Se você está na arena do empreendedorismo, já sentiu o peso de tentar ser dono de toda a inteligência que o seu negócio demanda. Mas, o nó da questão é que, em 2026, a posse do talento virou um custo de oportunidade alto demais. Como engenheira, aprendi que sistemas eficientes não retêm energia, eles a canalizam. O talento da sua empresa não precisa ser seu. Eele precisa estar no fluxo do seu desafio.
Olho para as empresas hoje e vejo o mesmo erro: fundadores tentando rodar o software da inovação em um hardware organizacional de 1990. Se o seu modelo de contratação ainda é o CLT padrão de 40 horas para toda e qualquer função estratégica, você está tentando escalar com o ‘freio de mão puxado’. No livro “Open Talent”, os autores John Winsor e Jin H. Paik apresentam uma engenharia que faz todo sentido para quem busca eficiência: a substituição dos silos fixos por uma arquitetura aberta.
Essa nova arquitetura se sustenta em três pilares que precisam conversar entre si, sem a rigidez dos organogramas tradicionais.
O primeiro pilar é a External Talent Cloud (ETC). Pense nisso como a sua nuvem de especialistas. Em vez de inflar o burn rate com um VP de Vendas de 60 mil reais (além dosis encargos e o drama da retenção), você acessa essa inteligência sob demanda. É o Talent as a Service (TaaS). Para uma startup que precisa de governança, mas não pode ‘queimar’ caixa à toa, ter um “Fractional CFO” por dez horas semanais é uma saída estratégica. Você consome a solução, paga pelo impacto e mantém a operação enxuta. O que seria um custo fixo imenso vira um investimento variável.
Depois, no segundo pilar, precisamos olhar para dentro com o Internal Talent Marketplace (ITM). É o fim da ociosidade invisível. Mas,i o ITM só funciona se você “matar” a cultura dos “feudos”. Inovações e melhorias de uma área precisam ser comunicadas como best practices globais da companhia, permitindo que o talento que originou a solução seja compartilhado entre squads, em vez de ser escondido como um trunfo por um gestor que só pensa no próprio sucesso. A inteligência deve pertencer ao projeto, não ao chefe.
Por fim, o terceiro pilar é a Open Innovation Capability (OIC). É a inovação tratada como protocolo, não como evento. Admitir que a inteligência fora da sua empresa sempre será maior que a interna é o primeiro passo para a escala real. O OIC permite que você plugue seu negócio em ecossistemas externos para resolver gargalos que não são seu core business. Você deixa de ser um “dono de ativos” para ser um estrategista de competências.
A transição para esse modelo exige que o fundador abandone o fetiche do controle. Se você ainda precisa “ver” as pessoas trabalhando para acreditar na entrega, você está usando uma “tornozeleira cultural” que afasta os melhores. O profissional de alto nível não quer mais o crachá de estimação; ele quer aplicar sua inteligência onde ela realmente move o ponteiro.
No fim do dia, a pergunta é simples: sua estrutura aguenta a velocidade do seu mercado? O lucro não vem de quantas pessoas você lidera, mas de quão eficiente é a arquitetura que você desenhou. O resto é apenas apego a um modelo de posse que já morreu.




