Estratégia, Liderança, Marketing & growth
4 minutos min de leitura
Oferecido por:

Crescer receita é importante, mas não define o valor de uma empresa

Em meio à obsessão por crescimento, este artigo propõe uma mudança de perspectiva: não é o quanto a empresa cresce que define seu sucesso, mas sua capacidade de transformar expansão em valor real e sustentável ao longo do tempo.
Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado em uma multinacional do segmento de controle de acessos, com experiência consolidada em grandes empresas globais. É MBA em Marketing, certificado PMP e Certified Pricing Professional (CPP), além de fundador do grupo Attitude Pricing (Comunidade Brasileira de Profissionais de Pricing). Autor de artigos na Professional Pricing Society (PPS), já participou de debates internacionais como o podcast Impact Pricing, de Mark Stiving, e o Pricing Conectado 2024, promovido pela InfoPrice.

Compartilhar:

O crescimento que precisa ser qualificado

Crescer sempre foi um objetivo central nas empresas. Aumentar receita, ganhar escala e expandir participação de mercado continuam sendo sinais relevantes de desempenho. Mas, isoladamente, olhar apenas para o crescimento não é suficiente.

O ponto central não é quanto a empresa cresce, mas sim como ela cresce. Isso porque é possível expandir faturamento de forma consistente e, ao mesmo tempo, enfraquecer a estrutura econômica do negócio. Quando isso acontece, o crescimento deixa de ser um indicador de força e passa a esconder um problema mais profundo: a incapacidade de transformar vendas em valor real.

Disciplina na proteção do valor

Se o crescimento, por si só, não garante valor, o primeiro passo é evitar que o valor gerado seja perdido na operação. Isso exige disciplina. Políticas claras, governança e consistência na execução fazem a diferença, tanto na qualidade da receita quanto no controle das despesas. Decisões de preços, descontos e despesas operacionais precisam estar alinhadas a critérios claros de retorno. Quando isso não acontece, a pressão do mercado é transferida para o resultado, na forma de compressão de margem e aumento de custos e despesas sem controle ou contrapartidas claras.

O efeito é gradual. A empresa continua vendendo, mas a rentabilidade se deteriora. Descontos deixam de ser exceção e viram rotina, enquanto despesas crescem sem critério. Pequenas decisões, somadas, reduzem a capacidade de gerar resultado de forma consistente. Sem essa base, o crescimento passa a ser financiado pela própria margem e pela ineficiência de custos.

Criar valor é ir além do crescimento

Se proteger valor é o primeiro passo da agenda de gestão de uma empresa, o segundo e mais importante passo é entender o que realmente significa criar valor por meio da empresa. Crescer receita e gerar lucro são importantes, mas não são suficientes para responder à pergunta central:

“O negócio está gerando valor acima do capital investido e do custo de oportunidade dos investidores?”

Toda empresa opera com recursos que têm custo e expectativa de retorno. Criar valor significa superar esse custo e remunerar adequadamente o capital investido. Isso muda a lógica da gestão: o foco deixa de ser o tamanho do resultado e passa a ser a qualidade desse resultado.

Essa mudança de lógica traz implicações diretas para a forma como as decisões são tomadas. Crescimento é uma alavanca estratégica, mas não o objetivo principal, e passa a ser avaliado pela sua capacidade de gerar retorno consistente. Investimentos, projetos e iniciativas comerciais devem ser analisados não apenas pelo impacto em receita, mas pelo valor que agregam ao negócio.

O papel da liderança

Essa mudança não ocorre por falta de informação. A maioria dos líderes conhece os conceitos. O desafio está em executar, e, principalmente, sustentar decisões ao longo do tempo. Criar valor depende de como os recursos são alocados. Decisões de investimento, nível de alavancagem e gestão do balanço são determinantes para a eficiência do negócio e sua capacidade de gerar caixa.

Não se trata apenas do nível de resultado operacional (EBIT), mas da qualidade desse resultado. Projetos precisam gerar valor presente positivo (VPL). O capital investido deve ser remunerado acima do seu custo (ROIC). E, sobretudo, o negócio precisa se traduzir em geração consistente de caixa livre (FCF – Free Cash Flow).

A agenda de criação de valor

Com isso, a discussão deixa de ser operacional e passa a ser estrutural. Criar valor exige coerência entre diferentes dimensões do negócio: posicionamento, proposta ao cliente, modelo comercial, alocação de recursos e execução. Não é uma ação isolada, mas um conjunto de decisões que precisam caminhar na mesma direção.

Valor não é consequência automática do crescimento, e sim resultado de escolhas consistentes ao longo do tempo. Empresas que conseguem alinhar crescimento com captura de valor constroem vantagem competitiva real. As que não conseguem entram em ciclos de ajuste, tentando corrigir no resultado aquilo que não foi sustentado em seu planejamento estratégico.

A agenda que define o futuro

Conforme apresentado neste artigo, crescer é importante, mas não suficiente. Empresas relevantes e sustentáveis são aquelas que conseguem transformar crescimento em valor consistente ao longo do tempo e gerar retorno acima das expectativas do mercado.

Isso exige escolhas claras: onde competir, como crescer e, principalmente, como alocar capital de forma estratégica. Proteger valor continua sendo necessário, mas não é o diferencial. O diferencial está na criação de valor.

Fica, portanto, um convite à liderança executiva das empresas: reorganizem suas agendas. Não dediquem tempo apenas reagindo à pressão do curto prazo para evitar perdas. Dediquem mais tempo a decisões que ampliem o retorno sobre o capital, com disciplina e consistência.

Empresas que prosperam colocam a criação de valor no centro de suas decisões estratégicas.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
24 de setembro de 2026 14H00
Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Aislan Campos Rocco - Advogado, Sócio na Barroso Advogados Associados

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
23 de setembro de 2026 13H00
O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Felipe Calbucci - CEO LATAM da TotalPass

Oferecido por: TotalPass
2 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
23 de setembro de 2026 08H00
A crescente complexidade regulatória da armazenagem e distribuição de agroquímicos elevou o nível de responsabilidade das empresas do setor. O que antes era visto como uma exigência burocrática agora impacta diretamente a sustentabilidade financeira, jurídica e reputacional das organizações.

Antonio Sousa - Gerente corporativo de HSE da Bravo Serviços Logísticos

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução