Inovação & estratégia
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O que significa educar quando as máquinas também aprendem?

Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.
O CESAR é o mais completo centro de inovação e conhecimento do Brasil, referência no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta complexidade, com impacto para toda a sociedade. Atua, há quase 30 anos, integrando pesquisa, aceleração de negócios e tecnologia para elevar organizações a um novo patamar de competitividade, além de educação, por meio da CESAR School.
Gerente de Ensino Superior da CESAR School, professora e comunicadora, com mais de 20 anos de experiência em educação, marketing e comunicação. Atua na formação de profissionais e na liderança de iniciativas acadêmicas voltadas à inovação e ao desenvolvimento de talentos. Acredita no poder da educação para transformar trajetórias e ampliar horizontes.

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Há 30 anos, quando o CESAR foi criado no Recife, uma das perguntas centrais era como transformar conhecimento em desenvolvimento para uma região historicamente acostumada a ver seus talentos partirem em busca de oportunidades em outros centros do país e do mundo. A resposta nunca esteve apenas na tecnologia. Desde o início, ela foi ancorada na convicção de que o conhecimento é um ativo transformador, capaz de impulsionar pessoas, criar oportunidades e ampliar horizontes coletivos.

Faço esse breve resgate porque ele ajuda a compreender um princípio que permanece atual. Muito antes de a inovação ocupar o centro das estratégias corporativas e de a inteligência artificial se tornar tema cotidiano, já entendíamos que tecnologia, por si só, não produz futuro. O futuro é construído pelas pessoas que a desenvolvem, a utilizam e, sobretudo, atribuem sentido ao seu uso.

Essa visão explica por que a educação nunca foi uma atividade complementar em nossa trajetória, mas sempre esteve na base da construção de conhecimento, inovação e desenvolvimento humano. Foi a partir dessa compreensão que nasceu um dos mais relevantes ecossistemas de inovação do país, combinando pesquisa, desenvolvimento tecnológico, empreendedorismo e formação de talentos como partes inseparáveis de uma mesma missão. Uma visão que, anos depois, encontraria na CESAR School sua expressão mais estruturada, transformando o “aprender fazendo” em uma metodologia capaz de conectar conhecimento e prática.

Hoje, vivemos uma mudança que desafia muitos dos modelos educacionais construídos ao longo do último século. Sistemas de inteligência artificial já são capazes de processar, organizar e relacionar volumes de informação inalcançáveis para qualquer ser humano. Em segundos, realizam tarefas que antes exigiam semanas ou meses de trabalho especializado. Como consequência, a informação deixa de ser escassa e o valor da educação inevitavelmente se desloca.

Se durante décadas educamos pessoas para acumular conhecimento, agora precisamos educá-las para interpretá-lo e formular boas perguntas a partir dele. Quanto mais a tecnologia amplia nossa capacidade de processar dados, maior a necessidade de os seres humanos ampliarem a capacidade de produzir significado.

O convite da IA

Na CESAR School, não enxergamos a IA apenas como uma ferramenta a ser incorporada às salas de aula, mas como um convite para revisitar os próprios fundamentos da aprendizagem. A questão não é como ensinar alguém a utilizar uma determinada plataforma, mas como formar profissionais capazes de pensar criticamente em um mundo onde a automatização já alcança atividades cognitivas que, até pouco tempo atrás, pareciam exclusivamente humanas.

Essa reflexão tem provocado mudanças concretas na forma como concebemos o ensino superior, onde mais do que incorporar novas tecnologias, estamos redesenhando experiências de aprendizagem. Em nossos cursos de graduação, por exemplo, a IA passou a ser utilizada como metodologia de apoio ao desenvolvimento da autonomia intelectual, da criatividade e da capacidade de resolver problemas complexos. 

Os estudantes aprendem a utilizar sistemas inteligentes para investigar, testar hipóteses, construir soluções e ampliar sua compreensão dos fenômenos, enquanto os professores assumem cada vez mais o papel de mediadores da aprendizagem. Ao mesmo tempo, revisamos práticas avaliativas para valorizar competências que se tornam ainda mais relevantes em um contexto de abundância informacional, como pensamento crítico, repertório interdisciplinar, julgamento ético, colaboração e capacidade de atribuir significado ao conhecimento produzido. 

Isso exige profissionais capazes de integrar conhecimentos diversos, compreender contextos complexos, atuar em ambientes multidisciplinares e tomar decisões responsáveis diante de problemas que não cabem em fórmulas prontas. Em outras palavras, exige uma formação que combine excelência técnica com repertório humano.

Talvez por isso muitos dos caminhos que hoje buscamos já estivessem presentes na trajetória do CESAR. Nossa história em educação foi construída por meio da experimentação e do aprendizado contínuo. Programas de residência tecnológica, projetos integradores, pós-graduações conectadas a desafios reais da indústria e, posteriormente, a criação da própria CESAR School representam etapas da busca por aproximar conhecimento, impacto e transformação.

Resultados que validam o modelo

Essa contribuição para a formação de talentos também tem sido reconhecida por diferentes perspectivas. Em avaliação recente conduzida pela Startup Genome sobre o ecossistema de inovação do Recife, a CESAR School foi apontada como um dos ativos responsáveis pela formação da base técnica qualificada que sustenta o desenvolvimento das startups da região, além de contribuir para a credibilidade e a projeção do ecossistema para além das fronteiras locais.

O reconhecimento também se reflete em iniciativas nacionais voltadas à valorização da educação conectada à inovação e ao mercado de trabalho. Em 2025, a CESAR School conquistou o primeiro lugar na categoria Educação Inovadora – Ensino Superior do Prêmio IEL de Talentos, uma das mais importantes iniciativas do país para reconhecer boas práticas de educação, inovação e empregabilidade. A premiação reforça uma trajetória construída a partir da integração entre aprendizagem, resolução de desafios e formação de profissionais preparados para atuar em contextos de transformação constante.

Da mesma forma, a instituição manteve a nota máxima no Índice Geral de Cursos (IGC) do Ministério da Educação, resultado alcançado por apenas uma pequena parcela das instituições de ensino superior brasileiras. Por essa razão, nossa metodologia continua baseada na resolução de problemas concretos, o que dá impulso para nossos estudantes trabalharem com organizações, comunidades, empresas e instituições públicas. Eles enfrentam situações sem respostas únicas, investigam, testam hipóteses, constroem consensos, lidam com ambiguidades e compreendem as pessoas afetadas pelas soluções que desenvolvem.

Os resultados desse modelo extrapolam os limites da sala de aula e ajudam a explicar a própria trajetória de desenvolvimento do Recife como polo de inovação. Em 2025, o Porto Digital alcançou um faturamento de R$ 7,4 bilhões, reuniu 24.079 colaboradores e chegou à marca de 541 empresas integradas ao seu ecossistema. Os números consolidam o distrito como o maior da América Latina e evidenciam a força de um ambiente que combina inovação, empreendedorismo e formação de talentos. 

Desde sua origem, o CESAR e, posteriormente, a CESAR School participam dessa construção ao contribuir para o desenvolvimento de profissionais, lideranças e empreendedores que alimentam continuamente a capacidade de crescimento e renovação do ecossistema.

Em um mundo cada vez mais automatizado, essa capacidade de compreender pessoas torna-se um diferencial ainda mais valioso. Afinal, os grandes desafios contemporâneos (da sustentabilidade à saúde, da inclusão à transformação digital) não são apenas problemas tecnológicos, mas também humanos.

Ao celebrarmos os 30 anos do CESAR, talvez esta seja a reflexão mais relevante. A inteligência artificial continuará evoluindo e as tecnologias continuarão se transformando em velocidades cada vez maiores. Mas seguiremos refletindo sobre o tipo de pessoas que queremos formar para o mundo que estamos construindo.

Porque, em um mundo onde as máquinas aprendem cada vez mais, educar continua sendo um ato profundamente humano. E o verdadeiro desafio permanece desenvolver pessoas capazes de compreender, criar e transformar a realidade ao seu redor.

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