Empreendedorismo
4 min de leitura

O Crescimento Sustentável e Inclusivo depende das empresas

Otimizar processos para gerar empregos de melhor qualidade e remuneração, desenvolver produtos e serviços acessíveis para a população de baixa renda e investir em tecnologias disruptivas que possibilitem a criação de novos modelos de negócios inclusivos são peças-chave nessa remontagem da sociedade no mundo
cofundador e co-CEO da Kyvo. Nos últimos 7 anos a Kyvo já realizou mais de 80 projetos de design de serviços e pesquisas qualitativas (viés etnográfico) para empresas nacionais e internacionais. Somente para um grande cliente foram mapeados mais de 72 serviços. Seu time profissional conta com designers estratégicos, designers de serviço, antropólogos, jornalistas e outras especialidades.

Compartilhar:

Os temas estão à mesa. Transição energética, mudanças climáticas, digitalização dos serviços, compliance, além dos de sempre: emprego, educação e sistemas alimentares. Foi com esses desafios que o B20 Summit Brasil 2024, realizado entre os dias 24 e 25 de outubro de 2024, em São Paulo (SP), se pautou. Foram debates envolvendo líderes empresariais e políticos do grupo das 20 maiores economias do mundo, o G20, sobre o que fazer.

Tranquilamente se pode afirmar que essa não é uma tarefa trivial. Nem um pouco. Até porque construir uma economia mais justa, sustentável e próspera através da inovação tem sido alvo de vários e vários summits, reuniões, workshops, palestras, enfim, de todo e qualquer tipo de encontro de quem toma decisão mundo afora.

Muito embora seja um terreno difícil de se transitar, há algo novo no horizonte. Com o objetivo de alcançar um crescimento sustentável e inclusivo, empresas brasileiras estão lançando mão de um framework que se baseia em três horizontes de inovação, direcionando, portanto, ações que contribuam para a superação desses pontos.

O relatório da McKinsey “From poverty to empowerment” margeia esses pontos. Por exemplo, quando se refere à “Inclusão Econômica e Empoderamento da População”, destaca-se a importância de se elevar os padrões de vida da população mundial, indo além da erradicação da pobreza extrema. É engenhoso. O é, porque o conceito de “linha do empoderamento” define o nível de consumo que permite às pessoas não apenas suprir suas necessidades básicas, mas também ter acesso a serviços essenciais como saúde, educação e moradia, além de construir uma reserva financeira e participar ativamente da sociedade.

No Brasil, cerca de 51% da população, cerca de 110 milhões de pessoas, viviam abaixo da linha do empoderamento em 2020, segundo relatório feito pela própria consultoria.

Desafiador, não? De fato. Tanto que as empresas se lançaram nessa jornada e o ecossistema de inovação tomou para si a tarefa e  desenhou três horizontes. A saber:

  • Horizonte 1: Otimizar seus processos para gerar empregos de melhor qualidade e remuneração, além de oferecer programas de treinamento e desenvolvimento para seus colaboradores.
  • Horizonte 2: Desenvolver produtos e serviços acessíveis para a população de baixa renda, expandindo o acesso a bens e serviços essenciais como crédito, seguros, saúde e educação.
  • Horizonte 3: Investir em tecnologias disruptivas que possibilitem a criação de novos modelos de negócios inclusivos, como plataformas de microcrédito, soluções para o mercado informal e tecnologias que facilitem o acesso à educação e à saúde.

Mas não parou por aí. No que diz respeito à Transição Energética e Sustentabilidade Ambiental, estão todos cientes do papel do Brasil. Qual seja? Crucial.

Crucial pela rica biodiversidade, pelo potencial de liderança na transição energética, entre outros fatores. Nessa esteira, as empresas podem contribuir para esse objetivo através da inovação em cada um dos 3 Horizontes. A eles:

  • Horizonte 1: Implementar práticas de eficiência energética para reduzir o consumo de energia em suas operações, buscar fontes renováveis e reduzir o impacto ambiental de suas atividades.
  • Horizonte 2: Investir no desenvolvimento de produtos e serviços com menor pegada de carbono, como soluções de mobilidade sustentável, embalagens biodegradáveis, tecnologias de reuso de água e sistemas de produção mais eficientes.
  • Horizonte 3: Pesquisar e desenvolver tecnologias disruptivas para a descarbonização da economia, como captura e armazenamento de carbono, novas formas de produção de energia limpa, tecnologias de agricultura regenerativa e soluções para a gestão de recursos hídricos.

Só que nem as hipóteses referentes à Inclusão Econômica, bem como as da Transição Energética não vão acontecer da noite para o dia. Trata-se de construção. Nessa linha, o crescimento econômico é peça essencial.

No entanto, para que esse crescimento seja realmente transformador, ele precisa ser impulsionado pela produtividade e pela inovação. E as empresas brasileiras sabem disso.

Esse tripé da inovação se apresenta em três categorias que representam diferentes estágios e metas de inovação. A saber: Inovação Incremental e Eficiência do Core Business, a Experimentação e Desenvolvimento de Negócios Emergentes e Visão de Futuro e Inovação Disruptiva.

Em linhas gerais, a Inovação Incremental tem por objetivo consolidar e aprimorar os negócios principais da empresa, buscando a máxima eficiência e rentabilidade. Já o Desenvolvimento de Negócios objetiva explorar e desenvolver novas oportunidades de negócios que complementem ou, eventualmente, substituam o core business no futuro. E, por fim, a Visão de Futuro versa sobre a investigação de tendências de futuro e desenvolvimento de tecnologias e modelos de negócios disruptivos que podem transformar o mercado e a empresa no longo prazo

O Bioeconomy Amazon Summit (BAS), trilha de eventos que vai se estender até 2030 na região amazônica e cuja primeira edição aconteceu em agosto deste ano em Belém (PA), se inspira nesses desafios. Tanto que o objetivo central é ampliar a discussão sobre o papel da inovação e do empreendedorismo na bioeconomia da Amazônia.

Por óbvio que a jornada rumo a um crescimento sustentável e inclusivo no Brasil exige um esforço conjunto de empresas, governo e sociedade civil. Eventos como o B20 Summit Brasil 2024 e o BAS oferecem uma plataforma para o diálogo e a colaboração entre esses atores, com o objetivo de construir uma agenda comum para o futuro.

As empresas que se posicionarem na vanguarda da inovação terão a oportunidade de se destacar no mercado, gerar valor para seus stakeholders e contribuir para a construção de um futuro mais próspero e sustentável para o Brasil. O momento é agora: as empresas brasileiras são chamadas a assumir um papel de protagonismo na construção de um futuro mais justo, verde e inovador para o país.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Pressão econômica leva Geração Z ao consumo compartilhado

Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual – e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Todos nus com a mão no bolso

Não é a idade que torna líderes obsoletos – é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.

Tecnologia & inteligencia artificial, Foresight
16 de abril de 2026 09H00
Este é o segundo artigo da série "Como promptar a realidade" e investiga como ficções, ao entrarem em loops de feedback, deixam de descrever o mundo para disputar ontologia - reorganizando mercados, política, tecnologia e comportamento antes mesmo de qualquer evidência.

Chico Araújo - Diretor Executivo do Instituto Inteligência Artificial de Verdade (IAV), cofundador do The Long Game Futures. e Global Expert da Singularity University

13 minutos min de leitura
Liderança
15 de abril de 2026 17H00
Se liderar ainda é, para você, dar respostas e controlar processos, este artigo não é confortável. Liderança criativa começa quando o líder troca certezas por perguntas e controle por confiança.

Clarissa Almeida - Head de RH da Yank Solutions

2 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Foresight, Tecnologia & inteligencia artificial
15 de abril de 2026 08H00
Este é o primeiro artigo de uma série em quatro partes que propõe uma microtese sobre futuros que disputam processamento - e investiga o papel insuspeito de memes, programação preditiva, hyperstition, cura de traumas, strategic foresight e soberania imaginal no ciclo de inovação que já começou.

Chico Araújo - Diretor Executivo do Instituto Inteligência Artificial de Verdade (IAV), cofundador do The Long Game Futures. e Global Expert da Singularity University

23 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
14 de abril de 2026 18H00
Este artigo propõe analisar como a combinação entre pressão por velocidade, talento autónomo e uso não estruturado de AI pode deslocar a execução para fora dos sistemas formais, introduzindo riscos que não são imediatamente visíveis nos indicadores tradicionais.

Marta Ferreira

4 minutos min de leitura
Liderança
14 de abril de 2026 14H00
Este é o primeiro artigo da nova coluna "Liderança & Aikidô" e neste texto inaugural, Kei Izawa mostra por que os líderes mais eficazes deixam de operar pela lógica do confronto e passam a construir vantagem estratégica por meio da harmonia, da não resistência, da gestão de conflitos e de decisões sem ego em ambientes de alta complexidade.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

7 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
14 de abril de 2026 07H00
Com a ascensão dos agentes de IA, nos deparamos com uma profunda mudança no papel do designer, de executor para curador, estrategista e catalisador de experiências complexas. A discussão de UX evolui para o território do AX (Agent Experience), onde o foco deixa de ser somente a interação humano-máquina em interfaces e passa a considerar como agentes autônomos agem, decidem e colaboram com pessoas em sistemas inteligentes

Victor Ximenes - Senior Design Manager do CESAR

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
13 de abril de 2026 14H00
A aceleração da destruição criativa deixou de ser um conceito abstrato e passou a atravessar o cotidiano profissional, exigindo menos apego à estabilidade e mais capacidade de adaptação, recombinação e reinvenção contínua.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
13 de abril de 2026 07H00
Quando "estamos investindo em inteligência artificial" virou a forma mais elegante de não explicar por que o planejamento de headcount falhou. E o que acontece quando os dados mostram que as empresas demitem por uma eficiência que, para 95% delas, ainda não existe.

Atila Persici Filho - COO da Bolder

11 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
12 de abril de 2026 14H00
Entre intenção e espontaneidade, a comunicação organizacional revela camadas inconscientes que moldam vínculos, culturas e resultados. Este artigo propõe o Design Relacional como ponte entre teoria profunda e prática concreta para construir ambientes de trabalho mais seguros, autênticos e sustentáveis.

Daniela Cais - TEDx Speake e Designer de Relações Profissionais

9 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
12 de abril de 2026 09H00
Na montanha, aprender a reconhecer os próprios limites não é opcional - é questão de sobrevivência. No ambiente corporativo deveria ser parecido. Identificar sinais precoces de sobrecarga, entender como reagimos sob pressão e criar espaços seguros de diálogo são medidas preventivas muito eficazes.

Aretha Duarte - Primeira mulher negra latino-americana a escalar o Everest

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão