Inovação & estratégia
3 minutos min de leitura

Na indústria têxtil, o preço deixou de ser o problema – o impacto virou o critério

Ao refletir sobre a evolução da indústria têxtil, o autor propõe uma mudança de lógica: mais do que investir em máquinas, a competitividade passa a depender do valor real que a tecnologia entrega ao longo do tempo.
Natural de Indaial (SC), Fábio Kreutzfeld é CEO e cofundador da Delta Máquinas Têxteis, de Pomerode (SC). Com trajetória iniciada aos 15 anos na indústria, formou-se em eletrônica e automação industrial e acumulou experiência em empresas do setor têxtil, incluindo uma multinacional de tecnologia. Há 18 anos, empreende no desenvolvimento de soluções para acabamento têxtil, com foco em inovação, produtividade e atendimento consultivo, liderando uma equipe de 80 colaboradores e atendendo clientes no Brasil e nas Américas.

Compartilhar:

Celebrar ciclos na indústria é, antes de tudo, um exercício de reflexão. Olhar para trás não deve significar apenas revisitar conquistas, mas compreender como evoluímos junto com o setor e, sobretudo, reconhecer o quanto ainda há por construir.

No caso da indústria têxtil brasileira, essa trajetória está diretamente ligada a um movimento relevante: o desenvolvimento de tecnologia própria para reduzir a dependência histórica de soluções importadas e adaptar a inovação às necessidades reais do país.

Hoje, ao observar o estágio atual do setor, o que se destaca não são apenas os avanços tecnológicos ou os números de crescimento, mas um sinal mais importante: o amadurecimento.

Crescer, nesse contexto, deixou de ser apenas ampliar faturamento ou escala. O crescimento mais consistente tem vindo da capacidade de entender, com profundidade, as dores da indústria e responder a elas com soluções que façam sentido no cotidiano da operação.

E é justamente dessa evolução que emerge uma reflexão importante sobre a forma como decisões ainda são tomadas.

Durante muito tempo, a escolha por máquinas e soluções esteve fortemente ancorada no custo. Ainda hoje, esse critério continua sendo determinante em muitas negociações. No entanto, essa lógica já não se sustenta em um cenário em que eficiência operacional, dados e velocidade passaram a definir a competitividade.

A pergunta central não deveria mais ser “quanto custa?”, mas sim “quanto valor essa decisão gera ao longo do tempo?”.

Quando uma solução é capaz de reduzir horas de processo para minutos, diminuir desperdícios, padronizar a qualidade e gerar dados para tomada de decisão, seu impacto ultrapassa, e muito, o investimento inicial.

O retorno, nesse caso, precisa ser entendido em duas dimensões.

A quantitativa, mais evidente, aparece nos indicadores tradicionais: aumento de produtividade, redução de custos e ganho de escala.

Já a qualitativa, frequentemente subestimada, se revela na previsibilidade, na consistência das entregas, na redução de erros e na capacidade de governar a operação com base em dados confiáveis.

Esse segundo aspecto é o que, na prática, diferencia empresas que operam com eficiência daquelas que constroem vantagem competitiva sustentável.

É nesse ponto que a tecnologia deixa de ser diferencial e passa a ser condição de sobrevivência.

A indústria têxtil atravessa hoje uma mudança estrutural. A digitalização dos processos, o uso crescente de inteligência artificial e a integração entre etapas produtivas deixaram de ser possibilidades futuras e se consolidaram como realidade.

Mas essa transformação exige mais do que investimento em tecnologia. Exige uma mudança de mentalidade.

A competitividade passa a depender menos de quem compra mais barato e mais de quem investe melhor, com clareza sobre o impacto de cada decisão no processo, no produto e no futuro do negócio.

Máquinas deixam de ser ativos isolados e passam a integrar uma estratégia mais ampla, orientada por dados, eficiência e inteligência operacional.

Nesse novo contexto, o preço perde centralidade.

O que ganha relevância é a capacidade de gerar valor ao longo do tempo.

Porque, no fim, a diferença entre custo e investimento não está no valor pago, mas na capacidade de transformar escolhas tecnológicas em resultado real.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O engajamento não nasce das pessoas. Nasce do ambiente.

Muitas organizações ainda tratam o engajamento como uma característica individual, quando ele é, em grande parte, resultado do contexto que a liderança constrói. Este artigo mostra como confiança, autonomia, segurança psicológica e qualidade das relações influenciam diretamente a disposição das pessoas para inovar, colaborar e gerar resultados sustentáveis.

Aprendi que até no Japão as mulheres conseguem quebrar regras

Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

Da produção à curadoria: a nova lógica da relevância digital

O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.

Por que todos os líderes começaram a soar iguais?

A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Marketing & growth, Inovação & estratégia
11 de junho de 2026 09H00
Em meio à queda de alcance e às mudanças constantes dos algoritmos, este artigo propõe um ajuste de rota: mais do que tentar “jogar o jogo” das plataformas, a verdadeira conexão, e relevância, ainda nasce da capacidade de ser humano, autêntico e presente nas interações.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

2 minutos min de leitura
Lifelong learning
10 de junho de 2026 17H00
Pior do que não saber é achar que já sabe. Este artigo expõe um risco silencioso nas organizações: não é a falta de conhecimento que mais compromete decisões, mas a combinação perigosa entre entendimento superficial e confiança excessiva.

Jorge Inafuco - Consultor e Palestrante da HSM, Sociólogo, Professor de MBAs, Conselheiro e Mentor

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de junho de 2026 08H00
Dentro dos bilhões investidos em IA existe uma única aposta: a de que a inteligência vai deixar de ser escassa. Se ela se confirmar, não vai apenas cortar os seus custos. Vai dissolver os fossos competitivos sobre os quais as partes mais lucrativas da sua empresa foram construídas, muitas vezes sem ninguém perceber.

Átila Persici Filho - COO da Bolder, Professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação

8 minutos min de leitura
Marketing
9 de junho de 2026 18H00
Em um mundo onde a presença digital se estende para além das redes sociais, este artigo mostra que a reputação de um líder não é construída pelo que ele publica, mas pela coerência entre discurso, comportamento e cada interação do dia a dia.

Bruna Lopes de Barros

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional
9 de junho de 2026 09H00
Nunca tivemos tanto acesso à informação. E, paradoxalmente, nunca foi tão difícil saber o que está realmente acontecendo.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
8 de junho de 2026 16H00
Este artigo mostra por que a inteligência artificial está deslocando o centro da competitividade das empresas, da tecnologia para a qualidade do pensamento organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
8 de junho de 2026 09H00
Este artigo provoca uma reflexão central: não é o quanto se trabalha que sustenta uma carreira, mas a capacidade de transformar trabalho em valor e impacto real.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante

2 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de junho de 2026 13H00
Se líderes continuam aprendendo, por que continuam não evoluindo? A resposta pode estar na forma como treinamos - e no que deixamos de medir.

Alexandre Santille - Fundador e Sócio da teya

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de junho de 2026 08H00
Este artigo mostra como falhas operacionais e desintegração de sistemas ainda geram perdas bilionárias - e por que a inteligência artificial pode transformar a eficiência em vantagem estratégica no setor elétrico.

Gilson Paulillo - Diretor comercial da Pagar

2 minutos min de leitura
Carreira, Cultura organizacional, Gestão de pessoas
A longevidade deixou de ser apenas um dado demográfico para se tornar questão de governança

Fran Winandy

0 min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo