Educação
4 minutos min de leitura

O fim da educação cega: Learner 360 – uma nova forma de enxergar quem aprende

O artigo discute por que a personalização da aprendizagem exige ir além dos indicadores tradicionais e apresenta o conceito de Learner 360, uma proposta para construir uma visão mais integrada, dinâmica e significativa do aprendiz, capaz de apoiar decisões educacionais mais precisas e trajetórias de desenvolvimento verdadeiramente centradas no indivíduo.
Nossa missão é fortalecer um ecossistema dinâmico de colaboração onde startups, empresas e pesquisadores colaboram para desenhar soluções inovadoras e discutir desafios e avanços significativos para o âmbito corporativo. Sempre com uma abordagem sistêmica e inovadora, promovendo reflexões sobre o futuro, visando impulsionar transformações reais e criativas.
Fundador e CEO da Cognita Learning Lab, doutor em Educação e pós-doutor pela USP, e coordenador do Laboratório de Experimentação em IA e Educação da ABRIA. Atua há mais de 20 anos ajudando organizações a redesenhar suas estratégias de desenvolvimento de pessoas. É criador da metodologia Smart Learning e da plataforma Cognittron - reconhecida internacionalmente pela Neo4j pelo uso de grafos de conhecimento, IA generativa e sistemas adaptativos na construção de novas arquiteturas de aprendizagem com base em neurociências. Sua trajetória aproxima ciências da educação, tecnologia e desenvolvimento organizacional, colocando a aprendizagem no centro da transformação dos negócios.

Compartilhar:

Grande parte da educação ainda opera como se não importasse quem está diante dela. Os sistemas conhecem o nome do aluno, sua matrícula, os cursos nos quais está inscrito, as notas que recebeu e os conteúdos que concluiu. Mas pouco sabe sobre seu contexto, seus conhecimentos prévios, suas experiências, seus objetivos, suas potencialidades, suas dificuldades, suas restrições ou os problemas concretos que precisa aprender a enfrentar.

É uma educação que registra o aluno, mas não necessariamente a enxerga.

Seu funcionamento foi organizado para oferecer o mesmo currículo, na mesma sequência, com atividades semelhantes, em ritmos previamente definidos e com formas padronizadas de avaliação. O aprendiz aparece como destinatário da oferta educacional, não como sujeito da sua trajetória. Para o sistema funcionar, basta saber onde ele deve ser matriculado, que conteúdo precisa receber e se cumpriu os requisitos estabelecidos. A pergunta predominante continua sendo: O aluno concluiu o que foi oferecido?

Quando deveria ser:

O que essa pessoa precisa desenvolver, por que precisa, o que já sabe, que dificuldades enfrenta e que evidências demonstram sua capacidade de agir?

Essa cegueira não é um problema localizado. Ela se propaga por todos os sistemas educacionais. Se não conhecemos suficientemente o aprendiz, diagnosticamos mal suas necessidades. Se diagnosticamos mal, oferecemos experiências pouco pertinentes. Se as experiências são pouco pertinentes, avaliamos aquilo que foi transmitido, e não necessariamente aquilo que foi aprendido ou que a pessoa consegue realizar.

Por fim, acumulamos certificados, acessos, notas e conclusões sem conseguir compreender com precisão que capacidades foram efetivamente desenvolvidas.

Forma-se, assim, um ciclo:

Não enxergamos o aprendiz → oferecemos respostas genéricas → produzimos poucas evidências relevantes → continuamos sem conseguir enxergá-lo.

Quando uma pessoa encontra dificuldades, o sistema tende a atribuí-las à falta de dedicação, conhecimento ou capacidade. Quando ela já domina boa parte do conteúdo, ainda assim percorre o mesmo caminho que todos. Nos dois casos, o problema é o mesmo: a aprendizagem se adapta pouco ao que cada pessoa realmente sabe e precisa desenvolver.

A digitalização não resolveu a cegueira

A expansão das tecnologias educacionais parecia oferecer uma saída para esse problema. Pela primeira vez, tornou-se possível registrar, em grande escala, acessos, interações, respostas, percursos, tempos, avaliações e diferentes formas de participação.

Entretanto, aumentar a quantidade de dados não significa, necessariamente, enxergar melhor.

As plataformas digitais frequentemente reproduziram a mesma lógica educacional em uma nova infraestrutura. O curso continuou sendo o centro. O conteúdo continuou sendo a principal unidade de organização. A conclusão continuou sendo o indicador dominante. O aluno ganhou um perfil digital, mas esse perfil permaneceu composto, em grande medida, por dados cadastrais e rastros de consumo.

Passamos a saber quantos vídeos uma pessoa assistiu, quanto tempo permaneceu conectada, quais objetos acessou e que nota obteve. Ainda assim, continuamos sabendo pouco sobre o que compreendeu, como relacionou conhecimentos, que decisões consegue tomar, em quais situações precisa de apoio ou que capacidades consegue mobilizar diante de um problema real.

A digitalização, portanto, não eliminou a cegueira educacional. Em alguns casos, apenas produziu uma aparência de visibilidade.

Um dashboard pode mostrar centenas de indicadores e continuar sem oferecer uma compreensão relevante do aprendiz. A cegueira não decorre somente da ausência de dados, mas da incapacidade de estabelecer relações significativas entre eles. É possível conhecer todas as atividades realizadas por uma pessoa e não compreender sua aprendizagem.

O que significaria enxergar o aprendiz?

Enxergar o aprendiz não significa conhecer tudo sobre ele. Uma educação menos cega precisa compreender aquilo que é relevante para apoiar sua aprendizagem e seu desenvolvimento.

Isso exige relacionar diferentes perguntas: A diferença está justamente nas relações.

Uma pessoa ocupa determinado papel em um contexto. Esse papel envolve problemas, decisões e responsabilidades. Para enfrentar essas situações, determinadas capacidades precisam ser mobilizadas. Essas capacidades se apoiam em conhecimentos, habilidades, experiências e formas de julgamento. Algumas já podem estar suficientemente demonstradas. Outras apresentam lacunas. Novas experiências podem ser propostas para desenvolver essas capacidades e gerar novas evidências. Essas evidências, por sua vez, atualizam a compreensão que o sistema possui sobre o aprendiz.

Essas perguntas não podem ser respondidas por uma única prova, por um questionário de perfil ou pelos registros de um LMS. Elas exigem uma representação dinâmica que conecte contexto, objetivos, conhecimentos, competências, experiências, práticas, evidências e resultados.

É nesse ponto que surge a ideia de Learner 360.

O Learner 360 não deve ser entendido como a promessa de uma visão total do indivíduo nem como um painel que reúne todos os seus dados. Deve ser concebido como uma tentativa de superar a fragmentação e a superficialidade com que os sistemas educacionais representam quem aprende.

Sua finalidade é produzir uma compreensão suficientemente rica, explicável e atualizável para que o próprio aprendiz, os educadores e os sistemas de inteligência artificial possam tomar decisões formativas mais precisas.

Nesse sentido, a questão é:

O que um sistema educacional precisaria conhecer para deixar de tratar o aprendiz como um destinatário genérico e começar a reconhecê-lo como sujeito de uma trajetória singular de aprendizagem e desenvolvimento?

O Learner 360 começa como resposta a essa pergunta.

Compartilhar:

Nossa missão é fortalecer um ecossistema dinâmico de colaboração onde startups, empresas e pesquisadores colaboram para desenhar soluções inovadoras e discutir desafios e avanços significativos para o âmbito corporativo. Sempre com uma abordagem sistêmica e inovadora, promovendo reflexões sobre o futuro, visando impulsionar transformações reais e criativas.

Artigos relacionados

O fim da educação cega: Learner 360 – uma nova forma de enxergar quem aprende

O artigo discute por que a personalização da aprendizagem exige ir além dos indicadores tradicionais e apresenta o conceito de Learner 360, uma proposta para construir uma visão mais integrada, dinâmica e significativa do aprendiz, capaz de apoiar decisões educacionais mais precisas e trajetórias de desenvolvimento verdadeiramente centradas no indivíduo.

O futuro do trabalho será criativo, conectado e escalável

A IA vai tirar empregos ou reinventar o trabalho? A pergunta mais comum sobre inteligência artificial ainda gira em torno da substituição de empregos. O artigo propõe uma reflexão sobre o futuro das carreiras, questionando a estrutura tradicional das organizações e defendendo um modelo em que pessoas se concentram cada vez mais em criar, conectar, verificar e escalar, enquanto a IA assume grande parte das atividades operacionais.

Criatividade deixou de ser campanha. Tornou-se estratégia.

O artigo defende que a criatividade deixou de ser um recurso pontual para se tornar uma capacidade organizacional capaz de conectar tecnologia, inovação, cultura e estratégia, sustentando o crescimento contínuo e a relevância das empresas no longo prazo.

O que os lugares ensinam sobre controle

Marca de empresa é criada, marca de lugar é descoberta. Os gestores corporativos têm muito o que aprender com o “place branding” sobre gerir algo que não tem dono

Circulando pelo mundo, com sotaque brasileiro

Os padrões abertos já permitem que uma credencial de competência seja lida em qualquer país. O que ela significa depende de quem constrói o trilho por onde ela passa. Europa e Ásia já fizeram essa escolha, e o Brasil tem todas as peças para fazer a sua.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
12 de outubro de 2026 18H00
Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de outubro de 2026 14H00
Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Daniel Torres - CEO da Roboteasy

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
12 de outubro de 2026 08H00
Por muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.

André Tourinho - Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 14H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de outubro de 2026 08H00
A saída de um pesquisador da Anthropic reacende um debate que está deixando os laboratórios e chegando às empresas: como garantir que sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos continuem operando de forma previsível, segura e alinhada aos objetivos humanos?

Claudio Lucio - Pesquisador, professor e sócio-fundador da A3Data

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de outubro de 2026 08H00
O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

João Pedro Brasileiro - CEO da Innovation Latam, Professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da XP Educação

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
9 de outubro de 2026 14H00
O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Jade Lumi Satomi - Diretora de Indústria na nstech

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
9 de outubro de 2026 08H00
A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Maria Eduarda Silveira - Founder & CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução