Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 minutos min de leitura
Oferecido por:

O que o etarismo está tirando da sua empresa – e você ainda não percebeu

Ignorar o talento sênior não é só um erro cultural - é uma falha estratégica que pode custar caro em inovação, reputação e resultados.
João Roncati é CEO da People+Strategy, consultoria de estratégia, planejamento e desenvolvimento humano.

Compartilhar:

Vamos direto ao ponto: o etarismo não é apenas um problema de “cultura” ou de “bem-estar”. Pode ser um risco financeiro e estratégico que sua empresa está subestimando. Gigantes como Google, que pagou US$ 11 milhões para encerrar um processo de discriminação etária, e IBM, que já enfrentou vereditos individuais milionários pela mesma razão, ilustram que o custo da negligência é alto e explícito. Mas o verdadeiro prejuízo transcende o caixa.

O dano à marca empregadora, a perda de conhecimento institucional e a queda da capacidade de inovação são custos que um balanço financeiro não consegue capturar completamente. Um estudo do IDC aponta que empresas inclusivas e diversificadas chegam a ter receitas de inovação 19% mais elevadas. Em um mercado competitivo, ignorar o talento sênior é, francamente, uma má alocação de recursos que impacta diretamente a geração de novas soluções.

E os dados demográficos são um imperativo estratégico. O aumento de 76% na força de trabalho com mais de 60 anos, conforme aponta o IBGE, não é uma tendência, é a nova realidade do mercado. Líderes que enxergam este grupo apenas como um passivo previdenciário perdem a oportunidade de capitalizar sobre um ativo valioso: a experiência acumulada.

O dividendo da diversidade etária

Enquanto concorrentes investem em treinamento básico para jovens talentos, empresas visionárias aproveitam a resiliência de profissionais que já gerenciaram crises, construíram redes de contato e desenvolveram uma visão de longo prazo. A estabilidade e o foco trazidos por eles são contrapontos essenciais à alta rotatividade que muitas vezes caracteriza a força de trabalho mais jovem, otimizando o custo de aquisição e retenção de talentos.

A convivência de cinco gerações no ambiente de trabalho é um teste de fogo para a liderança. Sem uma gestão intencional, o resultado é o atrito, a queda de produtividade e o aumento do turnover.

Com uma estratégia clara de inclusão, o resultado é o que chamamos de “dividendo da diversidade etária”: um aumento comprovado na capacidade de resolução de problemas complexos. Equipes intergeracionais superam as homogêneas em inovação porque fundem a fluência digital e o pensamento disruptivo dos mais jovens com o raciocínio crítico e a visão sistêmica dos mais experientes.

Essa sinergia cria um ambiente dinâmico onde a agilidade encontra a sabedoria. Talentos maduros trazem uma inteligência emocional aprimorada e um valioso capital relacional, essenciais para a mentoria de equipes e para negociações de alto impacto.

Sua experiência, forjada em múltiplos ciclos de mercado, não apenas previne a repetição de erros custosos, mas enriquece o processo criativo com uma camada de profundidade estratégica. O resultado é uma inovação mais robusta, que não é apenas rápida, mas sustentável e alinhada aos objetivos de longo prazo do negócio.

Ação imediata para a liderança

A mudança começa no C-level. É responsabilidade da liderança erradicar o viés etário dos processos de recrutamento, avaliação de desempenho e planejamento de sucessão. Iniciativas como as da Votorantim Cimentos e Gol, que criaram programas de contratação focados em profissionais 60+, não são filantropia, mas sim decisões de negócio calculadas para garantir a retenção de conhecimento crítico e a diversidade cognitiva.

A pergunta que todo líder deve se fazer não é se deve investir na diversidade etária, mas como colocá-la em prática mais rápido que a concorrência. Ignorar esse imenso pool de talentos não é apenas um erro cultural, é uma falha estratégica que seus concorrentes certamente saberão explorar.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 08H00
O artigo utiliza a clássica fábula dos três porquinhos para mostrar por que organizações que apostam apenas em estruturas robustas, sem capacidade de adaptação, podem se tornar mais vulneráveis justamente quando o ambiente exige flexibilidade e aprendizado contínuo.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

Oferecido por:
10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 20H00
Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 18H00
A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

Oferecido por:
10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de agosto de 2026 14H00
A lógica do “trabalhe enquanto eles dormem” ajudou a moldar uma geração de profissionais que transformou o cansaço em símbolo de mérito. O artigo questiona os mitos da cultura hustle e defende o sono como um dos investimentos mais estratégicos para desempenho, bem-estar e crescimento sustentável.

Valter Roldão - CEO da Luuna

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Estratégia, Cultura organizacional
31 de agosto de 2026 07H00
Ao revisitar conceitos milenares do Yoga sob a ótica da gestão contemporânea, o artigo propõe uma pergunta essencial para líderes e organizações: os sistemas que construímos estão alinhados aos valores que afirmamos praticar?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
ESG
30 de agosto de 2026 14H00
Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças, Gestão de recursos
30 de agosto de 2026 07H00
Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

François Bazini - CMO e Consultor

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

Oferecido por:
8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução