Uncategorized
5 minutos min de leitura

O que um grupo com mais de 140 mil mulheres pode ensinar sobre liderança?

Na estreia da coluna do Grupo Mulheres do Brasil, este artigo mostra que a liderança do futuro não será construída por decisões individuais, mas pela capacidade de mobilizar diversidade, escuta e inteligência coletiva para enfrentar desafios que já não cabem em uma única visão.
Fundado em 2013 por Luiza Helena Trajano e outras 40 mulheres, o Grupo Mulheres do Brasil é uma das maiores redes de mobilização feminina do país. Com mais de 140 mil participantes no Brasil e no exterior, atua em frentes como educação, empreendedorismo, equidade de gênero, inclusão social, cidadania, sustentabilidade, defesa de políticas públicas e combate à violência contra mulheres e meninas. Por meio da articulação entre sociedade civil, iniciativa privada e poder público, desenvolve projetos e ações que contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva.
Administradora de Empresas com especialização em Marketing, empresária, Diretora de Comunicação do Grupo Mulheres do Brasil e especialista em Comunicação e Marketing Digital. Atua no desenvolvimento de estratégias de posicionamento, conteúdo e fortalecimento de marcas, negócios e causas.

Compartilhar:

Existe um modelo de liderança que muitas organizações dizem querer, mas poucas conseguem colocar em prática. Um modelo onde as decisões não dependem de uma única cabeça, onde diferentes experiências constroem soluções que nenhuma pessoa alcançaria sozinha e onde o papel de quem lidera é menos dar respostas e mais criar as condições para que elas apareçam.

Trago esse exemplo porque o conheço de perto. Faço parte do Grupo Mulheres do Brasil e o que vejo acontecer ali todos os dias me ensinou mais sobre liderança do que qualquer livro.

Em 2013, a empresária Luiza Helena Trajano reuniu um grupo de 40 mulheres, empresárias e líderes de diferentes áreas com um propósito simples e ambicioso: transformar a indignação diante dos desafios do país em ação concreta. O que nasceu desse encontro não seguiu o caminho tradicional das organizações, com hierarquias definidas, decisões centralizadas e uma liderança no topo controlando tudo. Seguiu outro caminho, mais difícil de desenhar em uma governança, mas muito mais eficaz na prática.


Desse encontro nasceu o Grupo Mulheres do Brasil, que reúne mais de 140 mil mulheres em núcleos espalhados pelo Brasil e pelo mundo, atuando em frentes que vão da educação ao empreendedorismo, das políticas públicas ao combate à violência contra mulheres e meninas, da sustentabilidade à saúde e ao desenvolvimento social. Mas o que mais chama a atenção no Grupo não é o tamanho. É o modo como ele funciona.

As decisões não se concentram em uma única liderança. Há uma diversidade de líderes, protagonismo local, construção coletiva, mobilização em torno de causas compartilhadas. Mulheres de regiões, gerações e profissões completamente distintas contribuem com o que sabem, com o que viveram, com o que enxergam a partir do lugar onde estão. E esse encontro de perspectivas produz algo que nenhuma delas produziria sozinha.

Para organizações que buscam decisões mais consistentes e representativas, essa experiência mostra o valor de ampliar a diversidade nos espaços de liderança.

Vivemos um tempo em que os desafios ficaram grandes demais para caber em uma única cabeça. A tecnologia redesenhou o trabalho, as hierarquias perderam a rigidez de antes e os mercados tornaram-se mais imprevisíveis. Nesse contexto, liderar concentrando todas as decisões no topo foi deixando de funcionar. O que começa a fazer sentido no lugar não é uma pirâmide mais eficiente. É algo mais parecido com uma orquestra, onde o resultado depende menos da genialidade do regente e mais da qualidade do conjunto.

O Grupo Mulheres do Brasil é essa orquestra que vem funcionando há mais de uma década.

E o que ela revela, entre outras coisas, é que diversidade não é apenas uma agenda de inclusão. É o elemento fundamental da inteligência coletiva. Grupos com repertórios diversos tendem a decidir melhor, enxergar riscos que passam despercebidos por quem pensa de forma parecida e identificar oportunidades que olhares iguais não captam. Pesquisas da McKinsey & Company já documentaram, em diferentes setores, essa ligação entre diversidade e ganhos em inovação, resolução de problemas e desempenho financeiro.

Mas existe uma diferença fundamental entre ter diversidade e conseguir transformá-la em valor.

Diversidade sem escuta genuína vira decoração. O desafio não está em trazer pessoas diferentes para dentro de uma estrutura. Está em criar as condições para que elas, de fato, influenciem o que acontece, para que suas perspectivas entrem nos processos, nas decisões, nas estratégias. É exatamente isso que o Grupo Mulheres do Brasil pratica todos os dias, não como teoria, mas como forma de operar.

E é por isso que chamamos a atenção para a ausência das mulheres nos espaços de liderança e decisão. Isso se demonstra em um problema estratégico. Quando elas não estão na mesa de decisão, as organizações não perdem apenas em representatividade. Perdem inteligência, perdem acesso a formas de compreender o mundo que seriam valiosas para qualquer estratégia e, no fim, perdem competitividade. Mais mulheres na liderança não é uma concessão. É uma decisão de negócio.

Para colocar essa conversa em movimento, com a profundidade que ela merece, nasce o Summit Mulheres nas Profissões, uma realização do Grupo Mulheres do Brasil.

O Summit reunirá lideranças, especialistas, empreendedoras, profissionais e estudantes para discutir o futuro do trabalho, os desafios da liderança e o papel das mulheres nos espaços de decisão. Mais do que palestras e painéis, será um ambiente onde trajetórias distintas se cruzam, trocam aprendizados e abrem caminhos que nenhuma agenda estruturada conseguiria prever. Porque é assim que as melhores ideias costumam nascer: quando pessoas que pensam diferente se encontram e trocam de verdade.

Liderar, cada vez mais, é estarmos abertos a criar as condições para que as melhores respostas surjam. É construir ambientes onde pessoas diferentes se sintam seguras para contribuir e reconhecer que a inteligência coletiva de um grupo diverso supera, na maioria das situações complexas, a inteligência individual de qualquer pessoa genial.

O Grupo Mulheres do Brasil não fala sobre isso, sai da teoria para a prática. Acredito que essa seja a lição mais valiosa que uma rede construída ao longo de mais de uma década tem a oferecer: o futuro da liderança será feito com mulheres, ou não será o futuro que precisamos. Nos negócios, na política, nas organizações e na vida, equidade não é ponto de chegada. É o caminho.

Compartilhar:

Fundado em 2013 por Luiza Helena Trajano e outras 40 mulheres, o Grupo Mulheres do Brasil é uma das maiores redes de mobilização feminina do país. Com mais de 140 mil participantes no Brasil e no exterior, atua em frentes como educação, empreendedorismo, equidade de gênero, inclusão social, cidadania, sustentabilidade, defesa de políticas públicas e combate à violência contra mulheres e meninas. Por meio da articulação entre sociedade civil, iniciativa privada e poder público, desenvolve projetos e ações que contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva.

Artigos relacionados

O que significa educar quando as máquinas também aprendem?

Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.

As pessoas vão permanecer mais tempo, sua empresa está pronta?

Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

A decisão mais difícil do roadmap de IA não é técnica

Dados, modelo e experiência competem pelo mesmo backlog, e cada frente pode apresentar uma justificativa tecnicamente correta para receber o próximo investimento. Decidir entre elas, exige uma maturidade que poucos times de produto desenvolveram, e uma clareza estratégica que poucas empresas conseguem articular.

Estratégia
26 de maio de 2026 14H00
Quando a inteligência deixa de ser centralizada, a criatividade deixa de ser limitada - e a organização inteira passa a responder melhor ao mundo real.

Marcos Brabo - Chief Strategy Officer (CSO) e sócio da Agência Ginga

4 minutos min de leitura
Estratégia
25 de maio de 2026 08H00
Ao olhar para o fitness como laboratório de comportamento, este artigo revela por que engajamento real não nasce da atração inicial, mas da capacidade de transformar intenção em rotina por meio de conveniência, personalização e pertencimento.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Estratégia, Gestão de Pessoas
24 de maio de 2026 12H00
Quando a energia do Mundial entra no cotidiano corporativo, o humor, empatia e pertencimento se modificam; e quem ganha é a corporação, com o incremento do comprometimento de colaboradores e impactados

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

0 min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
24 de maio de 2026 08H00
Este artigo propõe uma nova lógica de liderança: menos controle, mais calibração - onde a inteligência artificial não reduz a agência humana, mas redefine a forma como decidimos, pensamos e lideramos em contextos de incerteza.

Carlos Cruz - Pesquisador, Escritor e Consulting Partner Executive na IBM

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de maio de 2026 16H00
A pergunta já não é mais “se” sua empresa será atacada - mas quão preparada ela está para responder quando isso acontecer. Este artigo mostra por que a cibersegurança deixou de ser um tema técnico para se tornar um pilar crítico de gestão de risco, continuidade operacional e confiança nos negócios.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de maio de 2026 09H00
Este artigo desmonta o entusiasmo em torno do Vibe Coding ao revelar o verdadeiro desafio da IA: não é criar software com velocidade, mas operar, integrar e governar o que foi criado - em um ambiente cada vez mais complexo e crítico.

Wilian Luis Domingures - CIO da Tempo

4 minutos min de leitura
Marketing & growth
22 de maio de 2026 15H00
Mais do que visibilidade, este artigo questiona o papel das marcas em momentos de emoção coletiva e mostra por que, na Copa, só permanece na memória aquilo que gera conexão real - o resto vira apenas ruído.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

2 minutos min de leitura
Empreendedorismo
22 de maio de 2026 11H00
Se seis em cada dez empresas não sobrevivem, o problema não é apenas o ambiente. Este artigo revela que a alta mortalidade das PMEs no Brasil está ligada a falhas internas de gestão, governança e tomada de decisão

Sergio Goldman

6 minutos min de leitura
User Experience, UX
22 de maio de 2026 07H00
Ao ir além da experiência do usuário tradicional, este artigo mostra como a falta de clareza jurídica transforma conversão em passivo - e por que transparência é um ativo estratégico para crescimento sustentável.

Lorena Muniz e Castro Lage - CEO e cofundadora do L&O Advogados

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de maio de 2026 17H00
Este artigo traz a visão de um executivo da indústria que respondeu ao mito da substituição. Que, ao contrário da lógica esperada, mostra por que inovação não é destruir o passado, mas sim, reinventar relevância com clareza, estratégia e execução no novo cenário tecnológico.

Antonio Lemos - Presidente da Voith Paper na América do Sul.

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão