Estratégia
4 minutos min de leitura

O que a indústria do fitness ensina sobre engajamento

Ao olhar para o fitness como laboratório de comportamento, este artigo revela por que engajamento real não nasce da atração inicial, mas da capacidade de transformar intenção em rotina por meio de conveniência, personalização e pertencimento.
CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

Compartilhar:

Durante muito tempo, empresas trataram engajamento como uma disputa por atenção. Mas atenção não garante continuidade. O verdadeiro desafio começa depois do primeiro clique, da primeira adesão ou da primeira semana de entusiasmo.

No fitness, essa diferença aparece de forma muito concreta. Milhões de pessoas sabem da importância da atividade física, começam motivadas, mas poucas conseguem sustentar o hábito ao longo do tempo. E talvez seja justamente por lidar diariamente com essa distância entre intenção e consistência que o setor tenha algo importante a ensinar sobre engajamento.

Atividade física não é uma decisão isolada. É um comportamento que precisa caber na agenda, no deslocamento, no orçamento e na fase de vida de cada pessoa. Por isso, a experiência mais engajadora nem sempre é a mais sofisticada, mas aquela que a pessoa consegue repetir.

Da intenção à consistência

Um dado da ABC Fitness ajuda a traduzir esse desafio: 76% dos consumidores se identificam como fisicamente ativos, mas apenas 44% dos que se consideram ativos se exercitam 12 vezes ou mais por mês. O número revela algo importante: o problema, muitas vezes, não está na falta de consciência. As pessoas sabem o que precisam fazer. O desafio está no que acontece depois da intenção.

No fitness, o abandono raramente acontece de uma vez. Ele costuma surgir em pequenos sinais: a pessoa começa indo três vezes por semana, depois passa para uma, falta por causa de uma reunião, perde o horário da aula, acha a unidade longe e, aos poucos, o hábito deixa de fazer parte da rotina. A queda de frequência é quase sempre um aviso antes de ser uma desistência.

É por isso que a conveniência não pode ser vista apenas como conforto. No setor fitness, conveniência é estratégia de permanência. A proximidade de uma academia, a variedade de modalidades e a flexibilidade de horários fazem diferença direta na continuidade. Quanto menor o atrito, maior a chance de recorrência.

Personalização começa pela escuta

Personalização não é tratar cada pessoa como única em um discurso bonito. É reconhecer que ninguém sustenta hábitos da mesma forma. Algumas pessoas precisam de metas claras. Outras precisam de flexibilidade. Alguns se engajam pela performance. Outros, pela saúde mental, pelo convívio ou simplesmente pela sensação de bem-estar depois do treino.

Quando uma empresa ignora essas diferenças, tenta engajar públicos distintos com a mesma mensagem, o mesmo formato e a mesma jornada. Isso vale muito além das academias. Engajamento exige escuta antes de qualquer plano. Exige entender o que move as pessoas, o que dificulta a continuidade e em que contexto aquela solução vai entrar.

Também exige mostrar progresso. Objetivos grandes podem inspirar, mas podem afastar quando parecem distantes demais. No dia a dia, o que sustenta uma jornada longa costuma ser a sensação de avanço. Quem percebe evolução, mesmo pequena, tem mais chance de continuar.

Pertencimento sustenta recorrência

Talvez uma das maiores lições do fitness esteja na comunidade. O hábito pode começar de forma individual, mas muitas vezes é o coletivo que sustenta a continuidade. A pessoa volta porque gosta da aula, porque se sente acolhida pelo professor, porque encontra conhecidos ou porque aquele ambiente passou a fazer parte da sua identidade.

Pertencimento não é um elemento emocional periférico. É infraestrutura de recorrência. Seja com consumidores, colaboradores ou parceiros, o vínculo é o que transforma uma experiência pontual em relação contínua.

Nesse ponto, os dados também têm um papel decisivo. No fitness, uma queda de frequência pode indicar muito mais do que uma mudança de agenda. Pode sinalizar desmotivação, barreira de acesso, falta de identificação com a modalidade ou risco de abandono. Quando usados da forma certa, dados deixam de ser apenas relatório e passam a funcionar como radar.

Na TotalPass, esse aprendizado aparece todos os dias. Quanto mais conseguimos entender perfis, rotinas e necessidades reais, maior é a nossa capacidade de aproximar pessoas de soluções que façam sentido para elas. Não basta despertar interesse uma vez. O desafio é criar condições para que esse interesse se transforme em recorrência.

Engajamento se constrói na rotina

No fim, o fitness ensina uma coisa simples, mas poderosa: engajamento não se cobra, se constrói. Constrói-se quando a experiência é acessível, respeita a rotina, conversa com motivações reais, mostra progresso e cria senso de pertencimento.

A provocação que fica é menos sobre como convencer as pessoas a começar e mais sobre como criar condições para que elas queiram continuar. Porque talvez o verdadeiro teste de engajamento não esteja no primeiro acesso, na primeira adesão ou no primeiro pico de interesse, mas no que a empresa faz quando a motivação inicial deixa de ser suficiente.

Compartilhar:

CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

Artigos relacionados

Todo fim de ano, o passado se reelege no seu orçamento

Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

A AGI já chegou? E se Ray Kurzweil estiver certo há mais tempo do que imaginávamos?

As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

O que uma prótese de quadril me ensinou sobre os erros de decisão dentro das empresas

Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Nenhuma estratégia é melhor do que a lente que a criou

Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução