Cultura organizacional, ESG
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O tempo que doamos é o futuro que aceleramos

O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.
Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

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A educação sempre funcionou como a grande alavanca da minha vida. Filha de professores, cresci em uma família que ancorou nas oportunidades de estudo a sua principal perspectiva de desenvolvimento. Essa bagagem me deu a clareza de que o conhecimento é o bem mais estruturante que podemos possuir e que ninguém nos tira.

Ainda na juventude, ao dar aulas particulares para estudantes de escolas públicas, consolidei uma convicção de que temos o dever inegociável de devolver à sociedade aquilo que nos transformou. E foi no ambiente corporativo, ao longo da minha trajetória como executiva, que descobri o canal mais potente para essa devolutiva: o voluntariado. Exercer a liderança e atuar como voluntária são dimensões que se retroalimentam da mesma fonte. Para mim, propósito e empatia são as duas palavras-chave que sustentam ambos os caminhos. 

Liderar com empatia não é inferir o que o outro precisa a partir da nossa própria lente, mas ter a capacidade genuína de escutar. No voluntariado, essa mesma empatia nos tira da nossa bolha e nos conecta com realidades profundamente diferentes das nossas. O propósito, por sua vez, aproxima aquilo que temos de melhor como profissionais e como indivíduos daquilo que podemos oferecer à sociedade, lembrando-nos diariamente por que fazemos o que fazemos.

Neste ano de 2026, em que a ONU celebra o Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável, refletir sobre a urgência dessa pauta é essencial. O voluntariado corporativo tem um enorme poder de aceleração. Se simplesmente cruzarmos os braços e acharmos que a sociedade vai se autorregular e corrigir suas desigualdades estruturais naturalmente com o passar dos anos, o processo será dolorosamente lento.

Não é justo esperar. O setor corporativo, com sua estrutura e capacidade de organização, tem a oportunidade e o potencial de antecipar em décadas as transformações que o nosso país precisa.

Essa dinâmica se manifesta de forma concreta em iniciativas como os programas de mentoria e as ações voluntárias que desenvolvemos na Braskem. Ao orientar jovens e compartilhar trajetórias, presenciamos potenciais sendo destravados e horizontes se ampliando. Além disso, o voluntariado corporativo tem a capacidade única de reconfigurar a própria cultura interna. Dentro dele, a hierarquia tradicional perde relevância e o crachá deixa de definir as relações. A liderança passa a acontecer pelo propósito, pelo engajamento e pelo desejo genuíno de contribuir.

Reconheço que a rotina contemporânea é densa e que equilibrar demandas profissionais e pessoais é um desafio real para todos. Por isso mesmo, o voluntariado não deve ser encarado como uma cobrança por mais horas dedicadas ou um peso extra na agenda. Quando o propósito faz sentido, a relação com o tempo se transforma. Não se trata de sacrificar o pouco tempo livre que temos, mas de encontrar nas ações voluntárias um espaço de renovação, troca e aprendizado. 

O voluntariado é também um investimento no nosso próprio desenvolvimento humano e cidadão. Ele amplia nossa visão de mundo, humaniza as relações e transforma nossa atuação profissional, tornando-nos líderes mais empáticos e conscientes.

Da mesma forma, não podemos cair na armadilha de achar que só vale a pena participar quando podemos oferecer uma contribuição grandiosa. Muitas vezes, deixamos de agir por duvidar do tamanho do nosso impacto, mas a vivência prática mostra que cada pequena atitude e cada gesto consistente têm um valor enorme. Todo esforço importa quando a intenção é legítima. Doar conhecimento, atenção e mentoria pode ser profundamente transformador, tanto para quem recebe quanto para quem doa.

Que possamos usar a força e a estrutura do ambiente corporativo para criar essas pontes, ampliar oportunidades e acelerar transformações que não podem esperar. Afinal, quando compartilhamos nosso tempo, conhecimento e experiência, não estamos apenas contribuindo para o presente. Estamos ajudando a construir uma sociedade mais justa, empática e repleta de oportunidades para o futuro.

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