Marketing & growth, User Experience, UX
3 minutos min de leitura

O consumidor já é omnichannel. Sua empresa também é?

A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.
Natural de Porto Alegre e possui vasta experiência e profundo conhecimento da região do Brás, destacando-se no fomento ao empreendedorismo urbano. É CEO e fundador da Alcom Consultoria desde 2006, atuando de forma estratégica na gestão de negócios. Após a revitalização do Shopping Circuito de Compras e a mudança de gestão, André assumiu, em setembro de 2022, a liderança do empreendimento, exercendo as funções de CEO e diretor financeiro. À frente do maior shopping popular da América Latina, localizado no Brás, São Paulo, ele conduz sua equipe com um olhar atento para o microempreendedor, os comerciantes e a gestão do empreendimento como um todo, impulsionando o crescimento e a inovação no setor.

Compartilhar:

Há muito tempo, o varejo debateu se o e-commerce substituiria as lojas físicas. A resposta veio do próprio consumidor, e foi mais sofisticada do que qualquer previsão. Em vez de optar por um único canal, ele passou a transitar entre ambientes físicos e digitais com total naturalidade, construindo jornadas de compra cada vez mais fluidas e conectadas.

Os números refletem essa realidade. De acordo com a pesquisa CX Trends 2026, 85% dos consumidores realizam compras online, enquanto 78% continuam frequentando lojas físicas. Na prática, isso significa que uma mesma pessoa pode pesquisar um produto pelo celular, visitar uma loja para conhecê-lo melhor, concluir a compra pelo site e acompanhar a entrega via WhatsApp, tudo em questão de horas. Diante desse comportamento, deixa de fazer sentido enxergar os canais de forma isolada. A jornada é uma só.

Nesse cenário, a loja física não perdeu relevância; ela ganhou um novo significado. Se antes sua principal função era viabilizar transações, hoje ela se consolida como um espaço de experiência, relacionamento e descoberta. É onde o consumidor experimenta produtos, recebe atendimento personalizado, esclarece dúvidas e cria conexões mais profundas com a marca. Trata-se de uma dimensão que vai além da conveniência e do preço, agregando valor de uma forma que o ambiente digital, sozinho, dificilmente consegue reproduzir.

Ao mesmo tempo, o digital atua como um poderoso impulsionador dessas interações. Segundo levantamento realizado pela Bornlogic em parceria com o Opinion Box, 75% dos consumidores têm maior probabilidade de visitar uma loja após encontrarem informações sobre ela online. O dado evidencia uma transformação importante: longe de competir com o ponto de venda físico, os canais digitais funcionam como pontes capazes de ampliar sua relevância e atrair consumidores mais qualificados.

Por isso, a principal disputa do varejo contemporâneo já não acontece entre o online e o offline, mas entre experiências integradas e experiências fragmentadas. Quando os canais operam de forma desconectada, o consumidor percebe a inconsistência, e, muitas vezes, procura alternativas que ofereçam mais praticidade. Em contrapartida, quando a integração acontece de maneira fluida, com recursos como compra online e retirada em loja, estoque unificado, trocas entre canais e programas de fidelidade integrados, a marca passa a ser percebida como uma única experiência, independentemente do ponto de contato.

Outro fator decisivo para essa transformação está na capacidade de utilizar dados de forma estratégica. Cada interação gera informações valiosas sobre comportamentos, preferências e intenções de compra. Um clique, uma busca, uma visita à loja ou até mesmo um produto experimentado e não adquirido ajudam a compor um retrato mais completo do cliente. O desafio é que muitas empresas ainda operam com informações fragmentadas, incapazes de conectar o que acontece nos ambientes físico e digital. Superar essa barreira é fundamental para construir uma visão integrada do consumidor e tomar decisões mais assertivas.

Nesse contexto, tecnologias como pagamentos digitais, aplicativos de relacionamento, etiquetas inteligentes e soluções de autoatendimento assumem um papel importante. Mais do que elementos de inovação, elas funcionam como facilitadoras da jornada, reduzindo atritos e tornando a experiência mais simples, rápida e eficiente. Afinal, o consumidor contemporâneo valoriza autonomia e conveniência, e a tecnologia só gera valor quando contribui efetivamente para isso.

O futuro do varejo não será definido pela predominância de um canal sobre o outro, mas pela capacidade das empresas de conectá-los de forma inteligente. Integrar físico e digital deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar uma expectativa básica do consumidor. As marcas que compreenderem essa mudança estarão mais preparadas para construir relacionamentos duradouros, aumentar a satisfação dos clientes e impulsionar um crescimento sustentável em um mercado cada vez mais dinâmico.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O futuro do trabalho será criativo, conectado e escalável

A IA vai tirar empregos ou reinventar o trabalho? A pergunta mais comum sobre inteligência artificial ainda gira em torno da substituição de empregos. O artigo propõe uma reflexão sobre o futuro das carreiras, questionando a estrutura tradicional das organizações e defendendo um modelo em que pessoas se concentram cada vez mais em criar, conectar, verificar e escalar, enquanto a IA assume grande parte das atividades operacionais.

Criatividade deixou de ser campanha. Tornou-se estratégia.

O artigo defende que a criatividade deixou de ser um recurso pontual para se tornar uma capacidade organizacional capaz de conectar tecnologia, inovação, cultura e estratégia, sustentando o crescimento contínuo e a relevância das empresas no longo prazo.

O que os lugares ensinam sobre controle

Marca de empresa é criada, marca de lugar é descoberta. Os gestores corporativos têm muito o que aprender com o “place branding” sobre gerir algo que não tem dono

Circulando pelo mundo, com sotaque brasileiro

Os padrões abertos já permitem que uma credencial de competência seja lida em qualquer país. O que ela significa depende de quem constrói o trilho por onde ela passa. Europa e Ásia já fizeram essa escolha, e o Brasil tem todas as peças para fazer a sua.

Liderança, Estratégia
17 de outubro de 2026 15H00
Em um momento em que denúncias de assédio, investigações internas e crises de liderança ganham cada vez mais espaço nas organizações, cresce a necessidade de diferenciar autoridade de poder. O texto analisa por que líderes que dependem do cargo ou da imposição para obter resultados acabam comprometendo justamente aquilo que mais precisam preservar: pessoas, confiança e performance.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Estratégia
17 de outubro de 2026 09H00
O artigo propõe uma reflexão sobre como energia, bem-estar, desenvolvimento de lideranças e autonomia deixaram de ser temas periféricos para se tornarem elementos centrais da infraestrutura necessária para escalar negócios sem esgotar os recursos humanos que tornam esse crescimento possível.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

6 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
16 de outubro de 2026 15H00
Algoritmos, preferências pessoais e vieses cognitivos influenciam diariamente a forma como enxergamos o mundo, muitas vezes sem que percebamos. Em tempos de polarização, excesso de informação e mudanças rápidas, cultivar curiosidade, escuta ativa e abertura para pontos de vista diferentes pode ser um diferencial importante para quem deseja construir decisões mais inteligentes e sustentáveis.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de outubro de 2026 09H00
Entre previsões apocalípticas e promessas de produtividade ilimitada, os dados mais recentes sobre inteligência artificial publicados pela Gartner, MIT e Frontiers contam uma história mais complexa.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
15 de outubro de 2026 14H00
Inspirado pela trajetória de Rafael Nadal retratada no documentário Rafa, o artigo propõe uma reflexão sobre a forma como empresas constroem seus planejamentos estratégicos.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
15 de outubro de 2026 08H00
Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
14 de outubro de 2026 14H00
A tecnologia tem papel decisivo na aceleração da agenda climática, mas a mudança acontece quando informações se transformam em escolhas. Entre indicadores, investimentos e decisões estratégicas, são as pessoas que continuam definindo o ritmo e a profundidade da transformação sustentável.

Fernando Beltrame - CEO da Eccaplan

Oferecido por Eccaplan
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
14 de outubro de 2026 08H00
Quando a Nintendo rompeu uma parceria estratégica com a Sony diante do mundo inteiro, o que parecia uma derrota humilhante tornou-se o ponto de partida para uma das maiores inovações da história dos negócios. Um caso exemplar de como líderes podem transformar atrito, oposição e conflito em crescimento.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

9 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 14H00
Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução