Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 minutos min de leitura

Open Talent Economy no Brasil e no mundo: do sonho à tração

Vivara, Natura, Blip, iFood e Endeavor já estão usando o Open Talent para ganhar agilidade e impacto. Este artigo revela por que a liderança por projeto e o talento sob demanda estão redesenhando o futuro do trabalho.
CEO da Chiefs.Group, plataforma que conecta executivos seniores disponíveis para trabalhar sob demanda a empresas, através de soluções flexíveis como mentorias, projetos e vagas part time, além de uma empresa parceira da Heidrick & Struggles. Cristiane Mendes tem uma trajetória marcada pela co-fundação da Delivery Center, Shopping Brasil e Visor, negócios que impactaram o setor de inovação brasileiro. Ela ainda é membro de conselhos empresariais, investidora e mentora de startups, bem como Top Voice do LinkedIn desde 2024, além de especialista em transformação digital e futuro do trabalho.

Compartilhar:

Há alguns anos, falar de Open Talent era quase explicar um idioma novo. Poucas pessoas conheciam.
Fui percebendo, ao longo da minha jornada profissional, que as melhores ideias não valem nada sem as pessoas certas para colocá-las em prática. Hoje, como CEO da plataforma que trouxe a Open Talent Economy para o Brasil, meu propósito é transformar a maneira como empresas e executivos se conectam e trabalham juntos.
Mas você deve estar se perguntando: o que é Open Talent e por que isso importa para sua empresa?
Imagine um ecossistema onde sua valiosa equipe interna é potencializada por uma rede externa de executivos seniores, especialistas de nicho e líderes de projeto altamente qualificados, disponíveis exatamente quando e onde você precisa deles.

Pense em ter acesso a um executivo experiente para um projeto de transformação de seis meses, um especialista em Inteligência Artificial para destravar uma nova linha de produto ou um head de marketing para cobrir uma licença de forma estratégica, e detalhe, tudo isso sem os longos ciclos de contratação ou os custos fixos de uma vaga permanente.

Nas empresas do futuro, liderar é realmente sobre entregar resultado, não ocupar um cargo.
A lógica da Liderança por Projeto valoriza quem tem as habilidades e experiências certas para cada desafio, criando times mais ágeis, colaborativos e inovadores. Essa abordagem, impulsionada pela Open Talent Economy, está transformando a forma como as lideranças são formadas, desenvolvidas e distribuídas nas organizações.
Grandes empresas estão ativamente buscando entender o Open Talent. A forma como as organizações acessam, alocam e desenvolvem talentos, é diferente dos modelos tradicionais.

No Brasil, grandes nomes como Vivara, Natura e Blip já veem no Open Talent a possibilidade de otimizar suas operações, acessando, rapidamente e de forma estratégica, talentos experientes do mercado para atender às necessidades específicas de seus negócios.

A Vivara, por exemplo, adotou um talento sob demanda para implementar um projeto exclusivo de inteligência artificial focado na jornada de compra dos consumidores. Já a Natura adotou mentorias de executivos do mercado em seu programa de intraempreendedorismo, visando impulsionar a inovação e expandir sua atuação para além do core business.

No caso da Blip, a plataforma de inteligência conversacional que atende empresas como Itaú e Claro Brasil já contou com executivos sob demanda em diferentes momentos de evolução do negócio. Alguns exemplos foram em um projeto de eficiência e design organizacional, a fim de solucionar os desafios de escalabilidade do negócio, em projetos para revisitar a cultura da empresa e mentorias para desenvolvimento de lideranças.
E o potencial do Open Talent vai muito além! Ele pode trazer segurança para o trabalho da própria equipe interna.

É o caso de empresas como iFood e Endeavor que, com o objetivo de apoiar suas colaboradoras durante a licença-maternidade, têm utilizado vagas sob demanda para cobrir a ausência temporária dessas profissionais. Nesse contexto, as vagas interinas proporcionam às empresas uma transição fluida, ininterrupta e estável.
Com isso, além do cuidado com as suas profissionais, as empresas também investem em eficiência, já que podem contar com a senioridade dos executivos alocados, que irão entregar uma atuação estruturada durante o período.

E esse modelo promete aquecer ainda mais o mercado de trabalho.

Em fevereiro deste ano, a consultoria global de liderança Heidrick & Struggles, em parceria com a Chiefs.Group no Brasil, lançou uma pesquisa sobre o estado do talento interino no mundo. O levantamento ouviu 3.810 profissionais interinos nas Américas e Europa, sendo 250 no Brasil. Por aqui, 35% dos executivos independentes atuam nesse formato há um ano ou até três anos e outros 28% há menos de um ano. Essa proporção é superior à média global nessas faixas (30% e 15%, respectivamente), indicando o otimismo do país com o novo modelo.

O perfil desses executivos brasileiros é altamente sênior, sendo que 74% deles trabalharam por mais de duas décadas em posições formais antes de optar pela carreira independente. Globalmente, a tendência de senioridade dos executivos interinos se confirma, com 69% deles também tendo atuado de forma tradicional por mais de 20 anos. Não se trata de uma substituição da força de trabalho ou da saída completa de executivos do mercado tradicional, mas de uma escolha consciente de empresas e profissionais experientes para opções mais fluídas para endereçar os novos desafios de um mercado corporativo cada vez mais dinâmico.

A transição para um modelo que abraça o Open Talent não é mais questão de tempo, pois ela já está em curso. As empresas que demorarem a entender e a incorporar essa nova lógica correm o risco de ficar para trás, lutando com estruturas rígidas e uma capacidade limitada de resposta.

Já os líderes de negócios e profissionais de RH que abraçarem essa transformação estarão na vanguarda, construindo organizações verdadeiramente preparadas para o futuro, capazes de atrair e reter os melhores talentos, internos e externos, e de navegar pela complexidade com confiança e visão.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que sustenta uma indústria ao longo do tempo

Em um setor marcado por desafios constantes, este artigo revela por que a verdadeira vantagem competitiva está na capacidade de evoluir com consistência, fortalecer relações e entregar valor sustentável no longo prazo.

Conselhos homogêneos falham em silêncio

Em um mundo de incerteza crescente, manter conselhos homogêneos deixou de ser conforto – passou a ser risco. Este artigo deixa claro que atingir massa crítica de diversidade não é agenda social, é condição para decisões mais robustas e resultados superiores no longo prazo.

A maleabilidade mental como nova vantagem competitiva

Neste artigo, a capacidade de discordar surge como um ativo estratégico: ao ativar a neuroplasticidade, líderes e organizações deixam de apenas reagir ao novo e passam a construir transformação real, sustentada por pensamento crítico, consistência e integridade cognitiva.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
27 de abril de 2026 15H00
A era da produtividade limitada pelo horário terminou. Enquanto ainda debatemos jornadas e turnos, a produtividade já opera 24x7. Este artigo questiona modelos mentais e estruturais que se tornaram obsoletos diante da ascensão dos agentes de inteligência artificial.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
27 de abril de 2026 07H00
Com a nova regulamentação prestes a entrar em vigor, saúde mental, riscos psicossociais e gestão contínua deixam de ser discurso e passam a integrar o centro das decisões corporativas.

Natalia Ubilla - Diretora de RH do iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de abril de 2026 15H00
Da automação total às baterias do futuro, ao longo do festival em Austin ficou claro que, no fim das contas, a inovação só faz sentido quando melhora a vida e o entendimento das pessoas

Bruno de Oliveira - Jornalista e editor de negócios do site Automotive Business

3 minutos min de leitura
Empreendedorismo
26 de abril de 2026 10H00
Este artigo propõe um novo olhar sobre inovação ao destacar o papel estratégico dos intraempreendedores - profissionais que constroem o futuro das empresas sem precisar abrir uma nova.

Tatiane Bertoni - Diretora da ACATE Mulheres e fundadora da DataforAll e SecopsforAll.

2 minutos min de leitura
Lifelong learning
25 de abril de 2026 14H00
Quando tecnologia se torna abundante e narrativas perdem credibilidade, a autenticidade emerge como o novo diferencial competitivo - e este artigo explica por quê.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
25 de abril de 2026 08H00
Um aviso que muita empresa prefere ignorar: nem todo crescimento é vitória. Algumas organizações sobem a régua do faturamento enquanto desmoronam por dentro - consumindo pessoas, previsibilidade e coerência.

Daniella Portásio Borges - CEO da Butterfly Growth

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional
24 de abril de 2026 15H00
Este artigo revela por que a cultura deixou de ser um elemento simbólico e passou a representar um dos custos - e ativos - mais invisíveis do lucro, mostrando como liderança, engajamento e visão sistêmica definem a competitividade e a perenidade das organizações.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

4 minutos min de leitura
Liderança
24 de abril de 2026 08H00
Este artigo traz dados de pesquisa, relatos de gestão e uma nova lente sobre liderança, argumentando que abandonar a obrigação da infalibilidade é condição para equipes aprenderem melhor, se engajarem mais e entregarem resultados sustentáveis.

Dante Mantovani - Coach, professor e consultor

5 minutos min de leitura
Liderança
23 de abril de 2026 16H00
A partir das trajetórias de Luiza Helena Trajano e Marcelo Battistella Bueno, este artigo revela por que grandes líderes não se formam sozinhos - e como a mentoria, sustentada por vínculo, presença e propósito, segue sendo um pilar invisível e decisivo da liderança em tempos de transformação acelerada.

Michele Hacke - Palestrante TEDx, Professora de Liderança Multigeracional e Consultora HSM

8 minutos min de leitura
Estratégia, Liderança
23 de abril de 2026 08H00
Medir bem não garante decidir certo: por que sistemas de gestão falham em ambientes complexos? Este artgo traz o contraste entre a perspectiva positivista do BSC e o construtivismo complexo de Stacey revela os limites de cada abordagem e o que cada uma deixa sem resposta

Daniella Borges - CEO da Butterfly Growth

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão