Marketing & growth, Estratégia
4 minutos min de leitura

Mundial de futebol: a guerra pela atenção sobe na mesma proporção do seu CAC

Copa do Mundo, Olimpíadas, Super Bowl ou Black Friday: toda vez que a atenção coletiva se concentra em um grande evento, o mercado de mídia muda de comportamento. Entender esse movimento pode ser a diferença entre capturar demanda reprimida ou pagar, mais uma vez, o preço do improviso.
É o empreendedor brasileiro que liderou a expansão da marca Neil Patel globalmente, transformando a operação no Brasil em um dos pilares do crescimento internacional. A NP Digital nasceu a partir de uma iniciativa de Rafael Mayrink ao se conectar com Neil Patel em 2015. Hoje, a empresa está presente em mais de 26 países, com aproximadamente mil colaboradores. Com mais de duas décadas de experiência em marketing e estratégia, Mayrink já contribuiu para o crescimento de marcas como iFood, TOTVS e OLX, ajudando grandes empresas a transformar marketing em alavanca real de negócio, com mais escala, eficiência e geração de demanda.

Compartilhar:

No primeiro jogo da Seleção Brasileira neste Mundial de 2026, eu estava com o dashboard de mídia da NP Digital aberto numa segunda tela. Eu queria ver, em tempo real, o que aconteceria com as campanhas dos nossos clientes assim que o país inteiro parasse para assistir a partida.

Algumas expectativas eram óbvias para o momento do jogo:

– Tráfego caindo

– Cliques sumindo

– Gente trocando o celular pela TV

– E uma seleção brasileira bem mediana como há muito tempo eu não via. Mas isso não é assunto para o momento

Fechei o notebook satisfeito com o nosso trabalho, por já ter avisado os clientes: “período fraco; é normal”.

Só que os números não caíram. O problema foi outro. Eles ficaram mais caros.

O CPM (custo por mil) subiu. O CPC (custo por clique) subiu. 

E o pior: subiu até em contas de clientes que não têm absolutamente nada a ver com futebol: um software B2B de logística, uma clínica de estética, uma seguradora. Ninguém ali estava competindo por “Copa do Mundo” como palavra-chave. E ainda assim, todos pagaram a conta.

Foi aí que entendi o que estava vendo não era uma queda de audiência. Era uma disputa por ela.

É o que a gente chama de inflação por contágio.

O leilão de mídia não pergunta se você tem algo a ver com futebol. Ele só registra que, naquela janela, há mais gente disputando o mesmo espaço. 

Cerveja, BET’s, tênis (isso mesmo; no meio do Mundial ainda temos Wimbledon), streaming. Todo mundo com budget de marca global decide, ao mesmo tempo, colocar mais dinheiro na mesa. 

E como essas marcas não compram só “futebol”, compram também “estilo de vida”, “tecnologia”, “conforto” (categorias genéricas que qualquer negócio também disputa), o preço sobe pra todo mundo junto.

Você não patrocina a Copa. Mas paga por ela do mesmo jeito, embutido no seu CAC de julho.

O reflexo mais comum, quando um gestor percebe isso, é pausar. Cortar mídia paga, segurar publicações, esperar a poeira baixar. Parece prudente. Na prática, é a decisão mais cara que existe.

Um levantamento que fizemos internamente, olhando empresas com mais de 100 mil seguidores que interromperam suas redes sociais de forma abrupta, mostrou um dado delicado: em três meses, o tráfego orgânico dessas marcas já tinha caído para menos de 40% do volume original. 

Em seis meses, restava praticamente nada. E a receita caiu junto; mesmo sem nenhum corte de verba de mídia.

O algoritmo pune o silêncio. Ele entende a ausência como irrelevância, e a reconstrução de autoridade é sempre mais lenta e mais cara do que a manutenção dela.

O erro de raciocínio, no fundo, é achar que a atenção do consumidor “acaba” durante um evento desses. Ela não acaba. Ela migra: de canal, de horário, de formato.

Antes do jogo, o consumidor ainda está no controle: pesquisando, comparando, decidindo com a cabeça fria. É a janela em que ele mais se parece com o cliente de qualquer dia comum.

Durante a partida, essa mesma pessoa se fragmenta entre a tela principal, o grupo de WhatsApp, o feed de memes em tempo real. Ali, o clique praticamente não existe. Insistir nessa janela é queimar orçamento.

Depois que o juiz apita o final do jogo, o humor vira. É uma janela curta, emocional, de fácil conversão para quem está presente, e muito ruim para quem sumiu.

O erro mais caro que vi executivos cometerem não foi gastar errado. Foi tratar essas três janelas como se fossem uma só. É aí que vem o desperdício.

Aqui está o ponto que eu mais queria que você levasse deste texto: nada disso é exclusivo de Copa do Mundo.

O mesmo padrão se repete nas Olimpíadas, no Super Bowl, na Black Friday, em qualquer evento que sequestre a atenção de uma fatia relevante do seu público ao mesmo tempo. 

O leilão infla, o funil oscila em pontos previsíveis, e quem trata a queda de métricas de curto prazo como fracasso de estratégia acaba tomando decisões (trocar criativo, cortar canal, entrar em pânico) que sabotam exatamente o período em que a demanda represada volta ao mercado.

A Copa de 2026, com três sedes e 48 seleções, é só a versão mais intensa desse fenômeno que qualquer mega-evento provoca. E ela vai se repetir no próximo grande evento que prender a atenção coletiva do seu consumidor.

O importante que você precisa levar daqui: quem constrói autoridade orgânica antes, mantém presença de marca durante (mesmo que em ritmo reduzido) e se posiciona para capturar a demanda represada depois, sai na frente sempre que isso acontecer de novo. 

Quem trata cada mega-evento como uma crise isolada vai continuar pagando, toda vez, o preço do pânico.

Eu fechei meu Mac na noite do primeiro jogo achando que tinha visto uma exceção. Mas na verdade eu tinha visto uma regra; e que ela vai se repetir muito antes do que a gente imagina.

Compartilhar:

É o empreendedor brasileiro que liderou a expansão da marca Neil Patel globalmente, transformando a operação no Brasil em um dos pilares do crescimento internacional. A NP Digital nasceu a partir de uma iniciativa de Rafael Mayrink ao se conectar com Neil Patel em 2015. Hoje, a empresa está presente em mais de 26 países, com aproximadamente mil colaboradores. Com mais de duas décadas de experiência em marketing e estratégia, Mayrink já contribuiu para o crescimento de marcas como iFood, TOTVS e OLX, ajudando grandes empresas a transformar marketing em alavanca real de negócio, com mais escala, eficiência e geração de demanda.

Artigos relacionados

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Onda de recuperações judiciais acende alerta

Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

Seu data center está preparado para racks de 100 kW?

A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Sharenting: o limite entre compartilhar e expor

Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Tecnologia & inteligencia artificial
10 de setembro de 2026 08H00
As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

Leandro Mattos- Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

16 minutos min de leitura
Liderança, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 14H00
Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 09H00
Os agentes de IA não pedem aumento, não tiram férias e não podem ser administrados como funcionários tradicionais. Como gerir colaboradores digitais que não seguem as regras tradicionais de contratação, supervisão e desligamento?

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Estratégia
8 de setembro de 2026 18H00
Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
8 de setembro de 2026 14H00
Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
8 de setembro de 2026 08H00
Muito utilizada em contratos de locação em shopping centers, a chamada cláusula de raio impede que lojistas abram operações concorrentes em uma determinada área geográfica ao redor do empreendimento. Embora não seja considerada ilegal por si só, a prática tem sido cada vez mais questionada por seus potenciais impactos sobre a livre concorrência, a liberdade empresarial e os direitos dos consumidores. O artigo analisa a evolução do entendimento dos tribunais e do CADE sobre o tema e discute os critérios que devem orientar a avaliação de sua legalidade.

Daniel Cerveira - sócio do escritório Cerveira, Bloch, Goettems, Hansen & Longo Advogados Associados e Coordenador da Comissão de Expansão e Pontos Comerciais da ABF - Associação Brasileira de Franchising

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 14H00
Muito além da programação e da montagem de robôs, o artigo mostra como a robótica educacional está ajudando estudantes a pensar criticamente, experimentar, colaborar e criar soluções para problemas reais, conectando aprendizagem, propósito e impacto social desde a escola.

André Brandão Sala - CEO da Robomind

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 08H00
O Brasil já demonstrou sua capacidade de formar pesquisadores altamente qualificados. O desafio agora é fortalecer as pontes entre universidades, empresas, investidores e empreendedores para que a produção científica gere mais inovação, competitividade e impacto social.

Luiz Caires, PhD - Cofundador e CEO da Vyro Bio

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução