Uncategorized

Marca empregadora e antifragilidade em tempos de crise

O que a voz da juventude nos ensina e como conectar estes ensinamentos à prosperidade organizacional

Compartilhar:

Os impactos econômicos gerados pela crise do novo coronavírus colocaram um foco sem precedentes nos desafios enfrentados por gestores de empresas dos mais variados portes e setores de atuação, evidenciando as necessidades de [aprendizado, adaptabilidade](https://www.mckinsey.com/~/media/McKinsey/Business%20Functions/Risk/Our%20Insights/COVID%2019%20Implications%20for%20business/COVID%2019%20May%2013/COVID-19-Briefing-note-May-13-2020-v3.ashx) e [antifragilidade](https://www.theguardian.com/books/2012/nov/21/antifragile-how-to-live-nassim-nicholas-taleb-review) dos negócios que desejam prosperar.

Como se já não bastassem as batalhas cotidianas para garantir a saúde de um empreendimento, houve uma intensificação repentina dos obstáculos e trade-offs enfrentados por profissionais ao redor do mundo.

Uma das consequências mais frequentes e temidas é a redução de faturamento que a maioria dos negócios enfrenta atualmente, tendo como maior efeito a necessidade imediata de revisão do quadro de funcionários, já que a folha de pagamento costuma ser a maior conta das empresas. 

Desta forma, pode parecer necessário que a primeira ou mais impactante revisão financeira em um momento de recessão econômica seja a demissão de funcionários. Porém, essa decisão, que a princípio parece lógica, pode também carregar a reboque externalidades significativas para empresas que desejam **se manterem vivas após a passagem deste contexto único que estamos vivenciand**o.

As decisões gerenciais em momento de crise podem ser interpretadas como a tradução das prioridades da [**cultura de uma organização**](https://materiais.revistahsm.com.br/ebook-cultura-consciente) e elas estão na “vitrine da firma”, ao alcance dos olhos, percepções e julgamentos do futuro de tal organização: jovens profissionais.

O que a voz das juventudes nos ensina
————————————-

A forma como a **cultura das empresas** transparece é interpretada sob diversos critérios pelos jovens talentos em busca de alocação no mercado. Caso as atitudes gerenciais estejam na contramão destes critérios, a empresa pode até sobreviver à crise, porém terá que pagar a conta da falta de confiança de potenciais candidatos – no curto e longo prazo.

Além das acentuadas transições no comportamento de consumidores – em termos de necessidades, canais e condições de compra -, há uma igualmente profunda transição na percepção para com [**marcas empregadoras**](https://revistahsm.com.br/post/o-que-os-jovens-esperam-da-sua-marca-empregadora-na-pandemia). 

Como evidenciado no estudo liderado pela _Link Humans_, houve um aumento na percepção de importância sobre critérios de marca empregadora, como Equilíbrio e Bem estar, Remuneração, Ambiente de trabalho, Gestão e Organização, Missão e Propósito, e Mudança e Estabilidade. 

**Quadro Sintético de Resultados**

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/3b015daa-f0d5-429d-8665-2d3a24e62d39.png)

    Fonte: Estudo “[COVID-19’S IMPACT ON EMPLOYER BRAND](https://linkhumans.com/covid-impact-employer-brand/)”, Link Humans, 2020.

Na [quarta edição da The Truth](https://bit.ly/2zVdkS5) – pesquisa que conversa diretamente com os jovens de todo o Brasil e que estão inscritos na base da plataforma Eureca – avaliamos a percepção da juventude em relação às marcas empregadoras, sendo possível observar sua demanda por **oportunidades e estabilidade** nesse período de crise. Veremos como essa conclusão não é surpreendente.

Jovens talentos em busca por posições no mercado de trabalho estão sofrendo com o impacto do congelamento ou cancelamento das iniciativas de contratação – a saber, com ênfase em aquisição entry-level, como programas de estágio e trainee. 

Além das empresas que alteraram seus planos de contratação antes de começarem os processos, existem as que alteraram processos em andamento, aumentando a incerteza percebida para talentos que já estavam engajados e comprometidos (bem como com expectativa criada) para com seu potencial primeiro emprego.

Conectando esses ensinamentos à prosperidade organizacional
———————————————————–

As discussões sobre marcas empregadoras e suas capacidades de atrair e reter talentos ganham perspectiva e investimentos nos últimos anos. Principalmente com a ascensão das mídias sociais, o significado de **transparência** das marcas para com seus clientes mudou, assim como o nível de engajamento e defesa das empresas por parte de seus funcionários.

Estrategicamente, tornar uma marca atrativa em termos de empregabilidade passa a ser um indicador de [performance compartilhado, também, pelos CEOs e executivos de marketing](https://hbr.org/2015/05/ceos-need-to-pay-attention-to-employer-branding), principalmente para garantir que os talentos responsáveis por desenvolver estratégia e visão de longo prazo compartilhem a cultura necessária para tal.

Assim, há uma necessidade de adaptar os comportamentos culturais de uma marca para transparecer empatia e defesa às necessidades de jovens talentos, para que essas pessoas sintam a real intenção da marca e, assim, depositem a sua confiança – e seu talento – ao propósito organizacional.

Para mais de 93% dos mais de 1700 jovens respondentes da The Truth, a forma como organizações se comportam durante a crise influencia diretamente sua relação com a marca, principalmente no que tange esforços que aderem movimentos pró-funcionários e sociedade. 

Nessa linha, quase 72% dos jovens afirmam que é interessante e muito necessário que organizações atuem pelo coletivo, trazendo posicionamentos alinhados com os pensamentos de seus colaboradores.

Há também uma urgência para fazê-lo, afinal, o fechamento de inúmeros postos e vagas de trabalho para jovens talentos aumenta a ansiedade que esses jovens têm de darem seus primeiros (ou novos) passos de carreira, criando uma ainda maior demanda represada por empregos de entrada e afetando sua confiança nas marcas empregadoras. 

O hiato na atração e comunicação direta com jovens pode afetar diretamente a agilidade e alinhamento na retomada da organização em momentos pós-crise.

Sendo assim, como podemos começar hoje?

### 1. Doar é valorizado, mas agir é ainda mais. 

Comece por dentro de casa. Os jovens valorizam quando as empresas tomam um posicionamento pelas causas que acreditam. Nesse momento, a pesquisa da Eureca indica que as ações mais positivas na percepção deles são os cuidados com “quem é de casa”. 

Se o momento de decidir demissões e ajustar para o trabalho remoto já passou, quais outros cuidados ainda podem ser feitos? As dicas foram apontadas e estão ligadas a questões financeiras, psicológicas, de carreira e desenvolvimento.

### 2. Planos de carreira e desenvolvimento, e comunicação deles, tem alto impacto também na sua marca empregadora. 

Aqui está um dos maiores desafios internos da sua estratégia. Mas, pensando também que esse “novo normal” pode trazer redesenhos organizacionais, novas posições e negócios, como transformar esse desafio em oportunidade para a sua marca?

### 3. Se sua marca não pode empregar agora, nas visão do jovem a segunda opção é investir no desenvolvimento. 

Então como contribuir e se beneficiar disso? Você pode fazer ações de marca empregadora focadas em experiências de aprendizado e desenvolvimento do jovem, e em troca ganhar dados e conexão com eles. Dessa forma, quando for contratar, irá fazer com muito mais precisão.

Como liderança, é fundamental mostrar como você cuida do seu time e da sociedade. Conte com os canais digitais, mas lembre-se de priorizar o cuidado genuíno e gerar valor para esta juventude, com coerência de valores, educação, preocupação com o futuro e ações no presente.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Mudar para continuar o mesmo

Ao visitar um dos vinhedos mais renomados de Bordeaux, o autor encontrou uma reflexão que ultrapassa o universo do vinho e alcança empresas, famílias e instituições. A decisão do Château Lafleur de abandonar uma denominação de origem histórica revela um dilema cada vez mais presente nas organizações: como preservar princípios e identidade em um mundo que exige adaptação constante?

SOMPO Holdings: da crise provocada por si mesma a uma transformação guiada por propósito

Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Por que lavar as mãos ainda é uma das maiores armas da medicina?

Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Inovação & estratégia
26 de julho de 2026 07H00
A IA pode economizar horas em atividades operacionais, mas seu maior valor talvez esteja em outro lugar: ampliar perspectivas, conectar ideias e elevar a qualidade das decisões. O desafio é entender quando estamos ganhando velocidade e quando estamos construindo algo melhor.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
25 de julho de 2026 14H00
Muitas organizações ainda tratam o engajamento como uma característica individual, quando ele é, em grande parte, resultado do contexto que a liderança constrói. Este artigo mostra como confiança, autonomia, segurança psicológica e qualidade das relações influenciam diretamente a disposição das pessoas para inovar, colaborar e gerar resultados sustentáveis.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Liderança
25 de julho de 2026 08H00
Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

Chieko Aoki - Fundadora e presidente da Blue Tree Hotels

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, User Experience, UX
24 de julho de 2026 14H00
Impulsionado pelo avanço do wellness e pela busca crescente por experiências com significado, o setor de turismo enfrenta um novo desafio: deixar de vender viagens para entregar transformação, criando vínculos de longo prazo e novas vantagens competitivas.

João Biancardi - Diretor de Marketing e Experiencia do Cliente do Grupo Mabu

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
24 de julho de 2026 08H00
A preocupação com dinheiro já impacta produtividade, saúde mental e permanência no emprego. Diante desse cenário, organizações começam a repensar seu papel e a buscar formas de apoiar colaboradores sem invadir sua autonomia financeira.

Vivian Pardini - Coordenadora de compliance da Biz

4 minutos min de leitura
Marketing, Estratégia
23 de julho de 2026 14H00
O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.

Ronaldo Fragoso - Chief Growth Officer da Deloitte e Carlos Eduardo Fogarolli - Sócio-líder da indústria de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da Deloitte

3 minutos min de leitura
Comunicação, Liderança
23 de julho de 2026 08H00
A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
22 de julho de 2026 14H00
Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de julho de 2026 09H00
Posicionamento claro, gestão comercial estruturada, experiência do cliente, disciplina financeira, desenvolvimento de talentos e capacidade de adaptação formam os pilares de um crescimento sustentável. O desafio das empresas de serviços já não é apenas expandir, mas criar condições para que essa expansão se mantenha saudável e rentável.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, escritor e palestrante

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
21 de julho de 2026 14H00
A desconexão entre pessoas custa bilhões às empresas todos os dias. Ainda assim, muitas organizações seguem tratando cultura como documento, engajamento como métrica e comunicação como ferramenta. Talvez o problema esteja justamente aí.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo