisão e ação.

Liderança
14 de maio de 2026 08H00
À luz do Aikidô, este artigo analisa a transição da liderança coercitiva para a liderança que harmoniza sistemas complexos, revelando como princípios como Wago, Awase e Shugi‑Dokusai redefinem estratégia e competitividade na era da incerteza.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

10 minutos min de leitura
Liderança
13 de maio de 2026 15H00
Em um mundo dominado pela urgência e pelo excesso de estímulos, este artigo provoca uma reflexão essencial: até que ponto estamos tomando decisões - ou apenas reagindo? E por que recuperar a capacidade de pausar, escolher e agir com intenção se tornou um diferencial crítico para líderes e organizações.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

7 minutos min de leitura
Finanças, Inovação & estratégia
13 de maio de 2026 08H00
Entre pressão por resultados imediatos e apostas de longo prazo, este artigo analisa como iniciativas de CVC podem sobreviver ao conservadorismo corporativo e construir valor além do retorno financeiro.

Rafael Siciliani - Gerente de New Business Development na Deloitte

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
12 de maio de 2026 14H00
O que antes era visto como informalidade agora é diferencial: este artigo explora como a cultura brasileira vem ganhando espaço global - e se transformando em ativo estratégico nas empresas.

Bell Gama - Sócia-fundadora da Air Branding

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
12 de maio de 2026 08H00
Enquanto agendas lotam e decisões patinam, este artigo mostra como a ascensão dos agentes de IA expõe a fragilidade das arquiteturas de decisão - e por que insistir em reuniões pode ser sinal de atraso estrutural.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

6 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
11 de maio de 2026 15H00
A troca no comando da Apple reacende um dilema central da liderança: como assumir um legado sem se tornar refém dele - e por que repetir o passado pode ser o maior risco em qualquer processo de sucessão.

Maria Eduarda Silveira - CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
11 de maio de 2026 08H00
Vivara, Natura, Blip, iFood e Endeavor já estão usando o Open Talent para ganhar agilidade e impacto. Este artigo revela por que a liderança por projeto e o talento sob demanda estão redesenhando o futuro do trabalho.

Cristiane Mendes - CEO da Chiefs.Group

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
10 de maio de 2026 15H00
Em certas empresas, estar certo não basta - é preciso ser relevante na sala onde as decisões realmente acontecem. Este artigo revela por que, em estruturas de controle concentrado, a influência do CFO depende menos da planilha e mais da capacidade de ler pessoas, contexto e poder.

Darcio Zarpellon - Diretor Financeiro (CFO) e membro certificado do Conselho de Administração (CCA-IBGC | CFO-BR IBEF)

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de maio de 2026 08H00
Este artigo revela como contratações executivas mal calibradas - ou decisões adiadas - geram custos invisíveis que travam crescimento, atrasam decisões e comprometem resultados no longo prazo.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
9 de maio de 2026 15H00
Em um setor marcado por desafios constantes, este artigo revela por que a verdadeira vantagem competitiva está na capacidade de evoluir com consistência, fortalecer relações e entregar valor sustentável no longo prazo.

Rodrigo M. Bortolini - Diretor-presidente da Selgron

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão