Cultura organizacional, ESG
3 minutos min de leitura

O tempo que doamos é o futuro que aceleramos

O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.
Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

Compartilhar:

A educação sempre funcionou como a grande alavanca da minha vida. Filha de professores, cresci em uma família que ancorou nas oportunidades de estudo a sua principal perspectiva de desenvolvimento. Essa bagagem me deu a clareza de que o conhecimento é o bem mais estruturante que podemos possuir e que ninguém nos tira.

Ainda na juventude, ao dar aulas particulares para estudantes de escolas públicas, consolidei uma convicção de que temos o dever inegociável de devolver à sociedade aquilo que nos transformou. E foi no ambiente corporativo, ao longo da minha trajetória como executiva, que descobri o canal mais potente para essa devolutiva: o voluntariado. Exercer a liderança e atuar como voluntária são dimensões que se retroalimentam da mesma fonte. Para mim, propósito e empatia são as duas palavras-chave que sustentam ambos os caminhos. 

Liderar com empatia não é inferir o que o outro precisa a partir da nossa própria lente, mas ter a capacidade genuína de escutar. No voluntariado, essa mesma empatia nos tira da nossa bolha e nos conecta com realidades profundamente diferentes das nossas. O propósito, por sua vez, aproxima aquilo que temos de melhor como profissionais e como indivíduos daquilo que podemos oferecer à sociedade, lembrando-nos diariamente por que fazemos o que fazemos.

Neste ano de 2026, em que a ONU celebra o Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável, refletir sobre a urgência dessa pauta é essencial. O voluntariado corporativo tem um enorme poder de aceleração. Se simplesmente cruzarmos os braços e acharmos que a sociedade vai se autorregular e corrigir suas desigualdades estruturais naturalmente com o passar dos anos, o processo será dolorosamente lento.

Não é justo esperar. O setor corporativo, com sua estrutura e capacidade de organização, tem a oportunidade e o potencial de antecipar em décadas as transformações que o nosso país precisa.

Essa dinâmica se manifesta de forma concreta em iniciativas como os programas de mentoria e as ações voluntárias que desenvolvemos na Braskem. Ao orientar jovens e compartilhar trajetórias, presenciamos potenciais sendo destravados e horizontes se ampliando. Além disso, o voluntariado corporativo tem a capacidade única de reconfigurar a própria cultura interna. Dentro dele, a hierarquia tradicional perde relevância e o crachá deixa de definir as relações. A liderança passa a acontecer pelo propósito, pelo engajamento e pelo desejo genuíno de contribuir.

Reconheço que a rotina contemporânea é densa e que equilibrar demandas profissionais e pessoais é um desafio real para todos. Por isso mesmo, o voluntariado não deve ser encarado como uma cobrança por mais horas dedicadas ou um peso extra na agenda. Quando o propósito faz sentido, a relação com o tempo se transforma. Não se trata de sacrificar o pouco tempo livre que temos, mas de encontrar nas ações voluntárias um espaço de renovação, troca e aprendizado. 

O voluntariado é também um investimento no nosso próprio desenvolvimento humano e cidadão. Ele amplia nossa visão de mundo, humaniza as relações e transforma nossa atuação profissional, tornando-nos líderes mais empáticos e conscientes.

Da mesma forma, não podemos cair na armadilha de achar que só vale a pena participar quando podemos oferecer uma contribuição grandiosa. Muitas vezes, deixamos de agir por duvidar do tamanho do nosso impacto, mas a vivência prática mostra que cada pequena atitude e cada gesto consistente têm um valor enorme. Todo esforço importa quando a intenção é legítima. Doar conhecimento, atenção e mentoria pode ser profundamente transformador, tanto para quem recebe quanto para quem doa.

Que possamos usar a força e a estrutura do ambiente corporativo para criar essas pontes, ampliar oportunidades e acelerar transformações que não podem esperar. Afinal, quando compartilhamos nosso tempo, conhecimento e experiência, não estamos apenas contribuindo para o presente. Estamos ajudando a construir uma sociedade mais justa, empática e repleta de oportunidades para o futuro.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O tempo que doamos é o futuro que aceleramos

O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

O cliente ainda precisa de vendedores?

A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

76% das organizações já têm um Chief AI Office (CAIO). E agora, qual é o papel do CEO?

Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Empresa familiar sem governança é refém do fundador; com governança, vira legado

O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

A NR-1 perguntou sobre o trabalho. A empresa respondeu sobre as pessoas.

A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

A equipe de marketing do futuro pode caber em uma pessoa

Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Inovação & estratégia, Marketing
14 de agosto de 2026 13H00
Ao visitar um dos vinhedos mais renomados de Bordeaux, o autor encontrou uma reflexão que ultrapassa o universo do vinho e alcança empresas, famílias e instituições. A decisão do Château Lafleur de abandonar uma denominação de origem histórica revela um dilema cada vez mais presente nas organizações: como preservar princípios e identidade em um mundo que exige adaptação constante?

Antonio Carlos Matos da Silva - Conselheiro independente associado ao IBGC

5 minutos min de leitura
Liderança
14 de agosto de 2026 08H00
Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

13 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de agosto de 2026 14H00
Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Marcos Gurgel - Diretor Comercial na divisão Avitum da B. Braun Brasil

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Vendas
13 de agosto de 2026 08H00
Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo